Antes de ser feliz, de Patrícia Reis

Sexta-feira, 22 de abril de 2011




De novo com um livro de Patrícia Reis entre as minhas mãos e que leitura tão enternecedora e saborosa! Como é que alguém pode resistir a degustar um livro que na contracapa nos oferece esta passagem – “Meu amor, é longa a história eu sei. Quando chegares, cá estarei e não contes com o meu silêncio, a porta está aberta e serei imprevisível. Ando a treinar. E sei ao que vou. Não serei o mesmo e, apesar disso, serei eu. Aquele que tu escolheste quando entraste na sala de aula, tão pequenina, aquele ao lado de quem te sentaste. Sou ainda o teu estranho mais íntimo e, mesmo que tenham passado por ti outros tantos, serei sempre o teu primeiro homem”. Eu não consegui… E, mais uma vez, apesar de este romance, tal como outros que já li/devorei desta autora, estar impregnado de uma tristeza nostálgica, de mágoa por uma não-realização de sonhos e expetativas, entreguei-me por completo à sua leitura, sofri e senti com o protagonista, Pedro, e voltei a apaixonar-me pela escrita dolorida desta escritora que me cativa mais e mais!...

Aqui fica a sinopse:
O princípio possível começa na Figueira da Foz, uma cidade que é uma espécie de décor, guardiã de memórias de Verão e outras vivências. Um miúdo apaixona-se na idade em que os sentimentos são voláteis e sem importância. O objeto do seu amor é uma rapariga difícil, esquiva e perturbada. Há a morte da mãe dela, as tardes de praia no areal imenso, as idas a Buarcos, as festas do Casino. E ainda um pai tímido e um tio criativo atrelado a um cão chamado Tejo. O amor não se desfaz com o tempo. O miúdo chega a rapaz e depois faz-se homem. Parte para Lisboa mas regressa sempre, como uma fatalidade. Espera que ela, a mulher que o obriga a parar no tempo, volte também à cidade, tome conta da sua herança e lhe dê outra vida.
Enquanto espera, acompanha o pai dela na doença, organiza papéis e pensamentos, vai a funerais, pendura um Canaletto precioso. Herda a casa que, em tempos, foi chão sagrado para ela; ela, que finge que não está.

O vermelho e o verde, de José Jorge Letria

Terça-feira, 19 de abril de 2011



Mais um livro comprado na Feira do Livro J e desta vez relacionado com um período muito importante da História do nosso país – a implantação da República.
Em O Vermelho e o Verde, José Jorge Letria retrata o período que decorre entre dia do Regicídio (1 de fevereiro de 1908) e o fim do verão de 1918, ano da gripe espanhola, do fim da Primeira Guerra Mundial e do assassinato de Sidónio Pais. Centra a sua ação na história de uma família dividida pelos ideais políticos de dois irmãos – Octávio é monárquico enquanto César é republicano. Será este último, protagonista e narrador, que acompanharemos, desde que combate na Rotunda ao lado de Machado Santos até ao momento em que é ferido na Flandres, em plena 1ª Guerra Mundial.
Teremos assim a oportunidade de conhecer, dentro de uma perspetiva republicana, os preparativos e o estalar da própria revolução, bem como uma análise dos tempos vindouros, que denota um certo desencanto face à realidade pós implantação da república, já que o rumo que Portugal tomou após 1910 não foi o idealizado pelos republicanos que, tal como César, tanto lutaram pela sua concretização.
“Lá no fundo, foi, como se, mesmo num casulo de sofrido silêncio, eu tivesse gritado: “Viva a República!”

Era a minha república, a da minha liberdade e do meu caminho insubmisso, que nesse dia se tornava soberana e independente. Imaginando as cores de uma bandeira ainda por hastear, se eles, o meu pai e o meu irmão, fossem o verde, eu havia de me tornar o vermelho.”

O homem que sonhava ser Hitler, de Tiago Rebelo

Segunda-feira, 11 de abril de 2011



Nas vésperas de partir para Barcelona (visita de estudo com nuestros alumnos), terminei de ler mais um livro de Tiago Rebelo que já esperava por mim desde a Feira do Livro do ano anterior. Contudo, não me entusiasmou tanto como o anterior (O último ano em Angola), talvez porque é um romance policial (género que não me atrai muito…) e porque senti que lhe faltava algo para conseguir que eu, uma leitora muito cética deste género literário, tivesse ganas para devorá-lo, como faço sempre que uma obra me prende a atenção!...
Deixo-vos aqui, no entanto, a sua sinopse:
“No pátio de um prédio, num pacífico bairro de Lisboa, uma criança é atacada por três homens e deixada em coma.
Ao investigar o que inicialmente se supõe ser um mero ato de cobardia de um grupo de cabeças-rapadas, as autoridades descobrem uma sombria conspiração que prova que, nunca como hoje, a democracia e o estado de direito estiveram tão ameaçados em Portugal.” 

Morder-te o coração, de Patrícia Reis

Quarta-feira, 30 de março de 2011





Morder-te o Coração, da “minha” Patrícia Reis, é pequenino (tem 153 páginas), mas tive que refrear a vontade louca de lê-lo num ápice! Esse é o efeito que os livros desta autora têm sobre mim J Quando pego em qualquer um deles não consigo largá-los e este não fugiu à regra!
Na sua contracapa, encontramos um pequeno texto de Inês Pedrosa que penso que diz muito, ou mesmo tudo, do que nos oferece esta obra que recomendo vivamente – como recomendo todos de Patrícia Reis!

“Este romance é uma viagem alucinante pelos labirintos do desejo e da solidão, que nos arrasta para lá das convenções dos géneros e do sexo, conduzindo-nos ao conhecimento da vertigem. A escrita transparente e comunicante de Patrícia Reis ganha corpo e espessura nesta narrativa polifónica orquestrada para obsessão do Grande Amor – aquela luz infinita que simultaneamente cega e acende a verdade íntima de cada um de nós. Este livro morde-nos, de facto, o coração – e é para isso que servem os bons livros”.

Corpo Presente, de Anne Enright

Domingo, 27 de julho de 2014




No passado mês de março, numa das MUITAS visitas que faço à Bertrand, enquanto pagava (dessa vez nenhum dos livros era para mim – só regalitos para outros!...), vi que no balcão estava, em promoção, um livro de uma autora (irlandesa!!!) que já me havia “piscado o olho” num outro momento. Apercebendo-se do meu interesse, a funcionária entabulou conversa comigo e disse-me que Corpo Presente (era esse o título da obra) era uma boa escolha – tratava de uma reunião familiar que acontece num momento menos bom e que, apesar de haver um óbvio domínio de sentimentos de tristeza ao longo da sua narrativa, a mesma não me iria desapontar. É claro que tudo isto me convenceu e lá saí eu da Bertrand toda contente, porque trazia mais um livro para adicionar à biblioteca lá de casa e que só me tinha custado 5€!
Só consegui ler Corpo Presente agora e o que posso dizer é que a compra valeu a pena. Vencedor do Man Booker 2007, este romance de Anne Enright é tudo menos alegre. É um relato na primeira pessoa, no qual Veronica Hagerty, proveniente de uma família numerosa, nos deixa entrar na sua vida presente, passada e futura. E fá-lo com um discurso cru, implacável, que põe o dedo nas múltiplas feridas da sua família que se vê privada de um dos seus elementos – Liam, o irmão com quem Veronica tinha mais afinidades e que se suicida numa praia inglesa.

Numa narrativa repleta de analepses e prolepses, de factos reais e outros que poderão ser fruto da imaginação da narradora (ou não), vamos acompanhando a forma como Veronica escavaca sem dó nem piedade sobretudo a sua vida, em busca do que correu mal, do que poderia ter sido diferente e sentimos empatia por ela, porque, apesar de sabermos que é um caso perdido, que os traumas da sua infância (que talvez sejam os mesmos que levaram ao suicídio do seu irmão) a marcaram implacavelmente, há, em raríssimos momentos, uma réstia de esperança que não a abandona e que, afinal, nunca nos abandona, por muito que a vida nos maltrate… 

Estaciones de Paso, de Almudena Grandes

Sexta-feira, 25 de março de 2011



(RELEITURA) / (LEÍDO EN ESPAÑOL)



Entrei no mundo de Almudena Grandes através desta coletânea de contos, Estaciones de Paso, emprestada pela minha Nancy, e nunca mais de lá saí!!!! Todas as obras que já li desta fantástica autora espanhola são MARAVILHOSAS, repletas de narrativas densas, profundas, com muita introspeção psicológica, ou seja, um estilo literário que me obriga a refletir, a entrar "no mundo interior" de cada personagem e a conhecer os seus medos, as suas fragilidades, os seus anseios, os seus sonhos, enfim, a conhecer a sua essência enquanto pessoas. E mesmo que sejam pessoas ficcionais, são o retrato da realidade, de uma realidade que não é e nunca será linear!

Estaciones de Paso contém 5 histórias completamente diferentes, com temas muito variados, mas com uma característica em comum - todos os seus protagonistas são adolescentes, cinco adolescentes que se encontram num situação que foge ao seu controlo, pois não a  conseguem compreender, sentem muitas dificuldades em lidar com ela, mas têm que vivê-la... Contudo, no final, toda esta incompreensão e dificuldades farão com que os protagonistas amadureçam, percebam o seu lugar enquanto pessoas e entendam que a vida não é fácil, mas há que vivê-la e seguir em frente.

O primeiro conto que o livro nos oferece foi e será aquele que mais impacto teve e terá em mim. Intitula-se "Demostración de la existencia de Dios" e é um monólogo enfurecido, enraivecido e doloroso de um adolescente de 14 anos que perdeu o seu irmão mais velho por causa de uma leucemia. O monólogo é dirigido diretamente a Deus (mesmo  que o protagonista se diga ateu), já que este último quer respostas para uma situação incompreensível, devastadora, que o deixa impotente, mesmo tendo-se sujeitado a um transplante de medula para tentar salvar o seu irmão.  
Ao mesmo tempo que se dirige a Deus, o protagonista vai vendo a transmissão de um jogo de futebol da sua equipa de eleição (o Atlético de Madrid) e fica ainda mais irado porque nem esse jogo lhe traz algum consolo, já que o Atlético é goleado...
Este conto marcou-me por todo o sofrimento que ninguém deveria sentir, muito menos um adolescente e, sobretudo, pela forma como o seu testemunho chega até nós, com uma linguagem direta, cheia de calão, típica de adolescentes, e que, para quem já passou por uma situação semelhante, nos faz sentir muito próximos do protagonista.

Para finalizar, volto a fazer a pergunta que já me fiz milhentas vezes e que, quem conhece a obra de Almudenas Grandes, também faz - como é possível que nenhuma editora portuguesa queira continuar a publicar as obras desta GENIAL autora espanhola???? É certo que as suas primeiras obras foram traduzidas e publicadas pela Presença e pela Dom Quixote, mas, inexplicavelmente, depois da publicação de Os Ares Difíceis nada... Assim, quem não consiga ler em espanhol fica, sem dúvida, um leitor mais pobre...

O caderno 2, de José Saramago

Quinta-feira, 17 de março de 2011







Caderno 2 reúne o conjunto de textos que diariamente José Saramago foi escrevendo no seu blogue entre setembro de 2008 e novembro de 2009. Representa as reflexões, as opiniões, as sugestões, críticas aos mais diversos assuntos e sobre as mais diversas questões.

Que dizer de algo escrito pelo meu Saramaguinho?... Enquanto o lia, passei por uma mistura de sentimentos – alegria, partilha, comunhão de ideias e sobretudo uma nostalgia muito grande, porque… já cá não estás, meu herói literário! Que falta me fazes!!!!!!!!!

Nenhum olhar, de José Luís Peixoto

Quarta-feira, 09 de março de 2011



Voltei ao universo de José Luís Peixoto, consciente de que, mais uma vez, ia ficar rendida à beleza da sua escrita, à melodia das suas palavras, mas que ia, ao mesmo tempo, sofrer com tanta tristeza, tanto desespero, tanta tragédia e assim foi… Que mistura de sensações me assolou durante e no final da leitura, Dios mío!
Aqui fica a sinopse:

Numa aldeia do Alentejo, com um pano de fundo de uma severa pobreza, o autor vai tecendo histórias de homens e mulheres, endurecidos pela fome e pelo trabalho, de amor, ciúme e violência: o pastor taciturno que vê o seu mundo desmoronar-se quando o diabo lhe conta que a mulher o engana; o velho e sábio Gabriel, confidente e conselheiro; os gémeos siameses Elias e Moisés, cuja terna comunhão se degrada no momento em que um deles se apaixona; ou o próprio Diabo. As suas personagens são universais, assim como a sua esperança face à dificuldade. «... a partir da segunda ou terceira sequência ficamos seguros de que a inclinação é fatal: vamos embater num limite, num muro, num enigma, na origem do mundo e no desastre final...»

A neta do senhor Linh, de Philippe Claudel

Domingo, 27 de fevereiro de 2011



Por incrível que pareça, o livro que acabei de ler hoje tinha passado desapercebido todos estes anos, talvez desde casei com o Nuno e ele o trouxe de casa dos pais! Não sei se terá sido por ser um livro muito fininho e ser “engolido pelos calhamaços” que o rodeiam, mas o que é certo é que só há 2 dias reparei nele. E ainda bem que o fiz, porque A neta do senhor Linh é uma pequena maravilha, uma pérola, como é afirmado pela crítica.
Numa fria manhã de novembro, depois de uma penosa viagem de barco, um ancião desembarca num país que não é o seu, onde não conhece ninguém e cuja língua ignora. O senhor Linh foge de uma guerra que lhe roubou a família, que acabou com tudo, exceto com a sua neta, uma menina tranquila que adormece serenamente sempre que o avô lhe canta uma melodia que as mulheres da sua família transmitiram de geração em geração.
Instalado num centro de acolhimento para refugiados, o senhor Linh sobrevive apenas em função da neta, até ao momento em que conhece o senhor Bark, um homem robusto e afável cuja mulher morreu recentemente. Um afeto espontâneo nasce entre estes dois solitários que falam línguas distintas, mas que são capazes de se compreender entre silêncios e pequenos gestos.
Tudo o que se lê nesta sinopse foram, para mim, elementos fundamentais para levar-me a ler este livrinho de 91 páginas, um livrinho muito comovente, que me tocou profundamente, sobretudo pela ligação belíssima entre avô e neta (que saudades tenho dos meus “velhinhos”!), pela amizade entre dois homens sofridos e que se entendem sem palavras e pelo seu desenlace inesperado e que me levou a derramar muitas lágrimas!!


Leiam este livrinho! Não se arrependerão!

Noivas de Guerra, de Anthony Capella

Quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011




E como há duas sem três, Noivas de Guerra também se desenrola em clima de guerra (II Grande Guerra), desta vez em território italiano e mistura, debaixo de um cenário bélico, comida, o belo clima italiano e, como não podia deixar de ser, o romance J
O capitão James Gould chega a Nápoles com a missão de desencorajar os casamentos entre soldados britânicos e as suas belas namoradas italianas. Quando se torna demasiado bom no seu trabalho, as jovens locais conseguem que ele empregue Lívia, uma rapariga de uma aldeia do Vesúvio, como sua cozinheira, na esperança de que as suas qualidades fantásticas na cozinha – para já não falar na sua beleza – o distraiam. Sob a sua influência, James deixa de se preocupar com assuntos tão “pouco importantes” como as noivas de guerra, o mercado negro e a corrupção da máfia, pois o tempo passado na cozinha dá-lhe um novo sentido e uma nova visão, mais saborosa, da vida!


É um romance de fácil leitura, levezinho, que provavelmente não me ficará na memória por muito tempo, mas tenho que admitir que me mostrou mais uma perspetiva sobre a Grande Guerra – Itália, como os italianos foram afetados por este conflito e de que forma um casamento com um soldado aliado poderia ser a salvação de uma jovem e/ou de uma família.

Abril em Paris, de Michael Wallner

Terça-feira, 15 de fevereiro de 2011



As minhas leituras continuam a dar primazia a romances que centram a sua ação nas 2 Grandes Guerras e hoje terminei de ler Abril em Paris, que nos leva, tal como o título indica à capital francesa em plena 2ª Guerra Mundial. Aqui vai a sinopse:
"Em plena II Guerra Mundial, o culto e pacato Roth é um jovem soldado alemão colocado em Paris. O seu francês fluente e sem qualquer sotaque vai tirá-lo do gabinete onde calmamente trabalhava e levá-lo às SS, que necessitam do auxílio de um tradutor para os interrogatórios aos membros da Resistência.
Roth, (...) apesar de não concordar com o regime nazi, não questiona o seu trabalho e faz simplesmente o que lhe é pedido. Mas após o trabalho (...) sai sorrateiramente do seu hotel com uma mala onde transporta roupas civis, (...) substituindo o uniforme do inimigo por um traje anónimo que lhe permite deambular pelas ruas. Cada vez mais confiante no seu disfarce e no seu alter ego "Antoine", conhece Chantal, uma jovem membro da Resistência. Entre ambos nasce uma intensa paixão, mas nem um nem outro tem coragem para revelar a sua identidade..."


Fiquei cativada pela narrativa, mas confesso que o que li anteriormente (No coração da Guerra) é, sem dúvida, superior!

No coração da guerra, de Alice Ferney


Quarta-feira, 09 de fevereiro de 2011



"A Grande Guerra vista por dentro, depois da ordem de mobilização, a 2 de Agosto de 1914, até ao armistício, a 11 de Novembro de 1918. Entre estas duas datas, o percurso de Jules, camponês, atirado para o meio do conflito e, através dele, o quotidiano das trincheiras e o das mulheres que ficam para trás, na terra, à espera. Uma crónica da desolação, onde Alice Ferney revela os percursos secretos do amor e da inocência e mostra como se estabelecem novos e preciosos laços entre companheiros de armas, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre o homem e o animal."


AMEI este livro!!! É verdade que todos os romances que baseiem a sua narrativa em momentos marcantes da História, sobretudo os associados às duas Grandes Guerras, me fascinam, mas esta obra de Alice Ferney (autora que não conhecia) dá-nos uma abordagem muito pessoal, introspetiva e emocional do sofrimento de um homem, da sua mulher e do seu cão! É simplesmente FABULOSO!!!!!!!!!

O último ano em Angola, de Tiago Rebelo


Sábado, 29 de janeiro de 2011




"Em 1974, uma revolução em Lisboa apanha de surpresa centenas de milhares de portugueses que vivem em Angola. A partir desse dia inicia-se a derrocada imparável de uma sociedade inteira que, tal como um navio a afundar-se, está condenada à destruição e à ruína. Em escassos meses, trezentos mil portugueses são obrigados a largar tudo e a fugir, embarcando numa ponte aérea e marítima que marca o maior êxodo da história deste povo. Para trás ficam as suas casas, os carros e até os animais de estimação. Empresas, fábricas, comércio e fazendas são abandonados enquanto Luanda, a capital da joia da coroa do império português, é abalada por uma guerra civil que alastra ao resto do território angolano. Três movimentos de libertação, cujos exércitos estavam derrotados a 25 de Abril de 1974, estão novamente ativos e combatem entre eles pelo poder deixado vazio pelas Forças Armadas portuguesas. É neste cenário de total desorientação social e de insegurança generalizada que Nuno, um aventureiro que há anos atravessa os céus do sertão angolano no seu avião, Regina e o filho de ambos se movem, numa extraordinária luta para sobreviverem à violência diária, às perseguições políticas, às intrigas e traições que fazem de Luanda uma cidade desesperada. Esta é a história de coragem e abnegação de um casal surpreendido, tal como milhares de outros, num processo de degradação que se deve à recusa do Exército em defender os seus próprios compatriotas a favor de um movimento até há pouco inimigo, ao desinteresse dos políticos, à total incapacidade do governo de Lisboa para impor os termos de um acordo assinado no Alvor e constantemente violado em Angola e à intervenção militar das duas potências mundiais envolvidas numa guerra fria que é combatida por intermédio dos exércitos regionais."

Tiago Rebelo volta a oferecer-nos uma história empolgante, de leitura fácil e que, a mim, para além do gosto que me deu lê-la, me ajudou a perceber muito melhor o processo de descolonização angolana.

O som e a fúria, de William Faulkner


Quinta-feira, 13 de janeiro de 2011




Segundo a crítica, O Som e a Fúria é a obra-prima de Faulkner e um dos romances do século XX, mas não posso dizer que me tenha gostado lê-lo. Pelo contrário, foi uma leitura MUITO custosa, penosa até, porque o desenrolar da sua ação é confuso, as personagens (sobretudo nos primeiros capítulos) surgem sem haver uma contextualização, há constantes saltos temporais, ou seja, a narrativa em si desmoraliza-nos por tudo o que foi mencionado antes...
Bom, resta-me pensar que talvez futuramente o possa apreciar numa releitura... Mas vai ser precisa muita coragem para pegar neste romance outra vez!...

La Isla bajo el mar (A Ilha debaixo do mar), de Isabel Allende


Domingo, 02 de janeiro de 2011



Terminei hoje o livro da "minha" chilena favorita que já me acompanhava desde o dia 08 de dezembro! E como me soube BEM voltar a ler uma belíssima história "à Allende"!! Y lo he hecho en español!!!
Transcrevo aqui a sinopse que podemos encontrar na contracapa, pois a mesma dá-nos um ótimo resumo de toda a história e abre-nos o apetite para uma leitura que promete, logo à partida, ser absorvente e que realmente não defrauda as expetativas:
"Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um fazendeiro rico, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento nos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde... e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela."
Para finalizar, só posso dizer que, como sempre, foi um prazer imenso voltar a entrar num livro de Isabel Allende! ¡Lo recomiendo, de verdad!

Um raio de sol na água fria, de Françoise Sagan


Terça-feira, 01 de julho de 2014




Por força das circunstâncias (quem me conhece sabe do que falo - o livro que se seguia cronologicamente ao último lido não estava "disponível" - não é, Nuninho?), "vi-me obrigada" a recorrer ao meu baú das velharias/relíquias literárias" e escolhi este romance...
Não conhecia nada desta autora francesa e, como tal, havia alguma curiosidade quando comecei a ler as primeiras páginas, as quais me levaram logo a entender qual seria a sua história - a angústia de um homem de 35 anos que sofre a sua primeira depressão. Gilles, o protagonista, receia que a vida que até ao momento conhecera - de festas, de bebedeiras, de paixões passageiras, de alegre irresponsabilidade - já não merece a pena, porque tudo lhe cansa e lhe parece repetitivo...
Decide refugiar-se em casa da irmã, numa terreola da província francesa e é lá que tudo se modifica quando conhece Nathalie, uma mulher inteligente, fogosa e que o desconcerta no bom sentido. Apaixonam-se e esse amor arrebatador leva Nathalie a largar o seu marido e a ir viver com Gilles para Paris.
Contudo, toda esta felicidade se desmorona com o passar do tempo, sobretudo porque Gilles começa a sentir-se "preso" pela rotina de casal estabelecido, o que o leva a voltar aos velhos hábitos...
Não posso afirmar que tenha sido uma leitura que me tenha arrebatado e me tenha enchido as medidas... Foi uma obra de leitura agradável, mas... venha o próximo!

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak


Segunda-feira, 07 de julho de 2014


À partida, A rapariga que roubava livros oferecia todos os ingrediente para prender a minha atenção - o título (como é que uma livrólica como eu poderia resistir-lhe?...); a ação passada na 2a Guerra Mundial; o alusão ao campo de concentração de Dachau (o único que já visitei até hoje e que me tocou de uma forma penosamente triste); o narrador, ou melhor, a narradora - morte (que me levou a recordar, uma vez mais, o meu Saramago e as suas Intermitências da Morte)  e o amor aos livros, sim, o amor aos livros que faz com que a minha vida tenha um sabor tão mais docinho :)
E as expetativas que esses ingredientes criaram foram amplamente suplantadas - Markus Zuzak escreveu uma obra que nos toca! Toca-nos com as personagens e os laços que as prendem, toca-nos com os pormenores que são narrados e desenhados com uma extrema delicadeza e toca-nos com as palavras, com o poder das palavras, que está na base de tudo, já que as palavras, as "adoráveis sacanas" palavras tudo podem, tudo geram, vida e ações que nos fazem felizes, que nos acalmam, nos acarinham, mas que também podem destruir, matar, aniquilar tudo o que conhecemos até então.
A rapariga que roubava livros conta-nos a história de Liesel, que, desde 1939 até ao final da Guerra, vive com os seus pais adotivos no nº 33 da rua Himmel (que significa "céu"), na parte pobre da cidade Munique. É aí que desenvolve uma amizade (como só podem ser as amizades entre adolescentes) com Rudy, um vizinho que idolatra o atleta negro Jesse Owerns, que aprende a amar Hans e Rosa, os seus "novos" pais e que conhece um jovem judeu, Max, que aparece nas suas vidas devido a uma promessa antiga de Hans, feita à família de Max, logo após a 1a Grande Guerra. Entre Max e Liesel nascerá uma linda e eterna amizade que alimentará ainda mais o amor da pequena ladra de livros pela leitura e, mais tarde, pela escrita.
A guerra nunca deixa de estar presente na história e será ela que nos conduzirá ao seu final que poderemos considerar inevitavelmente trágico e que me marcou muito... Chorei convulsivamente ao ler as últimas páginas, não só porque, mais uma vez, não consigo conceber como é que os humanos foram capazes de TAMANHA BARBARIDADE, mas também porque as emoções que essas páginas despoletam são demasiado fortes... o poder das palavras é mesmo extraordinário - são, tal como nos diz Liesel "adoráveis sacanas", fazem-nos felizes, saciam-nos e levam o nosso imaginário a todo o lado!...
Enfim, só posso dizer que valeu a pena ler este livro! :) :)