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Balanço mensal | livros lidos em Janeiro 2019 pelos leitores cá de casa


Em Janeiro, os 3 leitores cá de casa leram 14 livros no total. Participámos em 2 projectos (#HOL74 e #lusiteratura). Eu fiz 3 deliciosas leituras em conjunto! E mais não digo - espreitem o vídeo! Deixo-vos, como é habitual, os links para as opiniões dos livros lidos:
          - Antes de nos encontrarmos, de Maggie O' Farrell

- Os da minha rua, de Ondjaki

- Então, boa noite, de Mário Zambujal
- As mulheres no castelo, de Jessica Shattuck
- A História do Amor, de Nicole Krauss
- Escritos secretos, de Sebastian Barry

          E vocês, o que é que leram? Participaram em algum projecto? Contem-me tudo!



A história do amor, de Nicole Krauss



Ficha técnica
TítuloA história do amor
Autora – Nicole Krauss
Editora – Publicações Dom Quixote
Páginas – 316
Datas de leitura – de 16 a 19 de janeiro de 2019

Opinião
         Há muito tempo que tinha este livro anotado no caderninho das leituras que quero trazer da biblioteca da terrinha, mas não me recordo de onde retirei a sugestão. Acho que foi de opiniões de amigos do Goodreads em quem confio muito.
         Entrei para a leitura quase às cegas, como aliás prefiro, mas fiquei extremamente contente quando me dei conta, numa das nossas habituais conversas escritas, que, sem combinarmos nadinha, eu e a Paula estávamos a ler (ela a ouvir em audiobook) a mesma obra. Aproveitamos muito bem os minutinhos em que nos dirigimos ao e-mail para partilharmos ideias, opiniões e inclusive dúvidas sobre momentos relativos ao desenlace. Foi, mais uma vez, uma experiência muito proveitosa e que a mim sempre me deixa com um sorriso nos lábios e como que saciada.
         Desengane-se quem pressupõe que esta obra nos oferece uma narrativa lamechas ou, usando uma expressão da Paula, delicodoce. O título pode ser visto como enganador, já que parte dum outro título, duma outra narrativa que une e entretece todas as histórias que compõem a trama. Porque de verdade é disto que se trata – uma trama que “vive” de várias, que as vai entrelaçando, exigindo do leitor bastante atenção e perícia para encaixar as peças narrativas de um puzzle que só fica terminado e claro (de uma claridade ainda assim algo dúbia) nas páginas e linhas finais.
         Leo Gursky é um velhote solitário, habitante de uma grande cidade americana. É judeu, escapou à morte aquando da Segunda Grande Guerra e traz dentro de si muitas vidas e muitas mortes, muita dor, resignação e uma invisibilidade que nos toca profundamente. Alma é uma miúda de 12 anos que também vive nos EUA com a sua mãe e o seu irmão. Perdeu o pai aos 6 anos e essa perda fraturou de forma irreversível a sua vida e a sua família. Zvi Litvinoff é um escritor algo obscuro, da Europa de Leste e foi amigo, durante a juventude, de Leo Gursky. Por fim, o quarto e último narrador da obra é o irmão de Alma, uma criança cuja excentricidade não traz nem acrescenta nada a uma história que se tornaria mais perfeita se, por vezes, não caísse na redundância ou em momentos um pouco monótonos, como esses que estão associados a Bird, irmão de Alma, e o seu fervor religioso.
         Foi a primeira vez que li Nicole Krauss e gostei imenso, muito mesmo, da experiência. O seu estilo é lindíssimo, lírico, introspetivo, com passagens que me deixaram com uma vontade louca de as sublinhar (só não o fiz porque o livro veio da biblioteca) e com duas das personagens mais enternecedoras e comoventes com que lidei nos últimos tempos, não fossem elas um velhote (Leo) e uma criança (Alma). Leo é, sem qualquer tipo de dúvida, alguém de quem me condoí como poucas vezes o fiz com uma pessoa ficcionada. O amor que, mesmo já velho, ainda devota à mulher da sua vida, a sua inocência e credulidade, a sua invisibilidade voluntária perante alguém que é sangue do seu sangue e os gestos carregadinhos de ternura que tem para com outra personagem nas derradeiras páginas da obra, tudo isto compõe alguém que eu não esqueço, nem quero esquecer. De Alma recordarei os esforços hercúleos de uma menina adolescente que carrega nos ombros a tristeza de uma família órfã de pai e de marido. Às outras personagens dei e continuo a dar um espaço bem mais secundário, mas uma delas manter-se-á comigo como sendo aquela que me reservou a surpresa “mais surpreendente” do final do livro.
         Acho que não vale a pena alongar-me mais, pois o resto deixo para quem queira dar uma oportunidade a esta história maravilhosa, que nos oferece as mais variadas facetas do amor. Peço-vos, por favor, que tomem nota desta minha recomendação e que não se esqueçam dela, porque não se arrependerão – o estilo da autora, com passagens inesquecíveis, não o permitirá.
         Obrigada, Paulinha, por mais uma viagem em conjunto! Venha a próxima!

         NOTA – 09/10

         Sinopse
         Leo Gursky tenta sobreviver mais algum tempo, batendo no radiador todas as noites para dar a saber ao seu vizinho de cima que ainda está vivo e fazendo recair sobre si as atenções ao balcão do Starbucks do bairro. Mas a vida nem sempre foi assim: há sessenta anos, na aldeia polaca onde nasceu, Leo apaixonou-se e escreveu um livro. E, embora não o saiba, esse livro também sobreviveu: atravessou oceanos e gerações, e mudou vidas. Alma tem catorze anos e foi assim baptizada em honra de uma personagem desse livro. Passa a vida a vigiar Bird, o seu irmão mais novo (que acredita poder ser o Messias) e a tomar notas num caderno intitulado Como Sobreviver na Selva – Volume III. Mas no dia em que uma misteriosa carta lhe chega pelo correio começa uma aventura para descobrir a sua homónima e salvar a família. Neste seu extraordinário novo romance, Nicole Krauss criou algumas das personagens mais memoráveis e tocantes da ficção recente numa história transbordante de imaginação, humor e paixão.