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Balanço | Maratona Literária - Bookbingo Leituras ao Sol 2


Olá!

Deixo-vos o balanço da maratona literária - Bookbingo Leituras ao sol 2. Como podem ver pela imagem do vídeo, eu fiz BINGO! Adorei a experiência e quero muito repeti-la!
E vocês? Participaram nesta maratona ou participaram noutra? Partilhem comigo não só isso como também se gostaram deste vídeo/balanço, se já leram alguma das obras que me permitiram completar o cartão ou se ficaram com vontade de ler alguma! Deixem um comentário aqui ou nos "youtubes", onde quiserem, mas façam-no!
Beijinhos e leituras muito saborosas!




Meridiano 28, de Joel Neto



Ficha técnica
TítuloMeridiano 28
Autor – Joel Neto
Editora – Cultura Editora
Páginas – 420
Datas de leitura – de 03 a 10 de setembro de 2018

Opinião
Apaixonei-me por Joel Neto quando li Arquipélago. Foi uma leitura sublime, onde tudo está magistralmente orquestrado e que continuo a recomendar muitíssimo. A Arquipélago seguiu-se-lhe A vida no campo, num registo distinto, de não-ficção e que me fez aumentar ainda mais a vontade, já de si tremenda, de conhecer a ilha Terceira e de continuar a ler Joel Neto.
Quase dois anos depois dessas duas leituras, voltei a ter Joel Neto nas minhas mãos. Fui seguindo as pistas e indicações que o autor foi deixando nas redes sociais e na imprensa sobre a publicação de Meridiano 28 e nem imaginam o meu contentamento e euforia quando, por fim, em maio deste ano, comprei a obra (autografada e tudo) e a coloquei na minha estante. Aqueles que estão a par da minha mania das leituras cronológicas devem estar agora mesmo a questionar-se sobre como foi possível eu ter lido em setembro uma obra que apenas havia comprado 3 meses antes. A culpa é de uma das categorias da maratona Bookbingo, que “me obrigou” a retirar da estante um livro que tivesse um número no título. Meridiano 28 era a mais antiga que morava cá em casa e que encaixava nessa categoria, por isso não tive outro remédio que não lê-la antes da sua vez ;)
Meridiano 28 é o meridiano que atravessa o arquipélago dos Açores. Contudo, em termos literários é isso e muito, muito mais. Centra-se, como é óbvio, nesses torrõezinhos de terra que pertencem ao nosso país, sobretudo na ilha do Faial e faz-nos viajar a uma época que, como sabem, me fascina desde sempre – a Segunda Grande Guerra. Contudo, estaria a ser injusta se apenas dissesse isso sobre esta obra que, confesso já, me arrebatou.
A narrativa arranca em 2107. José Filemom Abke Marques (que nome maravilhosamente sui generis) enterrou o seu tio há poucos dias e recebe uma estranha visita na sua loja de informática. Não é a primeira vez que se encontra com aquele velhote que parece ser gémeo do ator Morgan Freeman, mas tudo faz para não dar a entender que o reconheceu. Tão-pouco se deixa tentar (pelo menos naquele dia) pela caixa que o misterioso homem lhe entrega e que, segundo ele, contém material relevante para que José termine o que prometeu fazer há mais de vinte anos, na biblioteca de uma luxuosa mansão dos arredores de Nova Iorque.
Este é o preâmbulo para uma trama que se molda com uma brilhante mistura de mistério, suspense, momentos históricos, viagens entre vários pontos do mundo, um equilíbrio perfeito entre presente e passado, dois homens protagonistas e provenientes da mesma família, deliciosas personagens secundárias e os Açores, esse arquipélago místico, mágico e que me atrai cada vez mais e mais.
Desengane-se quem pega em Meridiano 28 e espera encontrar nas suas 420 páginas uma narrativa de ritmo vertiginoso típica de um thriller ou romance de ação. Desengane-se igualmente quem crê, perante a lista gigantesca de personagens presente nas primeiras páginas, que se vai baralhar e perder-se no meio de tanta gente. Por fim, desengane-se quem acha que vai encontrar apenas uma narrativa de mistério ou apenas uma narrativa histórica. Meridiano 28 é uma amálgama brilhantemente urdida pelo autor e não defraudará nenhum leitor que busca o imprevisível, que procura narrativas que vão deixando cair, pouco a pouco, o pano e que são habitadas por personagens redondas, imperfeitas, algo banais, mas que nos agarram e se mantêm connosco durante muito tempo.
Para além de tudo isto que já referi, a obra agradou-me e conquistou-me pelo seu lado histórico e geográfico. Tenho, como já mencionei vezes se conta, um fascínio enorme pela Segunda Grande Guerra, mas até ter lido Meridiano 28, não tinha a mais pálida ideia de como este conflito tinha chegado às ilhas açorianos e de que forma tinha marcado as suas terras e os seus habitantes. Foi, assim, maravilhoso descobrir que na pequena ilha do Faial ingleses e alemães conviveram em paz durante os primeiros três anos da Guerra e que na Horta estavam instaladas importantes bases de uma das mais importantes redes de comunicação da época – a da telegrafia. Para além disso, através das deambulações dos dois protagonistas da obra – o já referido José Filemom e o seu tio, Hansi – pude conhecer a baía, ruas e outros locais da cidade da Horta e pude percorrer espaços da ilha como o Porto Pim, o Capelo e apreciar a beleza estonteante de um torrãozinho plantado em pleno Atlântico, sempre de olhos postos no Pico e na sua majestosidade. Por fim, pude experimentar o lado vulcânico da ilha, os seus tremores de terra e as suas erupções de grandes proporções.
Não quero terminar esta opinião (que já está gigante) sem abordar aquilo que acho ser o ponto fulcral de uma boa narrativa. Falo das suas personagens e nesta, na de Meridiano 28, as personagens, todas elas, estão muito bem construídas e é impossível ficar indiferente a José Filemom, à sua orfandade de emoções, à sua demanda de saber quem foi na verdade o seu tio Hansi (e saber igualmente quem é ele próprio) e ao desfecho que lhe reserva o autor. Aliás, o epílogo da obra é brutal e quando digo brutal não significa que nos deixe estarrecidos. É brutal, porque traz respostas, traz apaziguamento e fecha muitas portas que precisavam de ser fechadas. Gostei muito da personagem do José, comunguei da sua satisfação quando deu aquelas bofetadas (de luva branca) nas derradeiras páginas da obra, gostei imenso da Alice, do Fernando/Carlos Ponta-Garça e nutri um carinho que foi gradualmente crescendo por Hansi, pelo jovem e não menos jovem Hansi.
Termino (agora sim) dizendo que valeu a pena esperar dois anos por esta nova obra de Joel Neto. Está madura, consistente e muito bem conseguida. Recomendo-a vivamente, tal como o faço para as outras obras que já li do autor!

Esta foi a décima quinta leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro com um número no título.

NOTA – 9,5/10 (apenas porque continuo a gostar um bocadinho mais de Arquipélago)

Sinopse
Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da história da humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.
Do mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan American faziam desembarcar estrelas do cinema e da música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se ao ténis e ao croquet. Dançava-se o jazz. Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.
Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler? Quem foi Hansi Abke? Que sombra lança hoje sobre o destino de José Filemom Marques, o sobrinho criado no Brasil?
Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado. Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo em que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

A maior flor do mundo, de José Saramago



Ficha técnica
TítuloA maior flor do mundo
Autor – José Saramago
Editora – Editorial Caminho
Páginas – 36
Data de leitura – 02 de setembro de 2018

Opinião
Vou fazer-vos uma confissão. Uma confissão escabrosa de quem se diz “a maior fã de Saramago” – mais de vinte anos depois de ter lido A Jangada de Pedra, peguei pela primeira vez e finalmente li de fio a pavio A maior flor do mundo. Digam lá – não é um pecado horrendo tê-lo feito apenas agora?! Que raio de fã sou eu??
Contudo, na última visita à biblioteca da terrinha, ia determinada a redimir-me desse pecado terrível e trouxe a edição com capa dura e com belíssimas ilustrações da Editorial Caminho. Li-a em poucos minutos e bastou esse punhado de minutos para embrenhar-me de novo no mundo do meu Saramaguinho e sentir-me em casa.
Quem olha para uma fotografia ou imagem de José Saramago dificilmente o imagina como contador e criador de histórias infantis. As suas feições austeras e algo carrancudas impedem que os leitores (e não só) o vejam como tal. Eu incluo-me (ou incluía-me) nesse rol de gente e constatei que o próprio também, já que a curta narrativa de A maior flor do mundo arranca com o autor a confessar que se não se sente capacitado para montar uma história infantil, simples, com poucas e descomplicadas palavras. Foi, como podem compreender, desconcertante e ternurento ser testemunha da sinceridade deste monstro das letras mundiais, que admite, sem nenhum pejo, essa falha e, chega, inclusive, a pedir ajuda aos leitores mais pequenos, àqueles que venham a ler a história desta flor, que a moldem aos seus gostos, que a desenvolvam e encerrem como mais lhes aprouver.
A história é, como não poderia deixar de ser, muito curtinha e deliciosa. Toca-nos, como devem tocar todas as histórias infantis, vai direitinha ao coração e está maravilhosamente ilustrada nesta edição, com imagens alusivas à narrativa e ao próprio autor, que nos aparece sentado a uma secretária, com feições mais suaves e sorridentes, a tentar moldar o melhor possível uma história bonita e simples. Entrei em estado de completo derretimento nos poucos minutos em que estive com a obra na mão, não só pelo que já referi, pela viagem de uma menino que termina aos pés de uma flor murchinha, pela humildade de Saramago ao confessar a sua incapacidade em criar histórias infantis, como também pelo quanto ainda me apertam as saudades que tenho deste homem que teve um papel imprescindível no meu percurso enquanto leitora.

     

Por tudo isto, não vos será difícil de adivinhar o quanto esta leitura foi especial, memorável e agridoce. Pude conhecer uma nova faceta do meu Saramago, pude matar as saudades que tenho das suas letras e voltei a sentir-me “amputada”, revoltadíssima, porque nem os génios escapam às leis da mortalidade.
Reparei o meu erro, redimi-me e adorei fazê-lo!

NOTA – 10/10

Sinopse
«E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? 
Uma magnífica obra do escritor José Saramago, com bonitas ilustrações de João Caetano.»
Prémio Nacional de Ilustração – 2001
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, 4.º ano de escolaridade - Leitura autónoma e leitura com apoio dos professores ou dos pais.

Avozinha Gângster, de David Walliams



Ficha técnica
TítuloAvozinha Gângster
Autor – David Walliams
Editora – Porto Editora
Páginas – 256
Datas de leitura – 01 a 02 de setembro de 2018

Opinião
Na última semana de agosto fui devolver livros à biblioteca da terrinha e é mais do que óbvio que não vim de lá de mãos vazias. Fui acompanhada pelos meus dois homens e no saco “de compras” trouxemos três livros.
Tinha reservado com antecedência esta obra de David Walliams que sabia que encaixaria que nem uma luva na categoria “Livro Silly” da maratona em que estou a participar. No final do ano passado uma colega de trabalho emprestou-me Sr. Pivete e, como podem comprovar aqui, fiquei rendida ao estilo do autor (simultaneamente hilariante e ternurento), à personagem do Sr. Pivete (que nunca mais me irá abandonar) e aos subterfúgios, às mensagens e chamadas de atenção que povoam (de forma indireta, claro) a narrativa e que são uma alfinetada aos comportamentos familiares dos dias de hoje.
Em Avozinha Gângster, os protagonistas são, tal como em Sr. Pivete, uma criança e um sénior. Ben (ou Benny) todas as sextas-feiras é arrastado pelos seus pais para casa da avó, porque esse é o dia dedicado ao casal, é nesse dia que pai e mãe disfrutam de um tempo a sós a ver O Dança com as estrelas na televisão ou ao vivo. Para Ben, não há maior tortura do que estar em casa da avó, ser obrigado a engolir a sua sopa de couve, o seu puré de couve, o seu pudim de couve, jogar todas as noites Scrabble e ter suportar o cheiro dos pums que a avó vai disparando sempre que se movimenta e que parecem o “quá, quá” de um pato. Contudo, nem tudo é o que parece e debaixo daquele ar de avozinha com cabelos brancos, dentadura, que veste sempre o mesmo casaquinho de malha, em cujas mangas guarda os lenços de papel que vai usando, esconde-se alguém que é mundialmente famosa por roubar joias!!!
Como devem calcular, voltei às gargalhadas que havia dado com a primeira obra que li de David Walliams. É impossível não rir com a caracterização da avó, é impossível não rir com os apartes hilariantes que vão aparecendo ao longo da narrativa. Contudo, tal como me havia acontecido com Sr. Pivete, também voltei às lágrimas (como não haveria eu de chorar com uma história que envolva velhotes e, ainda por cima, velhotes e netos?...) e a anotar mentalmente a forma habilidosa e inteligente como o autor aborda numa trama juvenil, repleta de ação e muito divertida, temáticas preocupantes da sociedade atual – filhos a quem os pais pouca atenção dedicam, filhos a quem os pais querem impingir os seus próprios sonhos e aspirações e adultos que pouco ou nenhum valor dão aos seniores, aos seus seniores.
Por tudo isto, digo aquilo que já havia dito aquando da leitura de Sr. Pivete. Foi uma experiência deliciosa e que quero, sem dúvida, repetir. Pretendo trazer da biblioteca as outras obras de David Walliams que lá moram e divertir-me com elas tanto como me diverti com as duas que já li dele. Concluo, acrescentando apenas que, se comparar Sr. Pivete, com esta avozinha, tenho que dizer que, das duas obras, a primeira continua a ser a minha preferida, somente por uma razão que tem a ver com uma parte importante da ação de Avozinha Gângster e que, para os meus 43 anos, é pouco credível. No entanto, creio que para os mais novos essa parte será uma das mais interessantes e não lhes “estragará” o prazer de conhecer esta avozinha e o seu “Benny”.
É óbvio que, para finalizar, tenho que recomendar (e muito) esta leitura a miúdos e a graúdos! Leiam-na e leiam as outras obras do autor! Não se arrependerão!

NOTA – 09/10

Esta foi a décima terceira leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi, como já disse, para a categoria Livro silly.

PS – Que próxima obra de David Walliams me recomendam?

Sinopse
O nosso herói, Ben, adormece só de pensar que tem de ficar em casa da avó. Que seca! É a avozinha mais aborrecida de sempre: só pensa em jogar jogos de tabuleiro e comer sopa de couve. Mas há dois segredos que Ben desconhece:
§  A sua avozinha é uma famosa ladra de joias.
§  E toda a vida sonhou roubar as Joias da Coroa inglesa, e agora precisa da ajuda de Ben…
Uma história sobre preconceitos e aceitação, cheia de piadas engraçadas e palavras tolas, ao estilo bem-humorado do comediante David Walliams, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

Amores secretos, de Kate Morton



Ficha técnica
TítuloAmores secretos
Autora – Kate Morton
Editora – Suma de Letras
Páginas – 564
Datas de leitura – 20 a 31 de agosto de 2018

Opinião
Quinto livro que leio de Kate Morton e quinto livro a que dou a classificação máxima. Terminei-o no último dia de agosto, enquanto fazia uma curtinha viagem de carro (o maridinho conduzia enquanto eu devorava as derradeiras páginas da obra), junto à costa. Terminei-o lavada em lágrimas (não há maneira de a fonte secar…) e, mal o fechei, acariciei a capa, coloquei-o encostadinho ao meu peito e senti aquilo que sempre sinto quando me despeço de uma leitura que me absorve por completo – uma sensação de perda e de vazio que ainda se mantém comigo e que obviamente “manchará” as leituras que se lhe seguirem…
Adoro tudo o que Kate Morton escreve e dói-me saber que, neste momento, não tenho na estante nenhuma obra sua por ler. Sinto-me órfã das tramas que ela tão habilmente urde, da personalidade cativante e vincada das suas protagonistas – mulheres determinadas, que lutam pelo seu mundo, pela sua família, pelos seus ideais – e do cheirinho de mistério e suspense que perpassa por todas as suas narrativas. Tomei conhecimento através de ti, Paula, que o lançamento da sua sexta obra será ainda este mês e rezo a todos os deuses do mundo das editoras e publicações que não demore muito a chegar a Portugal a correspondente tradução de The Clockmaker’s Daughter, porque temo que não aguentarei muito tempo sem ler Kate Morton!...
Bom, virando agora a atenção para Amores Secretos, o que me apraz dizer em primeiro lugar é que a receita continuou a ser a mesma e que resultou na perfeição tal como havia resultado nos outros quatro livros que li da autora – apresenta-nos uma narrativa que intercala o presente com o passado, protagonistas femininas de pelo na venta, espaços rurais e urbanos de Inglaterra e um segredo familiar que está por descobrir e desvendar. Num dia de verão do início da década de 60 comemora-se o aniversário de um dos filhos da família Nicolson com um piquenique junto ao riacho que corre perto da casa onde vivem. Laurel, a primogénita, preguiça na casa da árvore quando se apercebe de que a sua mãe deu uma saltada a casa para ir buscar a faca que sempre utiliza para cortar o bolo de aniversário. Traz ao colo Gerry, o caçulinha da família, e não se apercebe da chegada de um desconhecido a não ser quando este se detém à sua frente e lhe dirige a palavra. Do alto da árvore, Laurel entra em choque ao assistir à reação da mãe – levanta a faca que trazia na mão, espeta-a no torso do desconhecido e mata-o.
Este é o ponto de partida, repleto de mistério e frenesim, para uma história que saltita entre 2011 e 1941, entre ambientes rurais e uma Londres destroçada pelos contínuos bombardeamentos alemães e entre três mulheres inesquecíveis – Laurel e sobretudo Dorothy e Vivien. Vamos conhecendo cada uma delas, o que as liga e vamos salivando e sofrendo em busca de respostas para aquele final trágico de uma tarde que assombrou as vidas de Laurel e da sua mãe, Dorothy. O final é ribombante, dorido, agridoce, perfeito (pelo menos para mim) e deixou-me como me deixaram todos os finais das outras obras – satisfeita, saciada, mas aparvalhada, perdida, desamparada e órfã.
Não sei mais que vos diga… Foi uma leitura sublime, como já adivinhava que iria ser, mesmo que algures tenha tido vontade de torcer o pescocito de uma determinada personagem… Mas até isso demonstra a habilidade desta autora que me conquistou de forma irremediável!
Sei que já pedi isto muitas vezes, pelo menos em todas as opiniões que escrevi sobre as obras de Kate Morton, mas não me irei cansar de o pedir até que consiga o que pretendo – que aqueles que se mordem por uma BOA história leiam esta fantástica autora australiana e se deliciem com ela tanto como eu! Façam-no, por favor!

NOTA – 10/10 (obviously)

Esta foi a décima segunda leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro que compraste pela capa.

Sinopse
Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer.
Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido.
O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres — Dorothy, Vivien e Jimmy — e cujos destinos ficaram para sempre ligados.
Uma fascinante história de segredos e mistérios, de um crime obscuro e de um amor eterno. Mais um livro inesquecível de uma das autoras de maior sucesso dos nossos tempos.

Arrugas, de Paco Roca



Ficha técnica
TítuloArrugas (Rugas em português)
Autor – Paco Roca
Editora – Astiberri Ediciones
Páginas – 104
Datas de leitura – 18 a 19 de agosto de 2018

Opinião
Quem me conhece há mais tempo (há bem mais tempo) sabe que sempre fui uma rapariga mais de letras do que de imagens, ou seja, nos meus anos de criancinha e de teenager, enquanto os meus colegas e amigos deitavam mais rapidamente a mão a um livrinho de banda desenhada, moi même torcia o nariz a essas escolhas e aproximava-me das obras onde reinava muito mais a palavra que o desenho. Por isso, é compreensível, clarinho como a água, que tenha chegado aos meus queridos 43 aninhos sem nunca ter lido uma graphic novel.
Quem me segue aqui há mais tempo também está a par das minhas movimentações na blogosfera (e agora nos mundos dos youtubes) e já se deve ter dado conta de que tenho um carinho muito especial pelo Jardim de mil histórias, da blogger e youtuber Isaura Pereira. Foi lá, no seu cantinho ajardinado, que descobri o amor que a Isa sente pelo espanhol Paco Roca e pelas suas graphic novels, especialmente as que já moram na minha estante – Rugas/Arrugas e A casa. Ora, não estava nos meus planos de leituras cronológicas ler nenhuma das duas nos próximos tempos, mas férias fora de casa e uma leitura abandonada não me deram outra alternativa que não tivesse sido a de agarrar numa das últimas aquisições (que havia feito nessas férias fora de casa) e colmatar o pesadelo em que me havia metido – não ter mais nada para ler, exceto uma dessas três aquisições. Decidi de imediato que leria o Arrugas (na sua versão original, em espanhol) e assim preencheria a categoria do Bookbingo deixada para trás com a leitura anteriormente abandonada ao mesmo tempo que satisfazia a curiosidade que me acompanhava desde que fiquei contagiada pela opinião da Isa.
Arrugas é uma graphic novel muito curtinha e lê-se em menos de uma hora. Porém, como era a minha estreia neste género, quis prolongá-la, quis desfrutá-la, quis prestar tanta atenção às falas, ao texto, como às imagens, aos desenhos. E esse refreio foi muito compensador, pois permitiu-me entrar neste mundo que combina e equilibra a imagem com a palavra de forma mais intensa, mais completa.
 Emilio sofre de Alzheimer, mas ainda não tem consciência disso. As suas confusões, os seus esquecimentos estão a tornar-se insuportáveis para o seu filho e este resolve “interná-lo” num lar de terceira idade. Será neste local (que nos é pintado como um lugar onde se despejam os entes queridos seniores, a quem se visita quando o peso na consciência o determina, como na época do Natal) que conheceremos outros velhotes que aí estão por diversas razões, como a doce e divertida Antónia, sempre com a resposta na ponta da língua, Modesto e Dolores, um casal que me enterneceu até à alma e me fez acreditar ainda mais num amor ilimitado, e Miguel, um velhote safado, chico-esperto, mas que me conquistou irremediavelmente à medida que crescia e se estreitava a amizade que o uniu desde o início a Emilio.
Quando concluí a leitura (com os olhos marejados de lágrimas) pensei na Isa e agradeci-lhe do fundo do coração o ter-me feito descobrir esta pequena obra, que, com “meia dúzia” de falas e uns rabiscos (maravilhosos, assertivos), me absorveu e mexeu com todas as fibrinhas do meu corpo como normalmente o faz uma obra com páginas e páginas cobertas de letras. Sou muito sensível a tudo que aborde a designada terceira idade, tenho umas saudades que ainda doem como o caraças dos meus avós maternos e admito que entro em qualquer leitura que trate do tema “idosos” com o coração apertadinho, mas nem todas me tocam com a mesma intensidade. O Arrugas entrou e ficou. Ficou de uma forma muito especial – dorida, sofredora e doce – porque as suas temáticas assim o determinam – a doença de que tenho mais medo, a questão dos lares de terceira idade como local de despejo e abandono, a orfandade dos velhotes, tudo isto abraçado a sentimentos de puro amor e pura amizade. Que mais poderia querer eu de uma leitura?
A minha estreia no mundo das graphic novels foi, como podem constatar, a melhor que poderia ter tido. Resta-me agradecer de novo à Isa e recomendar-vos, pedir-vos encarecidamente que leiam e conheçam esta obra para que ela chegue ao coração do maior número de leitores possível. Infelizmente, a versão portuguesa está esgotada, mas tentem encontrá-la nas bibliotecas da vossa zona, em alfarrabistas ou então comprem a versão original – não é preciso um domínio muito grande do espanhol para lê-la. LEIAM-NA!

NOTA – 10/10

Esta foi a décima primeira leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro com apenas uma palavra no título.

Sinopse
Emilio, un antiguo ejecutivo bancario, es internado en una residencia de ancianos por su familia tras sufrir una nueva crisis de Alzheimer. Allí, aprende a convivir con sus nuevos compañeros –cada uno con un cuadro “clínico” y un carácter bien distintos – y los cuidadores que les atienden. Emilio se adentra en una rutina diaria de cadencia morosa con horarios prefijados –la toma de los medicamentos, la siesta, las comidas, la gimnasia, la vuelta a la cama…– y en su pulso con la enfermedad para intentar mantener la memoria y evitar ser trasladado a la última planta, la de los impedidos, cuenta con la ayuda de Miguel, su compañero de habitación…

Debaixo de algum céu, de Nuno Camarneiro



Ficha técnica
TítuloDebaixo de algum céu
Autor – Nuno Camarneiro
Editora – Leya
Páginas – 200
Datas de leitura – 16 a 18 de agosto de 2018

Opinião
Passou uma semana desde que terminei esta obra e aconteceu aquilo que eu temia – já não mora em mim nada ou quase nada da sua leitura.
Debaixo de algum céu, galardoado com o prémio Leya de 2012, tem uma premissa que me cativou e me fez querer entrar nela o mais rápido possível (lá estou eu a contrariar-me… manias de leituras cronológicas e querer ler uma obra o mais depressa que pudesse… enfim…). A correspondente sinopse informa o leitor de que a ação se desenrolará durante uma semana, que nesse período de tempo iremos entrar num prédio encostado à praia e nos apartamentos que o compõem e que uma tempestade, que deixa o prédio sem luz, irá quebrar a rotina dos seus habitantes e suspender as suas vidas. Ora, se juntarmos a estes ingredientes suculentos (prémio Leya e sinopse empolgante) um terceiro tão ou mais entusiasmante – saber que do outro lado do computador estarias tu, Paula, a ler a obra ao mesmo tempo que eu – é perfeitamente compreensível que as minhas expectativas estivessem lá bem no alto, mesmo que uma vozinha maléfica (consequência de algumas opiniões que já havia lido algures e que não eram muito favoráveis) me sussurrasse que haveria que refrear essa excitação…
  A primeira coisa que salta à vista na obra é o seu preâmbulo que me conquistou plenamente (não só a mim como também a quem me ofereceu a obra, já que muitas das suas frases estão sublinhadas). A escrita do autor é deliciosamente poética e introspetiva e obrigou-me a elevar ainda mais as já referidas expectativas. Como tal, é normal que não me tenha refreado quando passei para os capítulos – divididos nos oito dias em que se desenrola a ação – e que estivesse com todos os meus sentidos em alerta, absorvendo tudo sobre as personagens, sobre o narrador e acenando de satisfação quando estava perante mais exemplos da qualidade da escrita do autor.
O livro não é longo, tem apenas 200 páginas e tanto eu como a Paula o lemos em pouco tempo. Mesmo assim, conseguimos trocar bastantes impressões e todas elas apontavam para conclusões semelhantes e que agora partilho convosco – não foi uma leitura que nos tenha preenchido e que tenha correspondido às expectativas (pelo menos às minhas). Continuo a afirmar que o estilo e a escrita do autor são muito bons, com traços de poesia e densidade que me agradam sobremaneira. Porém, acho (e creio que a Paula também) que Nuno Camarneiro divagou e filosofou em demasia e que pôs a narrativa “ao serviço” desses pensamentos, dessa filosofia, dando, dessa forma, oportunidades reduzidas para as personagens brilharem e ocuparem o espaço que têm que ocupar numa trama, seja ela de que género for.
Assim sendo e tendo em conta aquilo que referi, compreendem a minha frustração por sentir que fui, de algum modo, enganada pela sinopse e pela importância que dei (outro aspeto a rever, tantos anos de leitora e ainda caio na esparrela dos prémios literários) ao galardão atribuído à obra. Pressupus uma narrativa introspetiva, como tanto gosto, que se fosse desenrolando em crescendo e que a anunciada tempestade tivesse um impacto significativo e que produzisse uma reviravolta na vida das personagens. É certo que esta ocorreu, mas não da maneira “correta”, não como eu esperava que ocorresse e, como tal, custou-me a engolir o desenlace de muitas das personagens e de um espaço do prédio em particular. Considero que aquele que o autor criou para o David, por exemplo, foi apressado e pouco coerente e que a relação entabulada à última hora entre o padre Daniel e um habitante externo ao prédio foi demasiada “automática e mágica” (palavras da Paula), mesmo tendo em conta a época do ano em que acontece. No entanto, admito de bom gosto que me derreti com o desenlace que o autor ofereceu à minha personagem favorita, o velhote Marco Moço (eu e o meu coração que amolece face a histórias de gente sénior) e que esse miminho me reconciliou um pouco com esta leitura que tanto prometia com o seu preâmbulo e que esvaziou como um balão furado.
Apesar de tudo isto, obrigada, Paula, adorei voltar a fazer uma leitura em conjunto contigo e quero repetir a experiência muito em breve. A ver se desta atingimos patamares de excelência, com nota máxima ou próximo dela.

NOTA – 06/10

Esta foi a décima leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Prémio literário português.

Sinopse
Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir. 
A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem. 
Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos. 
Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de Algum Céu retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.

O fim da inocência (volume I), de Francisco Salgueiro



Ficha técnica
TítuloO fim da inocência – Diário de uma adolescente portuguesa
Autor – Francisco Salgueiro
Editora – Oficina do livro
Páginas – 222
Datas de leitura – 05 a 08 de agosto de 2018

Opinião
Este livro já esteve cá em casa em 2010 e, na altura, não lhe prestei atenção nenhuma. Veio da biblioteca da escola do maridinho e apenas ele o leu. Por essa razão, quando o trouxe da biblioteca municipal, entusiasmada com as opiniões que tenho lido e ouvido por aqui, arregalei os olhos perante o comentário do N. de que tinha quase a certeza absoluta de que já o havia lido. E mais espantada fiquei quando ele o confirmou, consultando o caderninho onde aponta todas as suas leituras. A leitura de que muitos vão aconselhando em blogues e canais do Booktube já havia estado em minha casa e eu tinha-a deixado passar…
Oito anos depois, o N. voltou a ler a história da Inês e mais uma vez primeiro do que eu. Tal como muitos bloggers e booktubers, também ele ma recomendou. Sabia de antemão que a narrativa se assemelhava a um diário e que me permitiria entrar pela porta mais íntima e sincera na vida de uma adolescente que, desde muito cedo, viveu e experimentou todos os caminhos e vias de um dia-a-dia regido pelo sexo, pelo álcool e pelas drogas. Tinha igualmente noção de que Inês fora o nome fictício que o autor dera à jovem que havia entrado em contacto com ele e lhe confidenciara como fora a sua vida desde os dez, doze anos até aos dezassete. Estava preparada para uma leitura deveras perturbante, crua, recheada de detalhes e de uma linguagem muito gráfica. Só não estava preparada para ler o livro a um ritmo quase frenético e não me entregar à história de Inês como pensava que me iria entregar.
Sou mãe de um pré-adolescente. Tenho consciência de que ele tem a mesma idade que a Inês tinha quando iniciou uma viagem degradante e chocante por um mundo ao qual nenhum adulto (quanto mais uma criança) deveria ter acesso. Sei que ele vai querer experimentar algumas coisas que são à partida banidas/proibidas e que o fará mesmo que eu lhe diga que não. Prevejo noites e horas de angústia quando ele sair com os amigos e frequentar lugares onde poderá ter a oportunidade de experimentar essas coisas que prefiro não nomear. Porém, mesmo tendo noção de tudo isso, considero-me uma mãe mais presente que a da Inês, considero o meu núcleo familiar mais unido e atento que o da protagonista da obra e sinto-me um bocadinho mais sossegada por tudo isso, porque pretendo dar ao meu filho o mesmo que me deram a mim, transmitir-lhe os mesmos ensinamentos que me transmitiram a mim e confiar que o seu crescimento será saudável e precavido. É verdade que o mundo em que ele está a crescer é bastante diferente daquele em que cresci, mas, mal penso nisso, recordo de imediato os meus doze, treze anos e o momento em que li Os filhos da droga, de Christiane F.. A jovem alemã havia vivido a sua adolescência e juventude antes de mim, era mais velha do que eu e o seu percurso não é muito distinto do da Inês, o que me leva a concluir que muito do que esta nos conta não é novidade, pois Christiane F. já mo havia contado muitos anos antes. Sejam os anos setenta, oitenta do século XX, seja a primeira década do século seguinte, estes comportamentos e escolhas degradantes e perturbadores sempre existiram e irão existir. Temos que estar atentos, temos que dar muito amor e carinho, não negar aquilo que existe, responder sem meias-verdades às perguntas que os nossos filhos nos façam. Temos que ser, nada mais, nada menos, que progenitores.
Regressando ao que disse anteriormente, sinto que não criei os laços que deveria ter criado com esta narrativa por duas razões aparentemente distintas. Por um lado, apesar de ter lido a história de Christiane F. há muitos e muitos anos (está pacientemente à espera de uma oportunidade de releitura), ainda a sinto muito presente e acabei fazendo comparações entre a sua juventude e a de Inês, “preferindo” a da miúda alemã. Por outro, nunca fui capaz de pôr de lado a sensação de que tudo o que Inês partilhou comigo era fictício. Talvez essa sensação não tenha sido mais do que um mecanismo de defesa de mãe horrorizada perante o que lia ou talvez tenha sido o estilo algo jornalístico da escrita do autor que me inibiu de sentir a partilha de Inês como real, verdadeira e de me emocionar, afligir, repugnar e querer abanar, apertar e abraçar uma menina que perdeu o sentido da vida demasiado cedo.
Não foi uma leitura que preencheu na totalidade as expectativas que tinha quando lhe peguei. Contudo, não posso dizer que não tenha sido produtiva e esclarecedora. Quero muito ler o próximo volume que nos dá a conhecer a perspetiva de um rapaz adolescente e da sua vida igualmente desregrada. Não o lerei nos próximos tempos, porque preciso de me afastar dos ambientes tóxicos associados a estas histórias de cortes abruptos na inocência de dois adolescentes. Mas fá-lo-ei em breve, já que esse volume II está à minha espera na biblioteca da terrinha. Entretanto, recomendo a leitura do volume I a quem estiver curioso e interessado numa leitura sem filtros, muito crua e que nos alerta a todos para os perigos que espreitam ao virar da esquina. E essa esquina não precisa de ser de um bar ou de uma discoteca. Pode ser da escola ou da casa de um amigo.

NOTA – 08/10

Esta foi a nona leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro de não-ficção.

Sinopse
Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. 
Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas.