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O labirinto dos espíritos, de Carlos Ruiz Zafón



Ficha técnica
TítuloO labirinto dos espíritos
Autor – Carlos Ruiz Zafón
Editora – Planeta Manuscrito
Páginas – 845
Datas de leitura – de 23 de janeiro a 03 de fevereiro de 2018

Opinião
Estou saciada. 845 páginas e 12 dias depois, estou saciada. Acedi ao âmago e coração do labirinto desta saga abrindo e fechando portas, interligando caminhos e atando muitas pontas que haviam ficado soltas ao longo das três narrativas anteriores. Obtive respostas, pude continuar na vida de personagens que nunca esquecerei, franqueei novamente o portão do Cemitério dos Livros Esquecidos, conheci Alicia Gris e soube por fim quem foi na verdade Isabel Sempere.
Se o primeiro volume se centra na história de um leitor, de “como nos seus anos de mocidade descobria o mundo dos livros e, por extensão, a vida, através de um enigmático romance escrito por um autor desconhecido que escondia um mistério daqueles de deixar a boca seca”; se o segundo tomo relata “a macabra peripécia vital de um romancista maldito” e a descida aos infernos da sua própria loucura; se o terceiro volume se dedica à personagem de Fermín Romero de Torres e ao modo picaresco como chega a ser quem é e nos descreve as suas “muitas desventuras nos anos mais turvos do século”, esta quarta parte, “virulentamente enorme e temperada com os perfumes de todas as anteriores,” leva-nos por fim ao centro do mistério e desvenda todos os enigmas pela mão de um anjo das trevas chamado Alicia Gris.
Continuamos a entrar e a sair da livraria Sempere e Hijos e a conviver com o Sr. Sempere, com Daniel, Bea, o filho de ambos – Julián –, Fermín, Bernarda e o punhado de vizinhos com quem travámos conhecimento no volume inicial desta saga. Estamos no final da década de 50 e um acontecimento desencadeia um turbilhão de consequências que fará com que as vidas aparentemente apaziguadas dos Sempere e amigos sofram uma reviravolta sem retorno. Mauricio Valls, o eminente Ministro da Educação Nacional e ex-diretor da prisão de Montjuic, desaparece sem deixar rasto. o homem que marcou de forma bárbara e tortuosa a vida de Fermín, de David Martín e sobretudo de Isabel Sempere evapora-se, some, mas deixa para trás um rasto de morte, de corrupção, de desejos de vingança, de dor. Deixa igualmente uma filha adolescente a quem Alicia, uma obscura agente de um obscuro grupo de agentes que fazem aquilo que a polícia nacional não consegue, promete encontrar o pai e trazê-lo de volta.
Este desaparecimento e esta promessa são apenas a via de acesso a labirinto de histórias e enigmas que se vão entrelaçando e oferecendo as respostas que o leitor vem sofregamente procurando desde que entrou pela primeira vez no Cemitério dos Livros Esquecidos pela mão de um Daniel Sempere muito jovenzinho. Mas são igualmente a via de acesso para conhecermos e convivermos de muito perto com outra das personagens inesquecíveis saídas do engenho de Zafón – o sombrio, maléfico e obscuro anjo das trevas que dá pelo nome de Alicia Gris. Se Fermín me havia conquistado pelas suas características únicas, Alicia atraiu-me como a luz atrai o inseto indefeso. Bastou ler as primeiras palavras sobre ela, sobre o seu lado indefeso que esconde debaixo de uma capa de crueldade, frieza, dissimulação e laivos diabólicos para que me rendesse ao seu encanto pérfido e me transformasse na sua mais acérrima defensora e protetora. Fui devorando capítulo atrás de capítulo sempre agarrada à sua sombra e quase esqueci a pequenina desilusão que ia sentindo por ver que a sua preponderância, o seu protagonismo ia abafando personagens que conhecia e mimava desde o primeiro volume da saga. Segui-a página atrás de página e assim fui saltando no tempo e no espaço, fui viajando para os anos da guerra civil, para os que imediatamente lhe seguiram e para um presente de ditadura franquista instalada de forma absoluta e que continuava a eliminar sem piedade todos aqueles que a ameaçavam. Saí de Barcelona e viajei com Alicia para a capital, uma Madrid negra, maquiavélica, onde num quarto de um hotel de luxo, com falinhas mansas, doçura temperada com veneno e promessas de uma vida finalmente livre, se transformam jovens indefesas, desamparadas e sós no mundo em bonecas assassinas. Fui, como já referi a sua mais que perfeita sombra e assim constatei o que já é óbvio para mim, mas que me continua a perseguir de forma obsessiva – o dia-a-dia de um país esmagado por uma ditadura, de milhares e milhares de cidadãos das suas duas principais cidades que têm que continuar com as suas vidas, que têm que continuar a engolir o sabor a fel e a dor de anos que lhes roubaram entes queridos, amigos e companheiros, que têm que continuar a ser as marionetas perfeitas de um punhado de poderosos que podem desmembrar famílias, matar-lhes pais, mães, roubar-lhes as crianças apenas porque sabem que a mão omnipotente de Franco será sempre a sua fiel protetora.
No início deste texto mencionei que através deste quarto e último volume soube por fim quem foi na verdade Isabel Sempere, mãe de Daniel. No final de O prisioneiro do céu, fiquei a saber o que de verdade lhe havia provocado a morte. Agora, com esta última leitura, recuei até à sua infância, adolescência e juventude, soube como conhecei o seu marido e outros pormenores que não vou revelar, mas que me saciaram muitas dúvidas e questões. Não posso dizer que tenha ficado satisfeita com todas essas respostas, mas gostei do temperamento de Isabel, da sua garra, da sua determinação e do quanto ela amou e provou amar os seus. É mais um exemplo da força das personagens femininas que povoam esta saga. Bea, Nuria, Isabel e Alicia são, à sua maneira, inesquecíveis e mostram inclusive uma preponderância nas múltiplas narrativas dos quatro volumes que relega para segundo plano algumas das personagens do mundo masculino.
Não posso rematar esta opinião sem referir que Zafón soube manter o ambiente gótico, rocambolesco e pontuado com características folhetinescas que acompanham o leitor desde A sombra do vento. A linguagem algo rebuscada, as descrições polvilhadas de hipérboles, metáforas e outros recursos, as tiradas deliciosas de Fermín continuam em O labirinto dos espíritos e são acentuadas pelo carácter misterioso e de thriller que caracterizam este volume. As portas que vão sendo paulatinamente abertas para o desvendar dos múltiplos enigmas desta saga são também uma mais-valia para conseguir manter o leitor interessado e fazer com que este esqueça o volume gigantesco da obra. Por fim, a parte que encerra a obra e que muitos leitores (de quem fui lendo as correspondentes opiniões no Goodreads e blogues) consideram supérflua faz-nos voltar ao início da saga e encerra o ciclo de uma maneira muito hábil, deixando-nos um sorriso nos lábios – pelo menos a mim deixou – e a sensação de apaziguamento que referi no início deste texto.
Li este calhamaço em apenas 12 dias. Acho que este número diz tudo. Resta-me agradecer a Zafón ter-me proporcionado leituras que se manterão comigo por muito e muito tempo. Este último volume fecha com chave de ouro uma saga que recomendo veementemente e até faz com que me esqueça da desilusão que foi (pelo menos para mim) o segundo tomo da saga, talvez porque me dá uma visão mais realista do papel que o mesmo teve em toda a série de O cemitério dos livros esquecidos.

RECOMENDADÍSSIMO!

NOTA – 10/10

Sinopse
Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.
Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível.
O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

O prisioneiro do céu, de Carlos Ruiz Zafón

RELEITURA

Ficha técnica
TítuloO prisioneiro do céu
Autor – Carlos Ruiz Zafón
Editora – Planeta Manuscrito
Páginas – 398
Datas de releitura – de 19 a 23 de janeiro de 2018

Opinião
De volta às releituras e de volta à saga de “O Cemitérios dos Livros Esquecidos”. Como sabem, iniciei este ano de leituras com uma releitura que já me tentava há demasiado tempo. Reli A sombra do Vento e de novo rendi-me à sua narrativa pincelada de mistérios, de amores impossíveis, de vinganças, de personagens sublimemente (im)perfeitas como Daniel, Bea, Julián, Penélope, Nuria ou Fermín (como ri e chorei com este homem!) e de uma absoluta devoção aos livros, sobretudo àqueles que se classificam de malditos ou àqueles que jazem quase moribundos nas prateleiras da livraria Sempere e Hijos ou no labirinto mágico de um cemitério a que um punhado de afortunados vai tendo acesso. Saboreei a releitura com mais prazer do que a havia saboreado na leitura original e vi-me obrigada a rebentar a escala e dar-lhe uma classificação de 11!
Também já confessei aqui algures que pretendo fazer de 2018 um ano de muitas releituras. Irei intercalando-as com leituras novas e assim poderei satisfazer uma vontade que me persegue sempre que percorro com os olhos e os dedos as lombadas dos livros das estantes cá de casa e sinto aquele arrepiozinho bom ao deter-me num título de uma obra que há dois, três ou mais anos atrás me conquistou sem reservas. Dei azo a essa vontade logo quando o ano arrancou, com a referida releitura de A sombra do vento e a ela seguiu-se a do volume três da saga de Carlos Ruiz Zafón.
Quem conhece esta saga sabe que a mesma não necessita ser lida pela ordem cronológica de publicação. Contudo, essa não foi a razão pela qual decidi saltar do volume um para o três. A razão principal (e única) prende-se com o facto de ter lido o volume dois – O Jogo do Anjo – pouco tempo depois de ter sido publicado e ter ficado muito desiludida com ele. A aura de mistério mantém-se, continuamos em Barcelona, recuamos alguns anos em relação ao período narrado em A sombra do vento, tropeçamos em personagens conhecidas, continuamos enredados pelo amor pelos livros, mas a partir do momento em que o sobrenatural mancha a história, lá se vai o meu interesse e a correspondente credibilidade que tem que sustentar qualquer história que me queira agarrar.
Sendo assim, após ter-me deliciado e lambuzado com A sombra do vento, segui direitinha para O prisioneiro do céu, sem qualquer tipo de dúvida ou remorso. Daniel está casado com Bea e os dois são pais de um bebé chamado Julián. Fermín está prestes a casar, mas anda num estado de irritabilidade e melancolia que não se adequa com a iminente concretização do sonho de juntar os trapinhos com Bernarda. Este estado, porém ficará ainda pior quando se inteirar de uma visita de um homem de aspeto pouco tranquilizador à livraria Sempere e principalmente do recado que o mesmo deixou para si num exemplar da obra O conde Monte Cristo.
Este recado será o motor desencadeador para uma narrativa que nos abrirá portas ao passado de Fermín Romero de Torres e nos fará conhecer ainda melhor este homenzinho enxuto de carnes, dono de um enorme nariz e de um ainda maior coração. Regressaremos aos anos tormentosos do imediato pós-guerra civil, franquearemos as portas da tortuosa cadeia do castelo de Montjuic, saberemos quem era afinal aquele homem estranho e assustador que foi à livraria Sempere apenas para deixar um enigmático recado a Fermín, perceberemos finalmente por que razão este sempre esteve relacionado com a família Sempere e conheceremos um pouco melhor quem foi na verdade Isabel Sempere, mãe de Daniel. Meteremos a mão a tudo isto numa leitura vertiginosa, feita de capítulos curtinhos e de uma história habilmente montada pelo autor que não queremos largar mesmo quando viramos a última página. Comigo, pelo menos, foi assim. Fiquei de tal forma sedenta de respostas que, mal encerrei a leitura deste volume, voei para a estante onde estava à minha espera o calhamaço que contém o volume quatro e me embrenhei de imediato nas suas 845 páginas!
Sinto-me muito, mas muito tentada em deixar nesta opinião algumas migalhinhas do que estou a desvendar no último volume. Mas não o vou fazer, porque acho que, se o fizesse, estaria a ser “injusta” e a menosprezar de alguma forma o valor, o interesse e o prazer que retirei da leitura de O prisioneiro do céu. Admito que não me arrebatou tanto como o fez o seu antecessor (já previa isso, sobretudo porque é quase impossível que dentro de uma saga não haja mais e menos prediletos). Contudo, agradeço e muito ao autor ter dado neste volume a oportunidade de Fermín brilhar. Brilhar com as suas fraquezas, as suas imperfeições e acima de tudo com o seu coração do tamanho do mundo, a sua retidão, a sua verborreia inigualável, que me arranca gargalhadas esteja eu onde estiver, o seu apetite e o poder milagroso que atribui a um Sugus, principalmente se for de limão (os meus preferidos 😊).
Fermín conquistou-me. Aliás, estou um bocadinho apaixonada por ele e já sinto saudades, mesmo ainda não tendo terminado de ler o volume quatro. Por ele, recomendo que leiam O prisioneiro do céu. É certo que não é tão absorvente, tão deliciosamente avassalador como A sombra do vento, mas se estiverem tão apaixonados como eu por Fermín vão querer conhecê-lo melhor e só o podem fazer lendo O prisioneiro do céu.
Fica a recomendação. Eu, entretanto, vou devorando as páginas de O labirinto dos espíritos e vou saboreando a cada momento a vontade gulosa que espicaça as minhas glândulas salivares quando recordo o sabor de um Sugus de limão. Tenho que cuscar em supermercados e quiosques para ver se ainda se vendem!

NOTA – 09/10

Sinopse
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón


RELEITURA

Ficha técnica
TítuloA sombra do vento
Autor – Carlos Ruiz Zafón
Editora – Publicações Dom Quixote
Páginas – 507
Datas de leitura – de 1 a 10 de janeiro de 2018

Opinião
Há leituras que nos esperam. Um mês, um ano ou dez anos, como o fez A Sombra do vento. Esperou na estante dez anos para que eu esticasse o corpo, a agarrasse e recordasse que todos os livros que compõem as variadíssimas estantes que ocupam paredes e nichos da minha casa estão ali, estão vivos e querem ser recordados.
Um dos meus propósitos enquanto leitora para este novo ano passa por fazer aquelas releituras que me chamam há algum tempo e que vou aludindo uma e outra vez quando partilho essas vontades com o maridinho. A primeira calhou ser a obra que abre a saga do “Cemitério dos livros esquecidos”, simplesmente porque o ditou a ordem cronológica. O livro que está à espera da sua vez na prateleira dos não-lidos é o último da referida saga – O labirinto dos espíritos – e, como o hiato temporal entre o mesmo e A sombra do vento era já, como disse, de dez anos, quis juntar o útil ao agradável, ou seja, quis dar azo à minha vontade de fazer releituras e ao mesmo tempo recordar como entrei no mundo do cemitério mais gostoso de todos e na vida de Daniel Sempere e do seu melhor amigo, o inesquecível Fermín Romero de Torres.
Sabia, desde que a tirei da estante e a segurei, que tinha nas mãos a leitura a que iria atribuir a primeira nota máxima em 2018. Mas, caramba, não tinha noção de que a releitura iria ser ainda melhor do que a primeira leitura que fiz em 2008!
A obra de Zafón é perfeita e encaixa magistralmente nos meus gostos. Envolve-nos numa aura que recorda narrativas góticas, típicas do século XIX, a própria linguagem tem contornos algo barrocos, mas que não impedem de maneira alguma que penetremos na narrativa e nos rendamos a ela, sem opor qualquer resistência.
Tenho plena consciência de que fui prisioneira desta história de “livros malditos, do homem que os escreveu, de uma personagem que se escapou das páginas de um romance para o queimar, de uma traição e de uma amizade perdida. [De] uma história de amor, de ódio e dos sonhos que vivem na sombra do vento.” (pág. 192). Sei que me perdi e me encontrei nas ruas de uma Barcelona que não conheço tão bem como gostaria de conhecer. Percebo que me enredei numa narrativa sublime, deliciosamente bem construída, que me agarrou desde a visita que Daniel faz ainda criança, pela mão do seu pai, ao Cemitério dos Livros Esquecidos e da qual sai para nunca mais ser o mesmo. Compreendo que me apaixonei sem remédio pelo lado inocente e ingénuo de Daniel; pela picardia e lábia de Fermín, pelo seu lado sedutor, de cavalheiro que conhece como ninguém a vida porque a viveu como ninguém; pela loucura de Julián Carax e pelas suas ações extremistas movidas por um amor que não morre nunca; por Bea, Nuria e Penélope, as três personagens femininas que se destacam na narrativa e que demonstram o quanto as mulheres são de fibra, de garra e dispostas a tudo para poderem abraçar a felicidade e o homem que amam descontroladamente. Constato que continuo a sentir que as entranhas se me revolvem quando recordo o quanto tive vontade de esbofetear, surrar e apertar o pescoço à personagem odiosa e execrável de Javier Fumero. Apercebo-me de tudo isto e de muito mais e quero voltar a sentir-me assim, prisioneira e escrava de uma leitura, de uma trama que me deixou suspensa e enfeitiçada até ao seu desenlace em ondas de mistério, dor, loucura, horror, medo, guerra, amizade, amor, paixão, lealdade e esperança.
Creio que já disse muito e não disse nada, pois nunca serei capaz de fazer jus ao quanto esta obra é redondamente perfeita. Poderia realçar o que referi em parágrafos anteriores, abrir um sorriso e exclamar que também eu caí nos ardis de Fermín, que também eu me apaixonei sem volta pela sua personagem única e inesquecível, destacar a mistura harmoniosa e deliciosamente saborosa entre ambiente, espaços, personagens, mistério, emoções e livros que compõe A sombra do vento que mesmo assim sentiria que este texto não estaria a refletir a beleza da obra, o quanto ela possui aquilo que eu sempre busquei, busco e buscarei numa leitura – um arrebato total, uma prisão que rogo que me encarcere e me ponha de sorriso pateta na cara e uma vontade incontrolável de gritar, dançar, chorar, rir, abraçar e agradecer à vida ter-me feito, há muitos anos atrás, conhecer uma professora que me incentivou a ler para melhorar a nota a Português.
Fico-me por aqui. Não consigo dizer mais nada. Só vos peço que leiam esta obra ou que a releiam, como eu o fiz. Não permitam que ela não faça parte da vossa vida.

NOTA – 11/10 (Tinha que ser – este rebenta a escala!)

Sinopse
Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.

Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página. 

O Prisioneiro do Céu, de Carlos Ruiz Zafón

Terça-feira, 26 de março de 2013



Sinopse
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Opinião
Em cinco dias devorei O Prisioneiro do Céu e como gostei, como adorei voltar ao mundo de o Cemitério dos Livros Esquecidos, da livraria Sempere, da cidade mágica de Barcelona e das personagens que me arrebataram aquando da leitura de A Sombra do Vento! É inquestionavelmente um livro maravilhoso, que nos prende da primeira à última página, que nos deixa quase como enfeitiçados, pois a ânsia de saber mais, de absorver o conteúdo de página atrás de página não nos larga e só substituída pelo prazer que nos invade ao fechar o livro, depois de concluirmos a leitura. Mas é um prazer agridoce, já que a narrativa, as personagens, os espaços, os avanços e recuos no tempo estão de tal forma maravilhosamente interligados que eu queria mais...
Já disse várias vezes em conversas que não gostei muito da segunda obra desta trilogia/tetralogia - O Jogo do Anjo - porque mexe com minha parte de pouco crédula (o escritor que faz um pacto com um editor misterioso e que parece encarnar a morte...) e, como tal, estava com algumas dúvidas em relação a O Prisioneiro do Céu... Mas ainda bem que as dúvidas foram rapidamente postas de parte, porque gostei tanto deste livro que estou cheia de vontade de reler A Sombra do Vento!!!
Como é que uma "livrólica" pode resistir a um romance que nos conduz aos labirintos de um cemitério de livros esquecidos e nos apresenta uma livraria de livros antigos e raros, gerida por alguém que viveu toda a sua vida rodeado desses livros?...

Recomendadíssimo!!!