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Balanço mensal - livros lidos e adquiridos/recebidos em maio



Estamos a meio de junho e só agora é que tive tempo (e ânimo) para sentar-me e fazer o balanço do mês de maio que já lá vai… Quero pedir desculpas a quem me segue assiduamente por esta ausência, mas quando o trabalho manda em todos os passos que dou, é impossível mimar e alimentar este cantinho que já é tão vosso como meu.
Agora que consigo, por fim, ver luz ao final do túnel quero tentar pôr em dia os textos que tenho em atraso e partilhar convosco tudo o que tenho andado a ler, a comprar e a acrescentar à minha wishlist.
Maio foi um mês de muito boas leituras. Mas também foi o mês em que desisti de duas que não fizeram clique nem me embalaram nos poucos minutos em que, diariamente, pegava no livro que estava na mesinha de cabeceira e tentava evadir-me da realidade.
 Em dois ou três dias devorei Deixa-me Odiar-te (gentilmente enviado pela editora Clube do Autor) e descobri, depois de tantos e tantos de leitora, o que é isso de um romance chicklit. Não é o meu tipo de obra favorito, mas, caramba, adorei a experiência, adorei a sua previsibilidade e a enxurrada de clichés que inundam a história de dois jovens que trabalham juntos, que se odeiam, mas que se prevê, desde a página inicial, que vão viver uma história de amor muito divertida, cheiinha de contratempos e com um inevitável final feliz. Lê-la foi uma lufada de ar fresco e, como tal, atribuí-lhe a nota de 09/10.
A obra que se lhe seguiu também foi lido num curtinho espaço de tempo. Voltei às letras de Possidónio Cachapa com Segura-te ao meu peito em chamas e admito que não gostei de todos os contos que compõem a obra. Contudo, há dois que são de uma beleza transcendental, que me tocaram e ainda estão comigo. São mais um exemplo do quão bem escreve este autor alentejano e do quanto vale a pena descobrirmos novos autores lusos. Possidónio Cachapa é, como já disse outras vezes, um nome a ter em conta. Eu pelo menos quero, e muito, ler mais dele. A esta colectânea dei 08/10 e aproveito para agradecer, uma vez mais, o empréstimo aos cunhadinhos.
Há muito tempo que queria ler O czar do amor e do tecno. Desde que li a correspondente opinião que a Márcia Balsas deixou no seu Planeta. Sabia de antemão que não seria uma leitura fácil, já que, nas palavras da Márcia, a narrativa se assemelhava a um comboio que parava em muitíssimas estações e que, enquanto leitores, nos veríamos obrigados a entrar e sair continuamente nessas estações. Embarquei repleta de expetativas e as mesmas não foram goradas. A escrita de Anthony Marra é primorosa, as personagens densas, imperfeitas e muito especiais e o tom mordaz, crítico, irónico e ao mesmo tempo emotivo e dorido. Foi assim uma viagem muito saborosa e à qual atribuí a classificação de 09/10.
Maio também me permitiu regressar a um conflito pelo qual tenho uma obsessão doentia. Li Rapariga em Guerra e Como se eu não existisse e voltei a sofrer horrores ao ler os horrores que se perpetraram na Guerra Civil Jugoslava. “Mordi-me” de repulsa e terror perante a história de uma menina que perde a infância numa estrada barrada por soldados/mercenários e perante a história de uma jovem mulher que, nas mãos de outros soldados/mercenários compreende de pior forma possível o que é ser vergada, humilhada e destituída da essência que nos torna humanos e únicos. Foram, como devem calcular, duas leituras poderosíssimas, que me deixaram extenuada, mas com a obsessão inabalável, ou seja, não devo demorar muito tempo em embrenhar-me noutra de cariz semelhante. A Rapariga em guerra atribuí, depois de alguma reflexão, a nota máxima e a Como se eu não existisse a nota imediatamente abaixo, ou seja, um 09.
Intervalei a leitura destas duas obras duras com outra vinda de terras que têm um sabor mágico, pelo menos para mim. Li Tão amigas que nós somos, da chilena Marcela Serrano e adorei o primeiro contacto com esta autora que já me piscava o olho há bastante tempo. A história de quatro amigas, muito diferentes entre si, mas unidas como só as verdadeiras amigas conseguem ser, embalou-me e aconchegou-me como poucas o fazem e, para além de ter ficado com o orgulho feminino ainda mais em alta, saboreei com um prazer muito especial o regresso a paragens sul-americanas e a uma escrita com textura e temperaturas muito próprias. Fiquei com água na boca e agora quero ler mais de Marcela Serrano. A este primeiro contacto com as suas letras dei 09/10.
Referi no início deste balanço que a estas seis obras lidas se juntam duas que não consegui terminar. Uma foi uma experiência falhada no mundo chicklit. Li mais de metade de Amores Proibidos, de Jill Mansell, mas a impressão pouco apelativa que fiquei desde as páginas iniciais nunca se desvaneceu e não criei nenhuma empatia com qualquer uma das personagens e só consigo recordar que todos pareciam ter amantes ou querer ter amantes… A outra experiência falhada foi com uma obra “mais séria” – Paisagem com mulher e mar ao fundo, de Teolinda Gersão. Li apenas 20 ou 25 páginas, mas não quis mais… Não duvido que a obra seja muito boa, mas não se encaixou num mês de muito trabalho e pouca concentração. Talvez lhe pegue mais tarde.

Entretanto, maio trouxe novos habitantes para a estante. No dia da mãe, os meus homens mimaram-me com dois livros que estavam na minha wishlist – O caderno do avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé e Debaixo da pele, de David Machado. Para além destes, outros três chegaram à estante porque não me controlei e pequei em promoções feitas pela WOOK. Comprei Sete minutos depois da meia-noite, de Patrick Ness, As últimas linhas destas mãos, de Susana Amaro Velho e o ansiadíssimo Meridiano 28, do maravilhoso Joel Neto. Cinco novos habitantes que ficarão à espera da sua vez e que sei que me irão maravilhar.

Concluindo, maio foi um mês mesmo muito proveitoso. Só espero que junho lhe siga as pisadas. Para já, está bem encarreirado.
E como foi o vosso mês de leituras e aquisições? Já leram alguma das obras que comprei/recebi? Se sim, por favor, digam o que acharam, sem revelar demasiado.

Termino deixando-vos, como é habitual, os links para acederem à opinião completa das obras lidas em maio:
§  Deixa-me odiar-te, de Anna Premoli
§  Segura-te ao meu peito em chamas, de Possidónio Cachapa
§  O czar do amor e do tecno, de Anthony Marra
§  Rapariga em guerra, de Sara Novic + Como se eu não existisse, de Slavenka Drakulic
§  Tão amigas que nós somos, de Marcela Serrano

Balanço mensal - livros lidos e adquiridos/recebidos em abril



Segundo mês temático aqui no cantinho. Gostei tanto de ter dedicado um tema ao mês de março que aproveitei o facto de ter na estante várias obras em espanhol à minha espera para fazer de abril o mês das leituras escritas em língua castelhana.
Li no total quatro obras e não terminei uma. Viajei por várias cidades de Espanha, pelas suas correspondentes comunidades autónomas, cruzei o Atlântico, passei uma rápida temporada em terras mexicanas e cubanas e deambulei por distintas épocas.
A primeira viagem (e a mais marcante de todas) levou-me ao País Basco. Voltei ao mundo de Fernando Aramburu e de lá não queria regressar, tal foi o impacto que a sua última obra produziu em mim. Patria é a voz da história mais recente de uma comunidade aterrorizada pela luta armada por uma independência que havia que conseguir a todo o custo. Faz-nos entrar na vida de duas famílias banais e constatar o quão destroçadoras e dizimadoras podem ser as diferenças entre querer ou não ver a sua região transformar-se numa nação independente e entre os limites que cada um estabelece, ou seja, até que ponto está um basco disposto a ir para alcançar essa independência. Esta foi a leitura mais suculenta do mês e que recomendo sem reservas. A obra foi editada em português há pouco tempo e encontram-na facilmente em qualquer livraria.
A segunda viagem foi a bordo das letras de uma autora que tão-pouco é desconhecida para os leitores portugueses. Falo-vos de María Dueñas, que publicou em Portugal O tempo entre costuras e Recomeçar. Eu li a sua terceira obra (ainda não publicada cá) e gostei muito. La templanza é uma obra histórica, de época e envolve-nos numa trama bem urdida, que vive sobretudo dos seus protagonistas, um homem que se fez a si próprio, cheio de garra, que luta por aquilo que quer, e uma mulher corajosa, à frente do seu tempo e cheia de paixão pelas suas origens. Em mais de 500 páginas, viajei por três países – México, Cuba e Espanha – e deliciei-me com uma história de amor de dois seres que compreendi estarem destinados um ao outro no momento em que as suas mãos se tocam.
A terceira viagem acabou por ser a mais decepcionante. Confesso que tinha expectativas algo elevadas em relação a Y todos callaron, porque a sua narrativa aborda a Guerra Civil em zonas que nunca havia visto abordadas em outras obras – Bilbao e Burgos, por exemplo. Contudo, percebi logo nas páginas iniciais que as referidas expectativas iriam cair a pique, já que, pela primeira vez, desde que comecei a ler livros sobre o tema, não fui capaz de condoer-me com as reviravoltas trágicas que o conflito trouxe à vida de um jovem casal, apaixonadíssimo e progenitores de um menino pequeno. Não senti nada, apenas indiferença ao ler o testemunho de Amelia e para quem, como eu, procura com desespero as emoções nas leituras que faz, a viagem que fiz pelas páginas de Y todos callaron revelou-se frustrante e será rapidamente esquecida…
Encerrei o mês com mais uma viagem pela época da Guerra Civil espanhola e os seus anos subsequentes. Reli La voz dormida e encontrei-me com todas as emoções que estiveram desaparecidas na leitura anterior. Acompanhei, durante esse período obscuro, a vida de algumas mulheres que sofreram na pele, como muitos outros espanhóis, apenas porque escolheram ter voz e ser livres. Adorei entrar de novo nas letras de Dulce Chacón, no seu estilo suave, emotivo, intimista e senti-me, uma vez mais, muito orgulhosa do género feminino, da valentia e perseverança de um punhado de mulheres que, mesmo por detrás de grades físicas ou de uma Madrid amordaçada, com os corações a transbordar de dor pela perda de muitos entes queridos, não vergaram e seguiram em frente.
No início deste balanço referi que li quatro obras e não terminei uma. Li por volta de 200, 300 páginas de La librería del callejón, mas não tive vontade de continuar, primeiro porque a sua narrativa estava a enveredar por percursos que incomodam o meu lado crédulo, repletos de referências ao ocultismo, espiritismo, e depois porque não estava a criar nenhum tipo de laços com as personagens dos dois momentos – presente e passado – que alimentam a engrenagem da obra. É óbvio que não me dá prazer nenhum deixar uma leitura a meio, mas, hoje em dia, faço-o quando tenho que fazê-lo e não me arrependo. Basta-me olhar para a estante e a frustração acaba por esfumar-se!

Nos primeiros dias de abril fiz umas miniférias familiares em duas cidades espanholas e voltei a cair em tentação… Porém, tenho que defender-me, pois apenas comprei um livro e de edição de bolso, ou seja, baratinho. Quero muito conhecer o que escreveu Luz Gabás para além do fantástico e arrebatador romance Palmeiras na neve (em Portugal está editado pela Marcador) e, por isso, comprei Regreso a tu piel, uma história de um amor inquebrável que se desenrola nas paisagens que separam Espanha de França no século XVI. Para a próxima vez que faça um mês dedicado às leituras em espanhol este não escapa!
A editora Clube do Autor enviou-me Elmet, a obra de estreia da autora Fiona Mozley e unanimemente aclamada pela crítica. Tenho visto muito boas referências sobre esta obra e espero lê-la brevemente! Se alguém a já tiver lido, que me diga o que achou, OK?

Fico à espera dos vossos comentários e de saber o que leram durante este mês!

Termino deixando-vos, como é habitual, os links para acederem à opinião completa das obras lidas em abril:
§  Patria, de Fernando Aramburu
§  La templanza, de María Dueñas
§  Y todos callaron, de Toti Martínez de Lezea
§  La voz dormida, de Dulce Chacón

Balanço mensal - livros lidos e recebidos em março



Março foi o primeiro mês ao qual dediquei um tema. Nunca o tinha feito aqui no blogue e decidi fazê-lo após ter visto em vários blogues que vou seguindo a sugestão maravilhosa de fazer de março um mês de leituras apenas femininas, ou seja, leituras de obras escritas por autoras.
Pus mãos à obra e nos primeiros instantes do mês anotei no meu caderninho as obras que tencionava ler – três da minha estante e duas que viriam da biblioteca. A estas cinco acabou por juntar-se uma mais, também ela vinda da biblioteca municipal.
A contadora de histórias, de Jodi Picoult, foi a que arrancou o mês temático. Foi apenas a segunda obra que li desta autora, mas proporcionou-me uma experiência bem mais interessante e proveitosa do que a sua antecessora. Relata-nos a história de Sage Singer e de Josef Weber. Ela é uma jovem padeira, em processo de luto pela morte da sua mãe e conhece Josef num grupo de apoio a enlutados. Os dois tornam-se amigos e é com base nessa amizade que ele lhe pede que Sage o ajude a morrer, porque está na hora de terminar uma longa vida de culpa, de horror, de crimes e mortes. A premissa é, como podem comprovar, muito entusiasmante e conduziu-me a uma leitura ávida e empolgante que apenas perdeu algo desse empolgamento no seu desenlace, pois custou-me a engolir o final que a autora reservou para Sage. Contudo, atribuí-lhe ainda assim uma nota quase perfeita – 09/10.
A segunda leitura foi uma que já me esperava há mesmo muito tempo na estante. E caramba, a espera valeu mesmo a pena, pois adorei de paixão conhecer a escrita envolvente e poética de Marlene Ferraz e saborear com uma sofreguidão propositadamente controlada A vida inútil de José Homem! É uma obra curtinha, mas contém tudo o que é necessário para marcar-nos e ficar connosco! Dei-lhe nota máxima pela escrita que me confortou, pelas personagens imperfeitas mas inesquecíveis e por fragmentos e citações que não me abandonarão!
A herdeira dos olhos tristes, de Karen Swan, trouxe uma lufada de leveza e ligeireza às leituras de março. Não me foi nada difícil entrar na sua narrativa, viajar por várias partes do mundo, viver durante uns dias na lindíssima (e algo caótica) cidade de Roma e conhecer duas mulheres fascinantes, com segredos que querem a todo o custo ocultar dos demais. Em quatro dias devorei 460 páginas e no final senti que não tinha perdido o meu tempo. Pelo contrário, senti que esta leitura tinha vindo na altura certa – não só quebrou uma série de leituras mais densas e com temáticas mais pesadas, como também me ajudou a suportar uma segunda metade do mês sufocante. Atribuí-lhe a nota de 08/10.
Da biblioteca veio Jane Eyre, de Charlotte Brontë. É óbvio que a história desta protagonista não me era desconhecida, mas só há pouco tempo é que me tinha apercebido de que nunca havia lido a sua história integral, que a obra que tinha – e tenho – em casa é uma adaptação juvenil e, como tal, mais curta, com supressões de partes talvez menos importantes. Ora, esta leitura integral foi outra das experiências perfeitas que me reservou o mês de março. Deliciei-me com o recuo no tempo, com a diferença de estilos de escrita que claramente existe entre um autor ou autora do século XIX e um ou uma do século XXI e acima de tudo com a protagonista. Jane Eyre é uma mulher do caraças e, se pensarmos que é uma mulher do caraças no seu tempo, ainda o é mais se fizermos a indispensável comparação entre ela e alguém do sexo feminino dos nossos tempos! Nota máxima, sem dúvida!
Também da biblioteca trouxe uma recomendação da Bárbara. Tanta gente, Mariana permitiu-me entrar pela primeira vez no mundo literário de Maria Judite de Carvalho e entabular uma viagem por oito contos prenhes de solidão, de dor, de sonhos gorados e de muita, muita desesperança. Como buscadora ávida de leituras que me tragam emoções fortes, que me abanam, só posso dizer que gostei imenso desta experiência leitora e que quero ler mais da autora. Dei-lhe um 09/10, apenas porque nem todos os contos têm a força e o impacto que tem aquele que dá título à obra.
A última leitura do mês foi também uma recomendação e veio de impulso da biblioteca. Falo-vos de Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo, que me levou de novo à África colonial, desta vez a Moçambique e me possibilitou saber mais sobre a infância e adolescência da autora, já que a obra é autobiográfica. Senti-me inevitavelmente chocada com a acidez e a crueza da linguagem da narrativa, com a forma como a autora parece precisar deitar cá para fora tudo aquilo que preenche o Caderno, mas ao choque seguiu-se o contentamento, pois é destas leituras que ando sempre à procura, de leituras fortes, controversas e que são um reflexo da vontade de pôr o dedo na ferida (pessoal e social) e escarafunchar na mesma. Mais uma vez não atribuí mais do que um 09 a esta experiência porque sou uma picuinhas e achei desnecessária a inclusão na obra de cinco posts (provenientes do blogue pessoal da autora) e que pouco ou nada têm a ver com a temática das memórias coloniais.
Seis leituras femininas e excelentes. Duas leituras perfeitas, três às quais atribuí um 09 e uma a que dei um 08. Que mais poderia eu querer? Esta primeira experiência temática foi tão, tão proveitosa e suculenta que me vi obrigada a seguir com ela para abril que, como já devem saber, está a ser o mês da literatura espanhola!

Antes de terminar este balanço, refiro que voltei a não pecar em março. Não comprei nenhum livro para mim, embora tivesse que morder-me todinha muitas vezes e aguentar-me estoica, firme, sempre que entrava numa livraria! Sendo assim, o único livro novo que caiu na estante foi um presente de Páscoa do meu querido afilhadinho! Obrigada, Gonçalinho, tu sabes o quanto os olhos da madrinha brilharam quando desembrulhei o presente e vi que era A resistência, de Julián Fuks! AMEI!!!

Termino deixando-vos, como é habitual, os links para acederem à opinião completa das obras lidas em março:
§  A contadora de histórias, de Jodi Picoult
§  A vida inútil de José Homem, de Marlene Ferraz
§  A herdeira dos olhos tristes, de Karen Swan
§  Jane Eyre, de Charlotte Brontë
§  Tanta gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho
§  Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo

E vocês, que leram? E que pretendem ler em abril? Fico à espera das vossas respostas!

Abril - mês da literatura espanhola



Estes últimos cinco dias foram de descanso e de um propositado afastamento das idas e vindas ao mundo da blogosfera. Foram dias retemperadores que infelizmente terão que ser arrumadinhos numa gaveta até próximas oportunidades. Agora que estou, pouco a pouco, regressando à normalidade, tenciono pôr em dia este meu cantinho, escrevendo e publicando as opiniões das duas obras que encerraram o mês de março e fazendo o habitual balanço mensal de leituras e aquisições. Contudo, vou fazer uma finta à cronologia (sim, eu também consigo fazer isso, trocar as voltas ao que dita a minha mania), e partilhar convosco o quanto adorei associar as leituras de março a uma temática – leituras de obras escritas por uma pena/mão feminina – e que pretendo que abril também seja um mês com tema. Sendo assim, durante os trintas dias deste mês irei apenas ler literatura espanhola e na sua língua original. Conto ler os seguintes cinco romances, dois em formato físico e três em formato de e-book:
§  Patria, de Fernando Aramburu
§  La librería del callejón, de Manuel Hurtado Marjalizo
§  La templanza, de María Dueñas
§  Y todos callaron, de Toti Martínez de Lezea
§  La voz dormida, de Dulce Chacón
São cinco livros bastante heterogéneos, que abarcam épocas e géneros distintos e de autores que merecem ser mais conhecidos em Portugal, já que a literatura espanhola não se resume a Carlos Ruiz Zafón ou a Cervantes, muito pelo contrário, está composta por romancistas brilhantes e que possuem tudo para cativar qualquer leitor fora das suas fronteiras.
Se houver aí desse lado alguém que esteja interessado em acompanhar-me nesta viagem temática que nos levará a espaços, tempos, tradições e narrativas entusiasmantes, será, como é óbvio, muitíssimo bem-vindo/a!!!
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Anímate a leer en español! ¡Seguro que no te irás a arrepentir!

Balanço mensal - livros lidos e recebidos em fevereiro



No mês mais pequeno do ano, li apenas quatro livros, mas um deles deveria contar por três, já que tem mais de 800 páginas!!! Estou obviamente a referir-me a O labirinto dos espíritos, de Carlos Ruiz Zafón, que encerra a saga de O cemitério dos livros esquecidos e fá-lo de forma primorosa!
Comecei a lê-lo no final de janeiro e devorei-o em apenas doze dias, tal era a minha ânsia de obter respostas a muitas perguntas que foram sendo deixadas pelos volumes anteriores e de saber, por exemplo, quem foi na verdade Isabel Sempere. E, como já disse na correspondente opinião, a saga encerrou da melhor forma possível, saciou-me e ainda me permitiu conhecer a magnífica e tortuosa Alicia Gris. Dei-lhe, como não poderia deixar de ser, a pontuação máxima e o meu entusiasmo foi tão contagiante que conseguiu aquilo que, à partida, parecia muito pouco provável – desviar a atenção do maridinho dos novos elementos da estante e levá-lo a reler toda a saga!
O segundo livro que li em fevereiro foi uma desilusão que me abalou. Tinha grandes expectativas em relação a Os Malaquias, não só por causa do prémio que obteve – Prémio literário José Saramago – como também pela sua premissa e pelas suas páginas iniciais, que, aquando da sua compra, me haviam deixado em polvorosa. Contudo, à medida que ia avançando na leitura, fui sentindo esse entusiasmo a evaporar-se, tal era a inércia das personagens, a falta de vida que os habitava e exemplos de um realismo que de mágico pouco ou nada tinham. Gostei muito do estilo de escrita da autora, do tom açucarado que tem, mas não chegou para concordar com o prémio que lhe foi atribuído nem para preencher as minhas expectativas. Mal terminei a sua leitura, pu-lo de imediato na estante, não sem ter pensado que talvez não o venha a doar, num futuro próximo, à biblioteca municipal.
Continuei em latitudes mais quentes com a terceira leitura do mês. Tenho noção, sobretudo pelas pesquisas que vou fazendo na blogosfera e noutras plataformas, que O pecado de Porto Negro não é uma obra muito conhecida e muito lida, o que é uma pena, pois tem todos os ingredientes para agarrar os leitores que apreciam uma narrativa pulsante, prenhe de vida e de emoções fortes. As suas personagens estão muito bem construídas e nenhuma delas nos deixa indiferentes – ou sentimos carinho, amor e desejamos fortemente que a vida lhes sorria ou cerramos os dentes e só nos apetece enfiar-lhe um murro na cara, mesmo tendo noção de que são apenas assim porque talvez não foram capazes de lutar contra um nascimento já amaldiçoado. O estilo do autor é também muito bom, pois molda todos os ingredientes já referidos e transforma-os numa história mesmo muito boa, que não leva a pontuação máxima apenas porque, na minha opinião, o clímax da mesma foi demasiado precoce.
Em fevereiro, terminei ainda Marcada para morrer, obra que gentilmente me foi oferecida pela editora Clube do Autor. Volto a referir que não sou, de perto nem de longe, uma leitora assídua de policiais ou de thrillers, mas não quis deixar passar a oportunidade que me foi dada com o envio da obra e lancei-me a ela. Sabia de antemão que este era um volume de uma saga protagonizada pelo detetive Roy Grace e que, como tal, haveria aspetos da sua vida que apenas poderia conhecer melhor se já tivesse lido os volumes anteriores. Porém, essa falta de informação não prejudicou a leitura de Marcada para morrer, pelo contrário, fez-me ter mais vontade de continuar a ler e de esperar com alguma ansiedade o volume que ainda há-de ser publicado (espero bem que sim) num futuro breve. Quanto à intriga em si, Marcada para morrer debruça-se sobre o raptos de jovens mulheres perpetrados por um assassino em série que, como tudo indica, voltou a atacar passados mais de trinta anos e cabe à equipa de Roy Grace atar os fios que unem esse lapso temporal e resolver o caso. É uma leitura interessante, com uma escrita direta e limpa, mas peca pela demasiada informação técnica e forense e por um número exagerado de personagens que, se fossem reduzidas para metade, faria com que a leitura fosse mais fluída.

Aproveito este balanço, antes de passar para os livros novos que chegaram em fevereiro, para inchar outra vez de orgulho e relembrar que, pela primeira vez, publiquei no blogue um texto da autoria do meu filho sobre uma das suas leituras. Falo da obra Gato Galáctico – a minha vida animada e da tremenda gulodice com que o D. a devorou e na consequente e espontânea vontade com que ele se dirigiu a mim e me disse que tinha que publicar um texto no blogue sobre a sua leitura. E assim foi. Sentei-me ao computador e escrevi aquilo que ele me foi ditando, sempre com um sorriso nos lábios, pois percebi nele todos as emoções que também eu sinto quando uma leitura me deveras preenche. Sou mesmo uma mãe babada!

Quanto aos habitantes novos da estante, eles são apenas três e todos eles foram ofertas. Continuo firme na minha decisão de controlar gastos, de resistir estoicamente às tentações e, por isso, não gastei um tostão com leituras para mim. Da editora Clube do Autor, recebi Deixa-me odiar-te, de Anna Premoli. Para comemorar uma data muito especial para nós, o maridinho ofereceu-nos aos dois Os loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho. Por fim, da avó, o D. recebeu a obra que já leu e devorou – Gato Galáctico, a minha vida animada, de Ronaldo de Azevedo. Mês pequenino, ofertas também elas em número pequenino, mas quantidade muitas vezes não é sinónimo de qualidade, não é verdade?

Remato este balanço referindo que vou copiar a ideia de algumas bloggers e fazer de março um mês apenas dedicado a leituras de obras escritas por autoras, ou seja, leituras no feminino. Pretendo ler as seguintes obras:
§  O retorno, de Dulce Maria Cardoso (já lido)
§  A contadora de histórias, de Jodi Picoult (a ler)
§  A vida inútil de José Homem, de Marlene Ferraz
§  A herdeira dos olhos tristes, de Karen Swan
§  Jane Eyre, de Charlotte Brontë
§  Tanta gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho
Se o trabalho não tomar demasiado conta dos meus dias, talvez leve este projeto a bom porto. A ver vamos!

Por fim, como é normal, deixo-vos os links para acederem à opinião completa das obras lidas em fevereiro:
§  O labirinto dos espíritos, de Carlos Ruiz Zafón
§  Os Malaquias, de Andréa del Fuego
§  O pecado de Porto Negro, de Norberto Morais
§  Marcada para morrer, de Peter James
§  Gato Galáctico – a minha vida animada, de Ronaldo de Azevedo

E vocês, que leram? E que pretendem ler em março? Fico à espera das vossas respostas!

Balanço mensal - livros lidos e recebidos em janeiro


Janeiro é muito especial para os adultos cá da casa. Os dois somos “nativos” do mês que arranca o ano e celebramos o nosso aniversário com quinze dias de diferença. Ora, devem suspeitar que, sendo nós um casalinho amante das leituras, oferecemos leituras um ao outro e ainda recebemos mais leituras dos pais, amigos e familiares. O resultado é esta pilha que me rasga um sorriso pateta todas as vezes que me perco nela e que deve provocar alguma invejazinha boa em muitos de vocês. Eu entendo e perdoo 😊
Como se já não bastasse, à pilha de nove livros que fomos, eu e o maridinho, desembrulhando, juntaram-se dois miminhos que a editora Clube do Autor deixou na nossa caixa do correio. Melhor seria mesmo impossível!
Confesso que tudo o que desembrulhei justifica ainda mais o que, um dia destes, uma colega de trabalho me disse – “A vida sorri-te, não sorri?”. Dos homens da minha vida recebi Atos humanos, de Han Kang e A rapariga do casaco azul, de Monica Hesse. Este último constava da minha wishlist e foi o docinho do meu pequenote. O de Han Kang foi uma surpresa, que resulta das inúmeras conversas que tenho com o N. sobre títulos e obras com que vou tropeçando nos blogues que sigo, nas livrarias, no Goodreads ou nos comentários de quem me segue (não é verdade, Paula?). Referi uma noite qualquer o quão curiosa estava sobre esse romance brutal da autora sul-coreana e, pouco tempo depois, já o tinha comigo.
Da mulher da minha vida recebi carta-branca para comprar o que quisesse. Assim sendo, aproveitei uma das muitas promoções que me tentaram durante todo o mês, aliei-a a um cheque aniversário oferecido pela FNAC e encomendei dois dos inquilinos mais antigos da wishlist – A casa redonda, de Louise Erdrich, e O segredo dos seus olhos, de Eduardo Sacheri.
Novamente espicaçada pelas sugestões suculentas da Paula, comprei (com a permissão do papá) num domingo de manhã e com a Bertrand quase toda para mim, Deixem falar as pedras, de David Machado.
Por fim, os meus queridos sogrinhos ofereceram-me A escada de Istambul, de Tiago Salazar e continuaram, dessa forma, a dizimar a wishlist. Coisa boa!
Quinze dias depois era a vez do maridinho ser mimado como tão bem merece. O filhote presenteou-o com o calhamaço que lhe faltava do José Rodrigues dos Santos – Sinal de vida. Já eu mimei-o com outra das suas obsessões – uma obra sobre a Segunda Guerra Mundial – Os meninos que enganavam os nazis, de Joseph Joffo. Os papás seguiram o meu exemplo e deram-lhe a obra imortal de Primo Levi – Assim foi Auschwitz.
Dois aniversários, nove novas leituras. Apetece-me dizer que o Natal se repetiu em nossa casa apenas umas semanas depois e que temos as prateleiras de livros para ler a rebentarem e a vergarem com o peso de seguramente mais de quarenta obras que esperam que as saboreemos com dedicação, prazer e um sorriso que ilumina o mundo!
Para rematar a primeira parte deste balanço, agradeço muito, muito, muito à editora Clube do Autor que continua a confiar em mim e me enviou o thriller Marcada para morrer, de Peter James (já li e ouvi comentários muitos positivos sobre outros thrillers do autor) e o romance A herdeira dos olhos tristes, de Karen Swan, que, segundo a capa, aborda “um desejo de liberdade ou a fuga de uma vida que não se desejou”. Serão duas leituras para muito em breve, por isso estejam atentos!

Aqueles que vão espreitando o blogue com assiduidade sabem que janeiro foi sobretudo o mês de Carlos Ruiz Zafón. Arranquei o ano com a releitura de A sombra do vento e tenho plena consciência de que voltar à narrativa desta obra foi a forma mais perfeita de iniciar o meu ano. Simplesmente perfeita, ainda mais saborosa do que a leitura que fiz há dez anos. Embrenhei-me e perdi-me na narrativa, nas sombras de Barcelona e na magistralidade com que o autor engendrou uma história que nos abana, que nos faz engolir as páginas, saltar de donde estamos no tempo e no espaço e querer não sair mais, ficar presos, presas a uma história mágica, repleta de sombras, de claridade, de dor, de esperança, de amores, de ódios, de risadas e sobretudo de livros, livros esquecidos e malditos. Obra soberba e merecedora de uma nota que rebenta a escala.
A segunda leitura do mês foi-me enviada no final de 2017 pela editora Clube do Autor. As lágrimas de Aquiles foi a obra de estreia do autor José Manuel Saraiva, de quem li há muitos anos Rosa Brava. Aborda a guerra do Ultramar e o quanto esta ceifou vidas de muitos soldados, mesmo que os mesmos não tenham perdido a vida em Moçambique, em Angola ou na Guiné. É uma narrativa amarga, que nos dói, que mostra uma maturidade de escrita surpreendente e que recomendo muito.
Da editora Clube do Autor veio igualmente a minha terceira leitura. Desta vez, tive que pôr de lado a aversão que confesso sentir por Miguel Sousa Tavares enquanto homem e deixar-me encantar pela história juvenil que compõe O planeta branco. Li-o de uma assentada porque é composto por poucas páginas (muitas delas ilustradas) e porque a história que conta cativa miúdos e graúdos e está repleta de mensagens ecológicas e de algo mais, algo que nos leva a entender o que de verdade é esse planeta branco. Atrevam-se a lê-la com os vossos filhos e vão ver que não se arrependem!
Para recordar aquilo que nunca deveria ter acontecido, li e adorei O rapaz do caixote de madeira, de Leon Leyson. É um livrinho pequeno, mas inesquecível, que nos conta em primeira pessoa quem foi Leon Leyson e como a sua vida de rapazinho judeu foi barbaramente trespassada pelo jugo nazi e como sobreviveu ao que poucos como ele sobreviveram apenas porque teve a sorte de ter conhecido e trabalhado para Oskar Schindler. Foi, como é fácil de calcular, uma leitura muito dorida e muito emotiva, mas que não trocaria por nenhuma outra, pois, por mais leituras do género que faça, continuo, por um lado, a não conseguir assimilar as atrocidades inenarráveis que cometeram alguns homens apenas porque se consideravam superiores a outros e, por outro, a precisar de recordar todos aqueles que morreram às mãos desses seres abjetos.
Finalizei o mês de volta a Barcelona, à livraria Sempere e Hijos e à deliciosa companhia do homem narigudo que me conquistou para sempre. Reli O prisioneiro do céu e agradeci inúmeras vezes ao autor ter oferecido as páginas do terceiro volume da saga de O cemitério dos livros esquecidos Fermín Romero de Torres, permitindo-me conhecê-lo melhor, deliciar-me com as suas tiradas e ficar com desejos de ter uns Sugus pertinho de mim, para confirmar se realmente têm essas propriedades curativas de males físicos e psicológicos que Fermín afirma terem. Este volume não é tão bom como A sombra do vento, mas não fica longe da pontuação máxima, sobretudo porque uma obra que tenha Fermín será sempre uma obra perto da genialidade!

Cinco obras lidas. A uma dei uma pontuação que rebentou a escala, a outra dei a pontuação máxima, a duas atribuí-lhes um nove e à que sobra dei-lhe um oito. Não poderia ter começado melhor o ano!
E o vosso janeiro? Leram muito? Compraram muito? Receberam algum miminho? Fico à espera dos vossos comentários!

Termino deixando-vos os links para acederem à opinião completa das obras lidas este mês:
§  A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón
§  As lágrimas de Aquiles, de José Manuel Saraiva
§  O planeta branco, de Miguel Sousa Tavares
§  O rapaz do caixote de madeira, de Leon Leyson
§  O prisioneiro do céu, de Carlos Ruiz Zafón