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Amores secretos, de Kate Morton



Ficha técnica
TítuloAmores secretos
Autora – Kate Morton
Editora – Suma de Letras
Páginas – 564
Datas de leitura – 20 a 31 de agosto de 2018

Opinião
Quinto livro que leio de Kate Morton e quinto livro a que dou a classificação máxima. Terminei-o no último dia de agosto, enquanto fazia uma curtinha viagem de carro (o maridinho conduzia enquanto eu devorava as derradeiras páginas da obra), junto à costa. Terminei-o lavada em lágrimas (não há maneira de a fonte secar…) e, mal o fechei, acariciei a capa, coloquei-o encostadinho ao meu peito e senti aquilo que sempre sinto quando me despeço de uma leitura que me absorve por completo – uma sensação de perda e de vazio que ainda se mantém comigo e que obviamente “manchará” as leituras que se lhe seguirem…
Adoro tudo o que Kate Morton escreve e dói-me saber que, neste momento, não tenho na estante nenhuma obra sua por ler. Sinto-me órfã das tramas que ela tão habilmente urde, da personalidade cativante e vincada das suas protagonistas – mulheres determinadas, que lutam pelo seu mundo, pela sua família, pelos seus ideais – e do cheirinho de mistério e suspense que perpassa por todas as suas narrativas. Tomei conhecimento através de ti, Paula, que o lançamento da sua sexta obra será ainda este mês e rezo a todos os deuses do mundo das editoras e publicações que não demore muito a chegar a Portugal a correspondente tradução de The Clockmaker’s Daughter, porque temo que não aguentarei muito tempo sem ler Kate Morton!...
Bom, virando agora a atenção para Amores Secretos, o que me apraz dizer em primeiro lugar é que a receita continuou a ser a mesma e que resultou na perfeição tal como havia resultado nos outros quatro livros que li da autora – apresenta-nos uma narrativa que intercala o presente com o passado, protagonistas femininas de pelo na venta, espaços rurais e urbanos de Inglaterra e um segredo familiar que está por descobrir e desvendar. Num dia de verão do início da década de 60 comemora-se o aniversário de um dos filhos da família Nicolson com um piquenique junto ao riacho que corre perto da casa onde vivem. Laurel, a primogénita, preguiça na casa da árvore quando se apercebe de que a sua mãe deu uma saltada a casa para ir buscar a faca que sempre utiliza para cortar o bolo de aniversário. Traz ao colo Gerry, o caçulinha da família, e não se apercebe da chegada de um desconhecido a não ser quando este se detém à sua frente e lhe dirige a palavra. Do alto da árvore, Laurel entra em choque ao assistir à reação da mãe – levanta a faca que trazia na mão, espeta-a no torso do desconhecido e mata-o.
Este é o ponto de partida, repleto de mistério e frenesim, para uma história que saltita entre 2011 e 1941, entre ambientes rurais e uma Londres destroçada pelos contínuos bombardeamentos alemães e entre três mulheres inesquecíveis – Laurel e sobretudo Dorothy e Vivien. Vamos conhecendo cada uma delas, o que as liga e vamos salivando e sofrendo em busca de respostas para aquele final trágico de uma tarde que assombrou as vidas de Laurel e da sua mãe, Dorothy. O final é ribombante, dorido, agridoce, perfeito (pelo menos para mim) e deixou-me como me deixaram todos os finais das outras obras – satisfeita, saciada, mas aparvalhada, perdida, desamparada e órfã.
Não sei mais que vos diga… Foi uma leitura sublime, como já adivinhava que iria ser, mesmo que algures tenha tido vontade de torcer o pescocito de uma determinada personagem… Mas até isso demonstra a habilidade desta autora que me conquistou de forma irremediável!
Sei que já pedi isto muitas vezes, pelo menos em todas as opiniões que escrevi sobre as obras de Kate Morton, mas não me irei cansar de o pedir até que consiga o que pretendo – que aqueles que se mordem por uma BOA história leiam esta fantástica autora australiana e se deliciem com ela tanto como eu! Façam-no, por favor!

NOTA – 10/10 (obviously)

Esta foi a décima segunda leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro que compraste pela capa.

Sinopse
Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer.
Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido.
O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres — Dorothy, Vivien e Jimmy — e cujos destinos ficaram para sempre ligados.
Uma fascinante história de segredos e mistérios, de um crime obscuro e de um amor eterno. Mais um livro inesquecível de uma das autoras de maior sucesso dos nossos tempos.

O último adeus, de Kate Morton


Ficha técnica
TítuloO último adeus
Autora – Kate Morton
Editora – Suma de Letras
Páginas – 616
Data de leitura – de 12 a 21 de outubro de 2017

Opinião
Este mês vai ser curto em leituras, sobretudo porque viajei de um calhamaço para outro. De calhamaço de 494 páginas para outro de 616. São mais de 1000 páginas reunidas em apenas duas narrativas. Daí o número reduzidinho de obras lidas. Mas caramba, que importam números e quantidades quando aterram nas minhas mãos histórias tão sumarentas como as que saem do engenho e arte de Joanne Harris e de Kate Morton? Uma ninharia, importam uma ninharia.
O último adeus é a quarta obra que saboreio da australiana Kate Morton. E tal como as suas antecessoras, esta história que percorre espaços lindíssimos da Cornualha e as ruas movimentadas de Londres agarrou-me, prendeu-me, colou-me às suas páginas e comprovou o que não precisava de mais nenhum comprovativo – as obras desta autora cumprem as minhas expectativas, melhor dizendo, ultrapassam as expectativas que já de si são sempre elevadíssimas. Quarta obra lida, quarta obra a que atribuo a nota máxima.
O mote é familiar – uma recordação, uma carta, uma herança, uma casa abandonada descoberta por acaso. Algo que sacode a vida de uma jovem e que a “obriga” a escarafunchar um passado remoto abalroado por um acontecimento marcante ou trágico. Em O último adeus, Sadie, uma inspetora da Scotland Yard, refugia-se em casa do avô, na região da Cornualha, para esquecer o que a levou a ter que ausentar-se do trabalho. Numa das habituais corridas matinais, “tropeça” num jardim e numa casa abandonados. Espreita por uma das janelas e constata que no seu interior tudo está exatamente como era há setenta anos, como se os donos tivessem abandonado a casa sem olhar para trás, sem se preocuparem em levar nada consigo. Intrigada e com o seu faro de inspetora em alerta máximo, Sadie tudo faz para descobrir o que se terá passado naquela magnífica mansão e acaba por descobrir que no dia do solstício de verão do ano de 1933, o filho do casal Edevane, um bebé de pouco mais de um ano, desaparecera misteriosamente e nunca mais fora encontrado.
Os dados estavam assim lançados para uma leitura vertiginosa, que me fez, tal como aconteceu com as outras obras de Kate Morton, avançar desenfreadamente página atrás de página, saltar sem descanso do ano de 2003 para o início do século XX, para anos como os de 1911 ou 1933, conhecer e apaixonar-me por um conjunto de personagens fascinantes e voltar a render-me aos encantos da Cornualha (espaço que habita também a obra O Jardim dos segredos), uma região que tenho mesmo que visitar. Nos nove dias em que a obra não saiu do meu lado, bastava-me fechar os olhos para empreender uma viagem que me levava para junto de personagens que iluminaram e encheram os meus dias de uma luz e de um brilho ainda mais intenso. Senti-me como mais um elemento da família Edevane, senti-me como mais uma neta de Bertie, o avô de Sadie, vi-me ao lado desta muitíssimas vezes, a vasculhar, por um lado, jornais e outras provas que desde há setenta anos estavam à espera de que alguém as consultasse e a observá-la, por outro, a ampará-la sempre que se rendia ao desespero por não conseguir desvendar o mistério da criança desaparecida e nem conseguir encontrar um rumo para a sua vida.
Pressenti desde o início que esta seria uma leitura muito especial. Não esperava outra coisa de uma obra de Kate Morton. E como podem comprovar por tudo o que referi até ao momento, os pressentimentos cumpriram-se. Não só se cumpriram como se suplantaram. A autora sabe como poucos criar o ambiente perfeito para uma experiência também ela perfeita. A atmosfera possui a quantidade exata de mistério, de encantamento, de beleza, de sedução, as personagens enfeitiçam-nos, enredam-nos para que nos apaixonemos por elas, para que sintamos por cada uma delas uma forte ligação, os espaços por onde se movimentam são imagens que nos chegam como se as estivéssemos a ver num ecrã ou ao vivo e as emoções, os sentimentos, os dramas, as alegrias, os desesperos, as tentações rematam uma narrativa que é construída de uma forma muito simples, mas infalível.
  Já se passaram alguns dias desde que terminei de ler O último adeus. Entretanto li uma obra juvenil e estou no início de uma mais adulta. Contudo, ainda não saí de Loeanneth, ainda não fechei as portas da mansão da família Edevane. Não consegui ainda dizer um último adeus àquelas paredes quase centenárias e a todos que as habitaram ou as conheceram. Tenho saudades de Sadie, de Bertie, de todos os membros da família Edevane, mas a quem me está a custar mais dizer esse último adeus é a Eleanor, a mulher que criou três filhas enquanto o marido lutava pela pátria na Primeira Grande Guerra, que manteve a promessa que lhe fez, que se viu de um momento para o outro “órfã” do seu menino pequenino e que me conquistou por isto e por tantas outras facetas que não posso e nem devo revelar.
Kate Morton voltou a fazê-lo. Voltou a arrebatar-me, voltou a chocalhar o meu mundinho das leituras, voltou a deixar-me sedenta de mais histórias como muito poucos como ela sabem oferecer-me! Tão, mas tão bom que foi!
Rogo-vos – experimentem, leiam-na! Garanto-vos que vale a pena!

NOTA – 10/10

Sinopse
O melhor romance da autora reconhecida mundialmente pelo público e a crítica.
Numa majestosa casa de campo inglesa um miúdo desaparece sem deixar rasto. Setenta anos depois Sadie Sparrow, de visita a casa de seu avô, encontra uma mansão abandonada. Espreita através de uma janela e sente que alguma coisa terrível aconteceu nessa casa.

As horas distantes, de Kate Morton


Ficha técnica
TítuloAs horas distantes
Autora – Kate Morton
Editora – Porto Editora
Páginas – 528
Datas de leitura – de 22 de março a 06 de abril de 2017


Opinião

Paredes antigas que entoam as horas distantes.” (pág. 63)

Bastaram três livros para que Kate Morton se tornasse numa das minhas autoras preferidas. Melhor dizendo, bastaram dois, pois este que acabei de ler há uns dias serviu apenas de confirmação.
Já o afirmei e repito-o – não considero esta autora australiana um “monstro” da literatura. Não o é, mas também não necessita sê-lo, pois tudo o que escreve, as histórias que engendra, as personagens que concebe, os inúmeros saltos temporais que apimentam a narrativa, os cenários onde esta se desenrola, tudo é sinónimo de prazeres perfeitos e de leituras que nos enchem, que extravasam para além das páginas das correspondentes obras e se enroscam em nós indefinidamente.
Depois de ter lido e devorado O Jardim dos segredos e O segredo da Casa de Riverton, admito que tinha expectativas elevadíssimas, mas estava certa de que esta narrativa que me levaria de novo para terras misteriosas da Inglaterra não as defraudaria. Bem pelo contrário. Iria preencher-me os dias com minutos de leitura que passariam como se segundos fossem, iria desligar-me de tudo o que se passasse à minha volta e iria provocar-me a conhecida sensação agridoce que sempre se me produz quando tenho entre mãos uma história que quero devorar e ao mesmo tempo saborear pedacinho a pedacinho, para apoderar-me de todo o seu sabor.
Tal como acontece com as suas antecessoras, esta narrativa pula constantemente entre o presente – 1992 – e o passado – década de 1940, sobretudo. O elo de ligação entre estes dois tempos é uma carta que chega ao seu destinatário cinquenta anos depois e que desencadeia consequências imediatas em quem a abre e estranheza, suspeita e uma vontade incontrolável de querer saber mais em quem presencia o estado de choque do destinatário e obviamente no leitor.
Edie é uma jovem cuja vida se encontra posicionada numa encruzilhada. Recém-saída de uma relação, funcionária de uma editora sem perspetivas de futuro e filha única de um casal de classe média, a nossa protagonista testemunha o quanto a chegada de uma carta escrita há cinquenta anos perturba a sua mãe e sente-se obrigada a tentar perceber o que continha essa carta e quem são na verdade as irmãs Blythe, com quem a mãe passou uma temporada nos anos 40, época na qual muitas famílias londrinas enviaram as suas crianças para casas de famílias rurais para assim tentarem salvá-las dos bombardeamentos alemães.
Está assim lançado o ponto de partida para uma leitura repleta de mistério, de personagens que nos vão cativando e de toda uma panóplia de motivos suculentos que fazem o leitor querer ler mais um parágrafo, mais uma página, mais um capítulo, mais uma das cinco partes que compõem a obra. Para além de saltarmos no tempo, vamos viajando entre Londres e Milderhurst, onde se encontra o castelo homónimo e residência das irmãs Blythe, e vamos também alternando de narrador, pois sempre que voltamos ao presente, Edie assume esse papel enquanto nos múltiplos recuos ao passado, o narrador é heterodiegético. Vamos ainda travando conhecimento com um leque de personagens muito interessantes, algumas das quais habitam as duas épocas. É o caso obviamente das três irmãs Blythe e da mãe de Edie (apenas para nomear aquelas que têm um papel mais preponderante na trama).
Quem está familiarizado com a obra literária de Kate Morton, sabe que a autora preza o universo feminino e que são as mulheres, tenham a idade que tenham, que movem a narrativa, que lhe dão, para além de movimento, cor, intensidade, emoção, vida. Em As horas distantes, temos o privilégio de conviver com cinco mulheres determinadas, umas mais pragmáticas, outras mais sensíveis, mais emotivas, mas todas elas dotadas de um poder e de um magnetismo que não nos deixam indiferentes. Nem poderia ser de outra forma.
Outra razão que me impele a corroer-me de uma vontade irrefreável em devorar tudo o que esta autora australiana escreve são os cenários nos quais as personagens deambulam em busca de respostas a variados mistérios. Se nas obras anteriores tinha ficado atrapada pelos encantos e segredos de uma casa senhorial e de um jardim, desta vez não consegui resistir às paredes antigas e conhecedoras de um castelo, que entoam, se nos detivermos a escutá-las, horas e histórias distantes. O castelo de Milderhurst, com o seu aspeto imponente, majestoso e que resiste com a dignidade possível à implacável passagem do tempo provoca, em quem o visita, emoções e sensações antagónicas. Quando Edie se aproxima das suas paredes pela primeira vez, entendemos, como se fôssemos nós mesmos a aproximar-nos, que os calafrios de medo e angústia que a povoam lutam em pé de igualdade com uma atração irresistível que guia os seus passos e a levam a querer e a não querer ali estar, a querer e a não querer visitar mais uma dependência degradada, a querer e não querer percorrer espaços que há cinquenta anos atrás tanto seduziram a sua mãe.
Como se tudo isto não bastasse, a autora ainda apimenta a narrativa com múltiplos segredos que vamos desvendando até às derradeiras páginas e revelando na altura certa as múltiplas camadas que moldam o carácter e a vida cada uma das suas fascinantes personagens. Abri os braços e deixei que cada uma das irmãs Blythe – Percy, Saffy e a deliciosa Juniper – e Edie e a sua mãe se acocorassem no meu colo, porque todas, sem exceção são arrebatadoras e merecedoras de um lugar de destaque no leque de personagens inesquecíveis.
As horas distantes proporcionaram, como não é difícil de adivinhar, uma leitura soberba, da que não vou “desprender” tão cedo e que me faz repetir aqui aquilo que disse ao maridinho mal a terminei – “Das cinco obras que Kate Morton já publicou, eu já li três, isto é, já li mais do que as que me faltam… Oxalá ela nos brinde com uma obra nova muito em breve para equilibrar a balança – três lidas, três não lidas…
Para finalizar, reitero um desejo que já formulei aquando da leitura das outras obras – quem ainda não leu Kate Morton deve fazê-lo o quanto antes, porque está a perder experiências de leitura com um sabor único! Recomendo vivamente Kate Morton, rogo encarecidamente para que leiam todas as suas obras!

NOTA – 10/10


Sinopse
Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...
Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.

No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

O segredo da casa de Riverton, de Kate Morton


Ficha técnica
Título – O segredo da casa de Riverton
Autora – Kate Morton
Editora – Porto Editora
Páginas – 477
Datas de leitura – de 29 de agosto a 04 de setembro de 2016

Opinião
Estou com alguma dificuldade em pôr em palavras o quanto adorei regressar ao universo de Kate Morton… Nem sempre me debato com este género de dificuldades, contudo quando me entrego avidamente a uma leitura, dou frequentemente comigo a olhar para o teclado, sem ser capaz de acalmar o turbilhão que se desenrola na minha cabecinha…
Desse turbilhão que me assalta ainda hoje (depois de já ter devolvido o livro à estante há quatro dias), sobressaem expressões, títulos, autores, características literárias como Jane Eyre, O monte dos vendavais, Emily Brontë, Jane Austen, Downton Abbey, literatura inglesa, gótico, Heathcliff e Catherine… E destaca-se com mais clareza ainda que não é preciso que uma obra seja brilhantemente escrita, profunda, que levante questões intrínsecas à vida para que me conquiste e se cole a mim que pareça uma extensão das minhas mãos.
O segredo da Casa de Riverton possui assim características certeiras para uma rendição total. A autora recorre às mesmas ferramentas que recorrerá em O jardim dos segredos (cronologicamente esta última é posterior). Explora sobretudo duas épocas temporais – o presente e um passado algo longínquo – e estende entre os dois fios, teias que nos obrigam a querer ler mais uma página, mais um capítulo, mais. Num tempo e no outro a ação alimenta-se de personagens atraentes, dentro das quais se evidenciam duas protagonistas (mais uma vez femininas) fascinantes, detentoras de uma personalidade muito bem moldada e vincada, por quem me apaixonei e de quem me tornei a mais acérrima defensora. Por fim e não menos importante, o elo que prende os finais do século XX aos que intervalaram a Primeira Grande Guerra e os loucos anos 20 volta a ser uma entusiasmante aura de mistérios recheados com segredos familiares que obviamente só são desvendados bem no finzinho da obra.
Grace entra em Riverton aos 14 anos pela entrada de serviço e sairá de lá já uma mulher feita, conhecedora de todos os cantos daquela casa e da família que nela habita há várias gerações. Começará como criadita para todos os serviços e terminará como criada pessoal da senhora da casa. Observará como todas as decisões que tomar e como a sua visão da vida serão moldadas, influenciadas pelo que fizer, presenciar e participar no interior das paredes da casa de Riverton. Escapará de lá detentora da resposta ao mais terrível segredo que manchou a história da família Hartford. Carregá-lo-á consigo e apenas se libertará dele quando morre.
Hannah Hartford é a segunda filha de Frederick Hartford, o segundo filho de Lord e Lady Ashburn. É o paradigma da jovem aristocrática que pretende romper a todo o custo a malha de tradições e convencionalismos que a obrigam a ser um objeto vivo de decoração, cujos objetivos principais passam por saber um pouco de línguas, um pouco de música, um pouco das artes de bem receber e sonhar que a sua apresentação oficial à sociedade seja seguida de um bom casamento, com um bom marido que lhe dê uma boa prole com que se entretenha enquanto mulher casada.
Entre estas duas mulheres, provenientes de estratos sociais bem distintas nascerá uma relação de cumplicidade e confiança que determinará em muito o desenvolvimento e desfecho da ação. Para além delas, existe um bom leque de personagens mais ou menos secundárias mas que ajudam a colorir os cenários das duas épocas e tornar a leitura ainda mais agradável e emocionante. Destaco, por razões muito próprias, Robbie, Alfred, Mr. Hamilton, Sra. Townsend e Ursula.
No início deste texto referi que, do turbilhão de emoções e ideias que habitava a minha cabecinha, ressaltavam alguns títulos de obras e correspondentes autores, de uma série de televisão e características associadas. Downton Abbey foi, sem dúvida alguma, a série televisiva que mais me apaixonou nos últimos tempos. Por tudo. Pelo brilhantismo com que foi criada, pelo perfeccionismo e detalhe postos na contextualização epocal, na conceção de todo o elenco das personagens, na música do genérico… Enfim, a cereja no topo do bolo da genialidade das séries britânicas. Ao ler O segredo da casa de Riverton voltei a entrar em Downton Abbey – vi em Mr. Hamilton o mordomo Carson, a Sra. Townsend fez-me recordar Mrs. Patmore, Hannah tem traços de Mary Crawley e toda a mecânica associada ao pessoal, aos criados, o espaço na casa reservado aos mesmos, a deferência aos patrões, a noção de que tudo que se passa upstairs stays upstairs, a inexistência de uma vida própria fora dos muros de Riverton, ou seja, Grace, Nancy, Alfred. Mr Hamilton e o resto do pessoal apenas vivem para servir os senhores, enfim tudo isto e outras coisas mais permitiram um regresso nostálgico ao mundo da aristocracia britânica dos princípios do século XX.
Com esta obra retornei também aos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Deixei que os amores doentios e desenfreadamente intensos de Catherine e Heathcliff me preenchessem enquanto os comparava à principal história de amor de O segredo da Casa de Riverton. Deixei que a aura gótica, misteriosa e de amores impossíveis da literatura romântica do século XIX se encostasse a mim enquanto devorava as páginas da obra de Kate Morton. Senti saudades de Jane Austen e das irmãs Brontë. E finalmente viajei, mais uma vez mas com o deslumbramento de uma primeira viagem, a momentos da História que me empolgam como ao meu filhote e à minha amiga Nancy lhe brilham os olhos, o rosto, a alma quando mencionam a palavra “chocolate”!
Resumindo, já vão dois livros de Kate Morton a que dou nota máxima. Venham os restantes três já publicados!

NOTA – 10/10

Sinopse
Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?
Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.
Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
 Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.

 Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor. 

O Jardim dos segredos, de Kate Morton


Ficha técnica
Título –  Jardim dos segredos
Autor – Kate Morton
Editora – Porto Editora
Páginas – 551
Datas de leitura – de 01 a 08 de maio de 2016


Opinião
Há livros que nos encantam da primeira à última página, que nos seduzem e nos enredam numa teia de mistério, encantamento, sedução e empolgamento que faz com que seja impossível, inimaginável largá-los antes de alcançar a sua página final. Aí, quando lemos as derradeiras palavras, instala-se um sentimento de saciedade, de prazer satisfeito e, de olhos fechados e sorriso nos lábios, abraçamos mais uma vez o livro, partilhamos pensamentos com as personagens e agradecemos com devoção a quem foi capaz de criar tal compilação de deliciosos momentos de leitura.
Kate Morton pode não ser a melhor escritora do mundo. Não consigo compará-la com, por exemplo, José Saramago, Gabriel García Márquez, Javier Marías ou qualquer outro autor que se preza pelo amor à literatura, a um estilo cuidado, detalhado, rico, denso e que nos proporciona momentos de reflexão, de intimidade e conhecimento próprio. Contudo, esta autora australiana conquistou-me irremediavelmente, entrou-me na alma apenas com uma obra que, apesar de não ser dona de um estilo e de uma escrita muito elaborados e complexos (como tanto gosto, porque me desafiam), me prendeu desde o parágrafo inicial e me obrigou a ler de forma quase compulsiva mais de quinhentas páginas.
Uma criança inglesa perdida, que desembarca completamente só num porto do outro lado do mundo, sem nada que a identifique e que é acolhida por um casal desesperado por ter filhos. Um segredo que apenas é revelado muitos anos depois. Uma neta que se vê a braços com a morte dolorosa da sua avô e com uma correspondente herança que a deixa perplexa. Dois países separados por milhares de quilómetros de mar. Um punhado de mulheres extraordinárias, determinadas, destemidas que me arrebataram e me fizeram querer saber mais, querer conhecê-las, querer segui-las, querer acompanhá-las. Uma história onde todos estes elementos se misturam e se unem para produzir uma narrativa poderosa, que nos deixa em pulgas, com uma vontade infinita de chegar ao seu final e ao mesmo tempo de não o fazer, de continuar ao ladinho de Cassandra, de Nell e sobretudo de Eliza, a personagem mais marcante e que de certeza absoluta não deixará ninguém indiferente. Que mulher, que mulheres!
Poderia prolongar indefinidamente esta opinião, poderia seguir elogiando a obra, valorizando a sua história, as suas personagens cativantes e merecedoras da nossa admiração, poderia continuar a desenrolar o novelo, a exaltar o quanto fiquei enfeitiçada pelas descrições das paisagens inebriantes da Cornualha (um destino a considerar seriamente para uma futura viagem), mas prefiro não estragar (mais) o prazer, o fascínio e o deslumbramento de quem ainda não leu esta obra e o queira fazer. Todos merecem penetrar nela imaculados, porque tenho a certeza de que, se assim for, irão saboreá-la tanto ou mais do que eu.
Leiam esta obra, por favor! Peguem nela e deslumbrem-se, porque não se arrependerão!

NOTA – 10/10 (merecidíssima)!

Sinopse
Uma criança perdida: em 1913 uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto. 
Um terrível segredo: no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst. 

Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.