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O décimo círculo, de Jodi Picoult

Segunda-feira, 28 de dezembro de 2011






Sinopse:
Daniel Stone era o único rapaz branco da vila esquimó do Alasca onde a mãe dava aulas. Por ser diferente, todos troçavam dele sem misericórdia e ele retribuiu tornando-se o pior dos adolescentes, roubando, bebendo e assaltando, até um dia deixar a vila. Quinze anos depois, Daniel é uma pessoa totalmente diferente: um pai calmo e atencioso, autor de banda desenhada, casado com uma professora que dá aulas sobre Dante e o seu Inferno. Trixie, a filha de ambos, é tudo para Daniel.
Mas toda esta calma é perturbada no dia em que Trixie é violada numa festa e Daniel começa a debater-se novamente com uma impotência e uma raiva que podem destruí- lo a si e à sua família.
O Décimo Círculo questiona até onde somos capazes de ir por alguém que amamos e quantas vezes somos capazes de nos reinventar até os nossos erros desaparecerem para sempre ou voltarem para nos assombrar quando menos esperamos.
Mas este livro mostra que existe mais do que uma maneira de contar uma história. No livro encontramos também a banda desenhada de Daniel Stone que conta a história de uma rapariga que é raptada pelo diabo e levada para o inferno de Dante, e do pai que literalmente desce ao inferno para salvá-la.
Este livro viaja desde os corredores de um liceu moderno até uma vila isolada no Alasca, e do inferno até ao coração desfeito de um pai.


A minha estreia no universo de Jodi Picoult foi, ao mesmo tempo, estreia e despedida, porque O décimo círculo não me convenceu… A sinopse prometia. E o tema principal também – uma adolescente é violada pelo ex-namorado e, pouco depois, este aparece morto. A partir destes acontecimentos dramáticos desenrolam-se outros temas que poderiam tornar a narrativa mais entusiasmante, mas ou porque a trama é confusa ou porque a imensidade de temas não permite que estes sejam aprofundados, esse entusiasmo não apareceu…

Quando Lisboa tremeu, de Domingos Amaral

Quarta-feira, 15 de dezembro de 2011





Sinopse de Quando Lisboa tremeu:
Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com a sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, uma ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tetos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro, e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros.

Tal como podemos depreender pela leitura da sinopse, este romance de Domingos Amaral retrata o fatídico e devastador terramoto de 1755 e as consequências que o mesmo teve na vida de todos os lisboetas, desde a realeza até aos foragidos da justiça.
É de leitura leve, fácil e oferece-nos, pelo menos para mim, mais uma visão do que foi o principal desastre natural que assolou o nosso país.



As 3 vidas, de João Tordo

Sábado, 27 de novembro de 2011




Estreei-me no mundo literário de João Tordo com este romance que ganhou o Prémio Literário José Saramago. E que prémio bem entregue!
As 3 vidas é um romance repleto de mistério que nos impele a ler mais e mais e a ficar cada vez mais surpreendido com a imaginação do autor e com o seu estilo de belo “contador de histórias”.
João Tordo é mais um exemplo da nova geração de escritores que se deve seguir com toda a atenção!

Aqui fica a sinopse do primeiro de muitos romances que espero saborear de João Tordo:
Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.

Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e, desvendando o passado turbulento do seu patrão - na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do «outro». Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual ela se sustém.

Diário Inédito, de Vergílio Ferreira

Quarta-feira, 17 de novembro de 2011




Vergílio Ferreira é um dos meus “génios” literários – não há dúvida que Aparição é um dos livros da minha vida!
Ofereceram-me o seu Diário Inédito no meu aniversário (já lá vão alguns mesitos), mas só agora a ordem cronológica pela qual vou lendo permitiu que chegasse às minhas mãos. Embora não seja o género literário que mais aprecio, a leitura de este Diário foi frutífera e dei comigo a sublinhar algumas passagens com as quais me identifiquei e que passo a transcrever:
Trabalho, luto sempre. Por amor, por ódio, por vaidade? Quem pode traçar o limite à qualidade dos impulsos humanos? Por mim suponho que, se insisto em escrever, é apenas porque não descubro outro sentido para dar à vida. Ninguém vive sem um significado. Os próprios madraços acham na indolência o seu caminho da verdade. Está bem: luto em ódio, em vaidade. Se assim é, bendita vaidade, bendito ódio, porque são eles que me fazem sentir estes braços, este corpo, esta necessidade de ser mais um que vive.”
Uma bela descrição de Torga:
“Saiu agora mesmo do ventre da serra, mãos escorrendo húmus, olhos assombrados, possantemente telúrico. Cava a sua prosa a enxadão. Carrega uma manta de giestas e urze. Deve dormir nas fragas e caçar de pederneira. A gente acha que uma vida assim não é de homem, mas de lobisomem. Pois é vê-lo a justificar-se. Berra que a sua pena de artista é honrada e natural. Apresenta-se de braços caídos e de peito aberto. Que o vejam por dentro e por fora. Que lhe sintam na arca peitoral o respirar das montanhas. Que lhe palpem a ossatura e digam se aquilo é ou não granito de cantaria.”

“Inteira
no sabor
de uma dor.
Verdadeira
na cor
de uma flor.
Exacta em cada momento,
e no instante do movimento
mentida

– Vida.” 

O poder e a glória, de Graham Greene

Quinta-feira, 11 de novembro de 2011





Este romance - o mais lido no século XX, em língua inglesa - é fruto de uma viagem que Graham Greene fez às terras de Tabasco para conhecer a perseguição religiosa que teve lugar nos anos vinte, no México.
O livro descreve as peripécias e os dramas do único sacerdote católico que continuava a exercer, clandestinamente, o seu ministério. Perseguido pela polícia, carregava consigo as cicatrizes do tempo: os gestos denunciavam um passado diferente e um temor em relação ao futuro. Não era nem herói nem santo, vivia como fugitivo, cheio de medos, com a consciência de ser um pecador, com o remorso de ter uma filha e, embora debilitado pela bebida, dizia zombeteiramente que com um pouco de conhaque era capaz de desafiar o demónio.
Um romance comovente em que, para este padre perseguido e fraco, a fé é uma certeza que não se deixa determinar pelas misérias.


Este é o segundo livro que leio de Graham Greene e, apesar de não ter tido em mim o efeito que teve O Fim da Aventura, confirmo que é uma grande obra, a intensidade psicológica da personagem principal é admirável e algumas passagens são soberbas.


O rapaz de olhos azuis, de Joanne Harris

Sábado, 29 de outubro de 2011





É sempre com muita expetativa que começo a ler uma obra de Joanne Harris! Desde que li Chocolate, Cinco Quartos de Laranja ou A Praia Roubada, estou sempre à espera de ser arrebatada por histórias e personagens nada banais, com enredos surpreendentes e que nos prendem irremediavelmente até ao final, deixando-nos com um sorriso de satisfação nos lábios e a sensação de que lemos um BOM livro!

Contudo, para grande tristeza minha, O Rapaz de Olhos Azuis não teve em mim o mesmo efeito que os “seus romances irmãos”… Conta-nos a história de Benjamin, filho de uma viúva e irmão de Nigel e Brendan. Os três foram associados pela mãe a três cores – Benjamin ao azul, Nigel ao preto e Brendan ao castanho. Para além destas personagens, vamos travando conhecimento com outras, não só através do webjournal de Benjamin, como também através das suas recordações, e deparamo-nos com o que é típico dos romances de Joanne Harris – personagens diferentes, muitas vezes inadaptadas e, neste caso, vivendo relações baseadas em sentimentos de ódio, rejeição e medo.

Mas… mesmo tendo consciência desses pormenores típicos da autora e que me fazem uma sua admiradora, não consegui sentir-me “agarrada” pela narrativa nem pelas personagens… não me deu aquela satisfação ler página após página e confesso que me senti algo aliviada quando terminei a obra… que sensação agridoce…

O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Terça-feira, 11 de outubro de 2011


(RELEITURA)


"«É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indiretamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno ato de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)"

Sou uma admiradora incondicional de José Saramago, disso nunca houve nem haverá dúvida. Para mim, o nosso Nobel é genial e encontro essa genialidade em toda a sua obra, que já me acompanha desde os meus 17/18 anos e que marcou como leitora como nenhuma outra!
Contudo, havia uma falha imperdoável na minha coleção saramaguiana – faltava lá o livro que ficou célebre por razões tudo menos literárias, pela estupidez e tacanhez de políticos cuja mentalidade, infelizmente, ainda reina lá para as bandas de “São Bento”…
Li O Evangelho segundo Jesus Cristo pela primeira vez há mais de 15 anos, emprestado por um amigo, e agora, já com um exemplar “todinho meu”, voltei a lê-lo, com mais maturidade, mais prazer (se isso é possível) e, que posso dizer?... É Saramago em todo o seu esplendor, é um exemplo mais da sua genialidade e da inegável qualidade literária da sua escrita!
Tal como acontece em outras obras de Saramago, esta não é exceção no que diz respeito à homenagem que o autor faz aos sofredores, àqueles que vivem uma vida sofrida e que não são bafejados por nenhuma sorte. No meio deles, encontramos um Jesus Cristo humanizado, que nos aparece como um joguete nas mãos de um Deus implacável, castigador, apaixonado por Maria Magdala (que bem que José Saramago constrói as personagens femininas – faz-me sempre sentir ainda mais orgulho em ser mulher J) e que tenta viver a sua vida e ajudar os outros através da sua inquestionável bondade, à revelia do seu “pai”.

Concluindo, como alguém que não acredita em religiões e que questiona como é que esse Deus castigador, cruel, implacável possa ser aquele que, segundo a religião católica, criou o Homem à sua imagem e semelhança e o colocou na Terra para sofrer, não posso deixar de me associar à mensagem desta obra de Saramago – religião não pode nem deve estar relacionada com culpa, com remorsos e com um eterno medo do castigo divino.


A queda dos gigantes, de Ken Follett

Quinta-feira, 15 de setembro de 2011




Depois de quase um mês a carregar um calhamaço de 921 páginas, acabei finalmente de ler o primeiro volume da trilogia O Século, de Ken Follett. Em A queda dos gigantes, que aborda o período histórico de 1911 a 1925 (mais uma obra que centra a sua ação na Primeira Guerra Mundial!), travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Do País de Gales, a família de Billy e Ethel, símbolos da classe operária mineira; de Inglaterra, a família de Fitzherbert, aristocrata, conservadora e que representa o preconceito e a injustiça social; da Alemanha, a família de Walter, que nos mostra, por um lado, o tradicionalismo alemão do pai de Walter e, por outro, a juventude deste, que se batalha pela modernidade e democracia; da Rússia, a família Pechkov, que acompanha muito de perto o derrube do regime cazarista e consequente instauração do bolchevismo; e finalmente, dos Estados Unidos, a família de Gus, que é a imagem de um país visto (como já é costume) como “the promised land”, onde todos os sonhos se realizam.
Confesso que o tamanho considerável desta obra não me desmoralizou e que a li com bastante satisfação. Considero que Ken Follett não é o melhor romancista histórico da literatura internacional (o seu estilo não prima pela complexidade, a sua “obsessão” em pôr no mesmo cenário e a dialogar personagens reais e fictícias faz-me alguma confusão), mas há que lhe tirar o chapéu no que diz respeito à pesquisa exaustiva que faz na preparação de qualquer dos seus romances e que se traduz numa fidelidade histórica que se coaduna satisfatoriamente com a narrativa ficcional.

Agora resta-me esperar pelo segundo volume da trilogia!... 

D. Amélia, de Isabel Stilwell

Sexta-feira, 12 de agosto de 2011





Por influência do maridinho, este é o segundo livro que leio de Isabel Stilwell. Apesar do seu estilo ser bastante leve e simples, de a ficção se entrecruzar com factos históricos, tenho que louvar a pesquisa apurada feita pela autora, que me fez conhecer mais aprofundadamente a vida da última rainha portuguesa, desde a sua infância, enquanto filha mais velha do clã Orleães, até ao final da sua vida, já exilada devido ao final da monarquia. A leitura também me ajudou a colmatar as lacunas que tenho no que diz respeito à História do nosso país do início do século XX – por essa razão considero que ler D. Amélia não foi um desperdício de tempo.

Sinopse:
Uma rainha não foge, não vira costas ao seu destino, ao seu país. D. Amélia de Orleãs e Bragança era uma mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira rumo ao exílio. Essa palavra maldita que tinha marcado a sua família e a sua infância. O povo acolheu-a com vivas, anos antes, quando chegou a Lisboa. Admirou a sua beleza, comentou como era alta e ficou encantado com o casamento de amor a que assistiu na Igreja de São Domingos. A princesa sentia-se uma mulher feliz. Mas cedo começou a sentir o peso da tragédia. O povo que a aclamou agora criticava os seus gestos, mesmo quando eram em prol dos mais desfavorecidos. O marido, aos poucos, afastava-se do seu coração, descobriu-lhe traições e fraquezas e nem o amor dos seus dois filhos conseguiu mitigar a dor. Nos dias mais tristes passava os dedos pelo colar de pérolas que D. Carlos lhe oferecera, 671 pérolas, cada uma símbolo dos momentos felizes que teimava em não esquecer.

Isabel Stilwell, autora best-seller de romances históricos, traz-nos a história da última rainha de Portugal. D. Amélia viveu durante 24 anos num país que amou como seu, apesar de nele ter deixado enterrados uma filha prematura que morreu à nascença, o seu primogénito D. Luís Filipe, herdeiro do trono, e o marido D. Carlos assassinados ao pleno Terreiro do Paço a tiro de carabina e pistola. De nada lhe valeu o ramo de rosas que tinha na mão e com o qual tentou afastar o assassino. Outras mortes a perseguiriam... D. Amélia regressou em 1945 a convite de António de Oliveira Salazar com quem mantinha correspondência e por quem tinha uma declarada admiração. Morreu seis anos depois em França, seu país natal, na cama que Columbano havia pintado para ela. Na cabeceira estavam desenhadas as armas dos Bragança.

O regresso, de Victoria Hislop

Segunda-feira, 25 de julho de 2011





Terminei um romance arrebatador, histórico, passado na Espanha da Guerra Civil e de Franco e "engatei" noutro arrebatador, histórico, passado na Espanha da Guerra Civil e de Franco! Que mais posso querer?...

Eis a sinopse de O Regresso:
Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma coleção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói. 
Cativante e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador como o seu romance de estreia e bestseller internacional, A Ilha.

Nunca tinha lido nada desta autora, mas confesso que me tornei sua admiradora, porque este romance tem todos os ingredientes para proporcionar-nos horas de leitura empolgante, que nos permite conhecer mais uma perspetiva da Guerra Civil, e, através do exemplo da família Ramírez, compreender o quão foi necessário lutar pela sobrevivência, pelos ideais e pelo amor.

Por tudo isto, recomendo que leiam esta belíssima história. É excelente e vale muito a pena!!!

O tempo entre costuras, de María Dueñas

Segunda-feira, 11 de julho de 2011





O tempo entre costuras é aquele género de livro que nos arrebata, que nos entusiasma e que não nos deixa pousá-lo durante muito tempo. Foi-me sugerido pela minha querida "compincha livrólica" Lucinda que, como sempre, não me dececionou, pelo contrário, me fez apaixonar por mais um livro que retrata épocas históricas marcantes do século passado e que já bem conheço, mas das quais não me farto nunca - Guerra Civil espanhola, Segunda Grande Guerra e ditadura franquista.

Aqui fica a sinopse:
“«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.”

Resta-me dizer que recomendo vivamente, muito vivamente este romance, não só porque a sua leitura nos envolve irremediavelmente, mas também porque, como qualquer bom romance de época, nos faz sonhar com esses tempos que, apesar de terem sido sangrentos, tenebrosos, faziam com que os homens e as mulheres dessem o melhor de si, que honrassem o seu papel enquanto tal e que lutassem pelos seus ideais até às últimas consequências!


Fico à espera que publiquem mais obras de María Dueñas! 

Livro, de José Luís Peixoto

Terça-feira, 21 de junho de 2011



Como é que podia resistir a um livro que se intitula Livro e que começa com a seguinte frase - "A mãe pousou o livro nas mãos do filho?" Impossível, mesmo! Ainda por cima uma obra de José Luís Peixoto que já nos habituou à sua escrita belíssima e luminosa!...

“Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura.”Livro” confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.”


As noites de Sarajevo, de Javier Reverte

Terça-feira, 07 de junho de 2011





"O romance As Noites de Sarajevo, vencedor do I prémio Cidade de Torrevieja, é uma história vivida nos territórios do amor e da guerra, durante os primeiros dias do cerco a Sarajevo. Javier Reverte esteve na cidade sitiada em 1992 para escrever uma série de reportagens e, como resultado de todos as trágicas experiências que viveu, surge agora este livro de ficção, que se desenrola algures entre a realidade e a imaginação."
Este pequeno romance já estava apontado no meu caderninho há muito tempo, mas só há uns meses é que o comprei e por uma pechincha! E ainda bem que o fiz, porque, desde que folheei as suas páginas e li as palavras iniciais, fiquei rendida, ou não fosse este pequenino livro mais uma história de amor e guerra e, ainda por cima, bem escrita e que cativa a nossa atenção.
Tal como podemos ler na sinopse, Noites de Sarajevo descreve a vida de um jornalista, Miguel, a partir do momento que foi para Sarajevo em tempo de Guerra. A caminho da capital bósnia, um homem pede-lhe um estranho favor - que tente encontrar a sua mulher (retida em Sarajevo por ser muçulmana) e lhe entregue um livrinho com inúmeras declarações de amor. Miguel não só a encontra como vive com ela uma intensa história de amor - "...voltei a amar como um jovem adolescente. Ao evocar aqueles dias, (...) deixo que as palavras devorem a minha consciência, enquanto o rosto de Alma emerge do passado como uma chama forte que, ainda hoje, me queima a pele. Só consigo encontrar sentido para a vaga de emoções que alteram os meus sentimentos e só consigo pensar que pertencemos a uma noite detida, uma noite de tiros e gritos, de murmúrios doces de amor..."

É uma história de amor condenada a acabar em poucos dias, mas que deixará marcas indeléveis tal como tudo que, creio, acontece num cenário de horror e morte... 

El corazón helado, de Almudena Grandes

Sexta-feira, 03 de junho de 2011




De regresso ao mundo de Almudena Grandes, da minha Almudena! E foi um regresso tão prolongado!... Demorei 42 dias a ler aquela que considero (das obras que já li desta magnífica autora espanhola) a sua obra maestra, aquela que mais me encheu as medidas, aquela que nas suas 1225 (!) páginas me emocionou, me encheu o coração e a alma dum prazer que arrepia, que me tocou como poucas…
El corazón helado inicia a sua narrativa no dia do enterro de Julio Carrión, homem de negócios cujo prestígio remonta aos anos do franquismo. Deixa a seus filhos não só uma substancial fortuna como também um passado cheio de sombras, o qual não gostava de recordar e que estava associado à Guerra Civil e à Divisão Azul.
No enterro, em fevereiro de 2005, o seu filho Álvaro, desvinculado dos negócios familiares, surpreende-se com a presença de uma jovem mulher desconhecida e que está misteriosamente ligada à vida do seu falecido pai. Essa jovem, Raquel Fernández Perea, é filha e neta de exilados em França e sabe tudo sobre a vida de seus pais e avós. Contudo, há uma parte dessa vida que permanece por esclarecer – aquela que ocorreu numa tarde em que acompanhou o seu avô numa visita que fez a uns desconhecidos e com os quais parece haver uma dívida pendente.
Álvaro e Raquel estavam condenados a encontrar-se porque as respetivas histórias familiares, que são também as histórias de muitas famílias espanholas, desde a Guerra Civil até à época da Transição, fazem parte de si mesmos e explicam as suas origens, o seu presente.
Tudo isto é apenas o ponto de partida de uma obra que me prendeu irremediavelmente, de uma obra complexa, repleta de momentos emocionalmente notáveis, que nos fazem sentir o que sentem as personagens (o estilo de Almudena é perfeito por isto mesmo!) e que só posso recomendar a quem se interessa, como eu, por relatos que não são lineares, que nos fazem crescer como leitores, de pequenas histórias que dão forma a histórias maiores, a um labirinto de histórias que se unem como peças de um puzzle para dar origem a uma história mais vasta, mais complexa, mas mais parecida com a vida!
Ainda há que dizer que, com este maravilhoso e soberbo calhamaço, entrei de uma forma bem mais profunda na interessantíssima História recente do nosso país vizinho, sobretudo no que esteve por detrás da Guerra Civil e nas consequências nefastas que o franquismo, tal como o salazarismo, trouxe aos espanhóis.

Acho que não preciso de acrescentar mais nada – El corazón helado está genial y ¡punto!

Antes de ser feliz, de Patrícia Reis

Sexta-feira, 22 de abril de 2011




De novo com um livro de Patrícia Reis entre as minhas mãos e que leitura tão enternecedora e saborosa! Como é que alguém pode resistir a degustar um livro que na contracapa nos oferece esta passagem – “Meu amor, é longa a história eu sei. Quando chegares, cá estarei e não contes com o meu silêncio, a porta está aberta e serei imprevisível. Ando a treinar. E sei ao que vou. Não serei o mesmo e, apesar disso, serei eu. Aquele que tu escolheste quando entraste na sala de aula, tão pequenina, aquele ao lado de quem te sentaste. Sou ainda o teu estranho mais íntimo e, mesmo que tenham passado por ti outros tantos, serei sempre o teu primeiro homem”. Eu não consegui… E, mais uma vez, apesar de este romance, tal como outros que já li/devorei desta autora, estar impregnado de uma tristeza nostálgica, de mágoa por uma não-realização de sonhos e expetativas, entreguei-me por completo à sua leitura, sofri e senti com o protagonista, Pedro, e voltei a apaixonar-me pela escrita dolorida desta escritora que me cativa mais e mais!...

Aqui fica a sinopse:
O princípio possível começa na Figueira da Foz, uma cidade que é uma espécie de décor, guardiã de memórias de Verão e outras vivências. Um miúdo apaixona-se na idade em que os sentimentos são voláteis e sem importância. O objeto do seu amor é uma rapariga difícil, esquiva e perturbada. Há a morte da mãe dela, as tardes de praia no areal imenso, as idas a Buarcos, as festas do Casino. E ainda um pai tímido e um tio criativo atrelado a um cão chamado Tejo. O amor não se desfaz com o tempo. O miúdo chega a rapaz e depois faz-se homem. Parte para Lisboa mas regressa sempre, como uma fatalidade. Espera que ela, a mulher que o obriga a parar no tempo, volte também à cidade, tome conta da sua herança e lhe dê outra vida.
Enquanto espera, acompanha o pai dela na doença, organiza papéis e pensamentos, vai a funerais, pendura um Canaletto precioso. Herda a casa que, em tempos, foi chão sagrado para ela; ela, que finge que não está.

O vermelho e o verde, de José Jorge Letria

Terça-feira, 19 de abril de 2011



Mais um livro comprado na Feira do Livro J e desta vez relacionado com um período muito importante da História do nosso país – a implantação da República.
Em O Vermelho e o Verde, José Jorge Letria retrata o período que decorre entre dia do Regicídio (1 de fevereiro de 1908) e o fim do verão de 1918, ano da gripe espanhola, do fim da Primeira Guerra Mundial e do assassinato de Sidónio Pais. Centra a sua ação na história de uma família dividida pelos ideais políticos de dois irmãos – Octávio é monárquico enquanto César é republicano. Será este último, protagonista e narrador, que acompanharemos, desde que combate na Rotunda ao lado de Machado Santos até ao momento em que é ferido na Flandres, em plena 1ª Guerra Mundial.
Teremos assim a oportunidade de conhecer, dentro de uma perspetiva republicana, os preparativos e o estalar da própria revolução, bem como uma análise dos tempos vindouros, que denota um certo desencanto face à realidade pós implantação da república, já que o rumo que Portugal tomou após 1910 não foi o idealizado pelos republicanos que, tal como César, tanto lutaram pela sua concretização.
“Lá no fundo, foi, como se, mesmo num casulo de sofrido silêncio, eu tivesse gritado: “Viva a República!”

Era a minha república, a da minha liberdade e do meu caminho insubmisso, que nesse dia se tornava soberana e independente. Imaginando as cores de uma bandeira ainda por hastear, se eles, o meu pai e o meu irmão, fossem o verde, eu havia de me tornar o vermelho.”

O homem que sonhava ser Hitler, de Tiago Rebelo

Segunda-feira, 11 de abril de 2011



Nas vésperas de partir para Barcelona (visita de estudo com nuestros alumnos), terminei de ler mais um livro de Tiago Rebelo que já esperava por mim desde a Feira do Livro do ano anterior. Contudo, não me entusiasmou tanto como o anterior (O último ano em Angola), talvez porque é um romance policial (género que não me atrai muito…) e porque senti que lhe faltava algo para conseguir que eu, uma leitora muito cética deste género literário, tivesse ganas para devorá-lo, como faço sempre que uma obra me prende a atenção!...
Deixo-vos aqui, no entanto, a sua sinopse:
“No pátio de um prédio, num pacífico bairro de Lisboa, uma criança é atacada por três homens e deixada em coma.
Ao investigar o que inicialmente se supõe ser um mero ato de cobardia de um grupo de cabeças-rapadas, as autoridades descobrem uma sombria conspiração que prova que, nunca como hoje, a democracia e o estado de direito estiveram tão ameaçados em Portugal.” 

Morder-te o coração, de Patrícia Reis

Quarta-feira, 30 de março de 2011





Morder-te o Coração, da “minha” Patrícia Reis, é pequenino (tem 153 páginas), mas tive que refrear a vontade louca de lê-lo num ápice! Esse é o efeito que os livros desta autora têm sobre mim J Quando pego em qualquer um deles não consigo largá-los e este não fugiu à regra!
Na sua contracapa, encontramos um pequeno texto de Inês Pedrosa que penso que diz muito, ou mesmo tudo, do que nos oferece esta obra que recomendo vivamente – como recomendo todos de Patrícia Reis!

“Este romance é uma viagem alucinante pelos labirintos do desejo e da solidão, que nos arrasta para lá das convenções dos géneros e do sexo, conduzindo-nos ao conhecimento da vertigem. A escrita transparente e comunicante de Patrícia Reis ganha corpo e espessura nesta narrativa polifónica orquestrada para obsessão do Grande Amor – aquela luz infinita que simultaneamente cega e acende a verdade íntima de cada um de nós. Este livro morde-nos, de facto, o coração – e é para isso que servem os bons livros”.

Estaciones de Paso, de Almudena Grandes

Sexta-feira, 25 de março de 2011



(RELEITURA) / (LEÍDO EN ESPAÑOL)



Entrei no mundo de Almudena Grandes através desta coletânea de contos, Estaciones de Paso, emprestada pela minha Nancy, e nunca mais de lá saí!!!! Todas as obras que já li desta fantástica autora espanhola são MARAVILHOSAS, repletas de narrativas densas, profundas, com muita introspeção psicológica, ou seja, um estilo literário que me obriga a refletir, a entrar "no mundo interior" de cada personagem e a conhecer os seus medos, as suas fragilidades, os seus anseios, os seus sonhos, enfim, a conhecer a sua essência enquanto pessoas. E mesmo que sejam pessoas ficcionais, são o retrato da realidade, de uma realidade que não é e nunca será linear!

Estaciones de Paso contém 5 histórias completamente diferentes, com temas muito variados, mas com uma característica em comum - todos os seus protagonistas são adolescentes, cinco adolescentes que se encontram num situação que foge ao seu controlo, pois não a  conseguem compreender, sentem muitas dificuldades em lidar com ela, mas têm que vivê-la... Contudo, no final, toda esta incompreensão e dificuldades farão com que os protagonistas amadureçam, percebam o seu lugar enquanto pessoas e entendam que a vida não é fácil, mas há que vivê-la e seguir em frente.

O primeiro conto que o livro nos oferece foi e será aquele que mais impacto teve e terá em mim. Intitula-se "Demostración de la existencia de Dios" e é um monólogo enfurecido, enraivecido e doloroso de um adolescente de 14 anos que perdeu o seu irmão mais velho por causa de uma leucemia. O monólogo é dirigido diretamente a Deus (mesmo  que o protagonista se diga ateu), já que este último quer respostas para uma situação incompreensível, devastadora, que o deixa impotente, mesmo tendo-se sujeitado a um transplante de medula para tentar salvar o seu irmão.  
Ao mesmo tempo que se dirige a Deus, o protagonista vai vendo a transmissão de um jogo de futebol da sua equipa de eleição (o Atlético de Madrid) e fica ainda mais irado porque nem esse jogo lhe traz algum consolo, já que o Atlético é goleado...
Este conto marcou-me por todo o sofrimento que ninguém deveria sentir, muito menos um adolescente e, sobretudo, pela forma como o seu testemunho chega até nós, com uma linguagem direta, cheia de calão, típica de adolescentes, e que, para quem já passou por uma situação semelhante, nos faz sentir muito próximos do protagonista.

Para finalizar, volto a fazer a pergunta que já me fiz milhentas vezes e que, quem conhece a obra de Almudenas Grandes, também faz - como é possível que nenhuma editora portuguesa queira continuar a publicar as obras desta GENIAL autora espanhola???? É certo que as suas primeiras obras foram traduzidas e publicadas pela Presença e pela Dom Quixote, mas, inexplicavelmente, depois da publicação de Os Ares Difíceis nada... Assim, quem não consiga ler em espanhol fica, sem dúvida, um leitor mais pobre...

O caderno 2, de José Saramago

Quinta-feira, 17 de março de 2011







Caderno 2 reúne o conjunto de textos que diariamente José Saramago foi escrevendo no seu blogue entre setembro de 2008 e novembro de 2009. Representa as reflexões, as opiniões, as sugestões, críticas aos mais diversos assuntos e sobre as mais diversas questões.

Que dizer de algo escrito pelo meu Saramaguinho?... Enquanto o lia, passei por uma mistura de sentimentos – alegria, partilha, comunhão de ideias e sobretudo uma nostalgia muito grande, porque… já cá não estás, meu herói literário! Que falta me fazes!!!!!!!!!