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Dile a María que la quiero, de Jacinto Rey



Ficha técnica
TítuloDile a Marie que la quiero
Autor – Jacinto Rey
Editora – DeBolsillo
Páginas – 366
Datas de leitura – de 28 de outubro a 01 de novembro de 2018

Opinião
Segunda leitura de outubro que me levou a uma temática pela qual tenho uma fixação “ligeiramente” obsessiva – sim, adivinharam: refiro-me à Segunda Grande Guerra. Depois de ter ficado a saber um pouco mais sobre como é que este conflito afetou as ilhas gregas, regressei a cenários mais habituais em narrativas que se debruçam sobre a Guerra de 39-45. Em Dile a Marie que la quiero, a trama centra-se em várias localidades francesas e em Berlim e nos anos finais da contenda.
Comprei esta obra o ano passado, nas férias de verão. Suspeitava que não me iria trazer nada de novo, que não seria uma obra-maestra, mas a dependência e a referida fixação que me unem à Segunda Guerra Mundial fazem com que, muitas vezes, ignore a razão e ceda à tentação de comprar mais uma narrativa que aborde essa guerra tão mortífera e tão fascinante.
Infelizmente, tive que dar razão, já nas primeiras páginas, aos sinais de alerta e à vozinha que me ia sussurrando que esta leitura seria corriqueira e banal. Não fui capaz de criar laços com a grande maioria das personagens e embirrei com o estilo seco e jornalístico do autor. Também considerei forçadas uma ou outra situação e que nada de abonatório acrescentaram a uma narrativa que se manteve sempre frouxa, pouco intensa e sem grandes motivos que prendessem o leitor.
O leque de personagens é considerável. Desde uma jovem aristocrata alemã que rompe com a família para casar-se com um ator judeu, o seu ex-noivo que pertence às SS, um jovem agricultor que, movido por desejos de vingança, se junta à Resistência francesa, outro agricultor seu vizinho que tem comportamentos desumanos e psicopatas até a um carteiro de meia-idade que perdeu recentemente a sua esposa, travamos conhecimento com gente que de imediato apelidamos de “boa e corajosa” e um ou outro que instintivamente queremos que sofra e seja torturado. Todos estão ligados entre si pela menina que dá título à obra, Marie, filha de refugiados alemães e que passa por situações e dores pelas quais nenhuma criança deveria passar.
Pouco mais tenho a dizer sobre esta leitura. Como não correspondeu àquilo que sempre busco numa narrativa do género, sinto que me iria repetir se estendesse esta opinião mais do que já fiz. Creio que apenas ficará comigo (e não por muito tempo…) Marie, com quem estabeleci alguns laços (como estabeleço com qualquer criança) e que muito rapidamente esquecerei as outras personagens e a trama. Sinto-me algo defraudada, acima de tudo, com a pouca profundidade e intensidade que povoam esta narrativa e com a falta de oportunidade do autor, que não conseguiu desenvolver convenientemente uma trama que possui os ingredientes certos e suficientes para poder ser empolgante e memorável.
Sendo assim, não posso atribuir-lhe outra nota que não aquela que espelha o quão, para mim, a leitura da mesma foi mediana.

NOTA – 06/10

Sinopse (muito enganadora, no meu ponto de vista)
Jacinto Rey hilvana una novela que muestra un tapiz de historias protagonizadas por seres humanos golpeados por una guerra que los pone al límite. Acción y emoción se dan la mano para dar sentido a unas palabras que son el motor de una búsqueda, de una posible salida al horror. Dile a Marie que la quiero es una novela magistral, muy bien documentada, que recrea una época convulsa, llena de luces y sombras, para encender la llama de la esperanza en medio de la oscuridad. La mirada y el estilo de Jacinto Rey y su habilidad para construir tramas que nos transportan en un viaje laberíntico a momentos críticos de la historia, especialmente duros, no han pasado desapercibidos por los editores internacionales que ven en Rey atisbos del mejor Ken Follett, Tatiana de Rosnay o Marcus Zusak.

Malena es un nombre de tango, de Almudena Grandes



Ficha técnica
TítuloMalena es un nombre de tango
Autora – Almudena Grandes
Editora – Tusquets Editora
Páginas – 761
Datas de leitura – de 24 de setembro a 04 de outubro de 2018

RELEITURA

Opinião
Em setembro quis desafiar-me e pôr em prática um projeto que já me aliciava há bastante tempo. Como sabem, adoro fazer releituras de obras que me conquistaram num determinado momento e que merecem que as retire de novo da estante e lhes dê, uma vez mais, atenção, tempo e mimo. Por tudo isso, desafiei-me a criar o projeto – Uma releitura por mês. Escrevi doze títulos em doze post-its – nove amarelos (correspondentes a obras publicadas em Portugal) e três cor-de-rosa com títulos de obras de Almudena Grandes. Coloquei-os numa caixinha e todos os meses – de setembro de 2018 a agosto de 2019 faço um sorteio (podem ver o sorteio de setembro aqui e o de outubro aqui) e releio a obra que me caia em sorte.
No mês passado, decidi apenas sortear uma obra em espanhol, porque seria a única que iria ler em língua castelhana durante esse período. Tive a felicidade de retirar o papelinho que continha o título que queria reler em primeiro lugar – Malena es un nombre de tango, da minha Almudena.
Todos que me conhecem e me seguem por estas bandas estão carecas de saber que Almudena Grandes é uma das referências incontornáveis da minha vida de leitora adulta. Nas minhas estantes moram quase todas as suas obras e não há nenhuma que não me tenha tocado de uma forma muito particular e muito especial. Malena es un nombre de tango não foi obviamente exceção, muito pelo contrário. Na primeira leitura que fiz da mesma, fiquei tão arrebatada com a sua protagonista, com a sua história, com os estereótipos que carrega, com a luta que luta consigo própria e com os outros para libertar-se dessas ideias e tradições que a amarram e não a deixam ser feliz e sentir-se realizada, que soube de imediato que teria que lê-la de novo, um dia mais tarde. E esse dia chegou, oito anos e um mês depois.
Malena é a menina má de um par de gémeas. É a filha desajeitada, é a filha menos perfeita, é a aluna pouco brilhante e é a irmã que, ainda na placenta, roubou alimento à sua gémea, fazendo com que esta nascesse com aspeto de prematura, precisasse de ir para a incubadora e passasse os primeiros anos debaixo do olho clínico de médicos especialistas. É a miúda que sempre se sentiu culpada, sempre se sentiu deslocada e a ovelha negra de um família tradicional, burguesa e endinheirada. Cresce sem ter a proteção de ninguém, ouvindo e sabendo das coisas através de falas veladas, de críticas face ao perfeccionismo da irmã (que até o nome lhe roubou quando nasceu) e dos ensinamentos que mãe, avó e a própria gémea lhe tentam impor.
Malena nasce na década de 60, em plena ditadura franquista. Não passou por necessidades económicas, porque a sua família é endinheirada, mas desenvolve-se num ambiente que dita que o papel de uma menina é ser obediente, dar suma importância à família, crescer para ser uma boa filha, uma boa neta e futuramente uma boa mulher, submissa, religiosa, doméstica e uma boa mãe. Quando se dá conta de que, por muito que se esforce, nunca será como Reina, a sua mãe e a sua irmã, e que, pelo contrário, é portadora do sangue impuro que está presente em alguns elementos da sua família, tem consciência de que terá que expiar essa culpa. E fá-lo-á eternamente, diminuindo-se face à irmã, tentando calcar o amor que professa pelo seu avó e pela sua tia Magda (as outras ovelhas negras da família) e sentindo-se um pouco culpada sempre que dá ouvidos ao que ela quer, ao que o seu coração e o seu corpo lhe pedem.
É humanamente impossível não nos apaixonarmos por Malena. É uma miúda e mais tarde uma mulher vibrante, dona de um corpo que destila sensualidade, que apenas quer ser ela mesma, amar e ser amada numa época que está, aos pouquinhos, deixando que as mulheres desabrochem. A sua tórrida história de amor enquanto adolescente, a dor física que a assola quando é abandonada, as escolhas imperfeitas que faz em adulta, a diferença abismal entre ela, como progenitora, e a sua mãe e irmã, a vontade que tem de querer conciliar todos os papéis que a fazem mulher, tudo a torna numa protagonista inesquecível. E isso deve-se exclusivamente à genialidade de Almudena Grandes que nos entende, a nós mulheres, como muitíssimo poucas escritoras.
Numa obra de quase oitocentas páginas há muito mais do que Malena. Há histórias igualmente inesquecíveis de outros elementos da sua família, há um travo das dificuldades que caracterizaram a vida do espanhol anónimo durante a ditadura, há mais uma ou outra memorável história de amor e há, acima de tudo, o quebrar de tabus associados ao papel da mulher. Malena vai quebrando-os, tal como o fizeram a sua tia e a sua avó paterna. Leva muitas bofetadas enquanto o faz, mas no final compreende que valeu a pena e que se encontrou finalmente como ser humano e como mulher.
Quem já leu ou venha a ler esta obra, pode afirmar que poderia ser menos extensa, que a autora poderia cortar-lhe um bom punhado de páginas. Pode igualmente referir-se ao estilo de Almudena como algo rebuscado ou rendilhado. Não deixo de estar de acordo, sobretudo quando o comparo àquele que a própria autora depurou em obras seguintes. Contudo, mesmo assim, dou nota máxima a Malena, porque voltei a apaixonar-me por ela, perdidamente, como me apaixonei há oito anos e um mês.
Termino (e ainda havia tanto para dizer), informando que esta obra foi, há muitos anos, publicada em português. Infelizmente, só a conseguirão encontrar em alguma biblioteca ou alfarrabista. Mas se tropeçarem nela, deem-lhe uma oportunidade, sobretudo aqueles que não se assustam com o seu tamanho e com um estilo denso, que corre, com muita frequência, do passado para o presente e que parece ter saído, de rajada, da cabeça da autora para o papel.

NOTA – 10/10

Deixo-vos também o vídeo de opinião que publiquei entretanto no canal. Neste mesmo vídeo faço também referência a outra leitura que, infelizmente, não terminei.


Sinopse
Malena tiene doce años cuando recibe, sin razón, y sin derecho alguno, de manos de su abuelo el último tesoro que conserva la familia: una esmeralda antigua, sin tallar, de la que ella nunca podrá hablar porque algún día le salvará la vida. A partir de entonces, esa niña desorientada y perpleja, que reza en silencio para volverse niño porque presiente que jamás conseguirá parecerse a su hermana melliza, Reina, la mujer perfecta, empieza a sospechar que no es la primera Fernández de Alcántara incapaz de encontrar el lugar adecuado en el mundo. Se propone entonces desenmarañar el laberinto de secretos que late bajo la apacible piel de su familia, una ejemplar familia burguesa madrileña. A la sombra de una vieja maldición, Malena aprende a mirarse, como en un espejo, en la memoria de quienes se creyeron malditos antes que ella y descubre, mientras alcanza la madurez, un reflejo de sus miedos y de su amor en la sucesión de mujeres imperfectas que la han precedido.

Arrugas, de Paco Roca



Ficha técnica
TítuloArrugas (Rugas em português)
Autor – Paco Roca
Editora – Astiberri Ediciones
Páginas – 104
Datas de leitura – 18 a 19 de agosto de 2018

Opinião
Quem me conhece há mais tempo (há bem mais tempo) sabe que sempre fui uma rapariga mais de letras do que de imagens, ou seja, nos meus anos de criancinha e de teenager, enquanto os meus colegas e amigos deitavam mais rapidamente a mão a um livrinho de banda desenhada, moi même torcia o nariz a essas escolhas e aproximava-me das obras onde reinava muito mais a palavra que o desenho. Por isso, é compreensível, clarinho como a água, que tenha chegado aos meus queridos 43 aninhos sem nunca ter lido uma graphic novel.
Quem me segue aqui há mais tempo também está a par das minhas movimentações na blogosfera (e agora nos mundos dos youtubes) e já se deve ter dado conta de que tenho um carinho muito especial pelo Jardim de mil histórias, da blogger e youtuber Isaura Pereira. Foi lá, no seu cantinho ajardinado, que descobri o amor que a Isa sente pelo espanhol Paco Roca e pelas suas graphic novels, especialmente as que já moram na minha estante – Rugas/Arrugas e A casa. Ora, não estava nos meus planos de leituras cronológicas ler nenhuma das duas nos próximos tempos, mas férias fora de casa e uma leitura abandonada não me deram outra alternativa que não tivesse sido a de agarrar numa das últimas aquisições (que havia feito nessas férias fora de casa) e colmatar o pesadelo em que me havia metido – não ter mais nada para ler, exceto uma dessas três aquisições. Decidi de imediato que leria o Arrugas (na sua versão original, em espanhol) e assim preencheria a categoria do Bookbingo deixada para trás com a leitura anteriormente abandonada ao mesmo tempo que satisfazia a curiosidade que me acompanhava desde que fiquei contagiada pela opinião da Isa.
Arrugas é uma graphic novel muito curtinha e lê-se em menos de uma hora. Porém, como era a minha estreia neste género, quis prolongá-la, quis desfrutá-la, quis prestar tanta atenção às falas, ao texto, como às imagens, aos desenhos. E esse refreio foi muito compensador, pois permitiu-me entrar neste mundo que combina e equilibra a imagem com a palavra de forma mais intensa, mais completa.
 Emilio sofre de Alzheimer, mas ainda não tem consciência disso. As suas confusões, os seus esquecimentos estão a tornar-se insuportáveis para o seu filho e este resolve “interná-lo” num lar de terceira idade. Será neste local (que nos é pintado como um lugar onde se despejam os entes queridos seniores, a quem se visita quando o peso na consciência o determina, como na época do Natal) que conheceremos outros velhotes que aí estão por diversas razões, como a doce e divertida Antónia, sempre com a resposta na ponta da língua, Modesto e Dolores, um casal que me enterneceu até à alma e me fez acreditar ainda mais num amor ilimitado, e Miguel, um velhote safado, chico-esperto, mas que me conquistou irremediavelmente à medida que crescia e se estreitava a amizade que o uniu desde o início a Emilio.
Quando concluí a leitura (com os olhos marejados de lágrimas) pensei na Isa e agradeci-lhe do fundo do coração o ter-me feito descobrir esta pequena obra, que, com “meia dúzia” de falas e uns rabiscos (maravilhosos, assertivos), me absorveu e mexeu com todas as fibrinhas do meu corpo como normalmente o faz uma obra com páginas e páginas cobertas de letras. Sou muito sensível a tudo que aborde a designada terceira idade, tenho umas saudades que ainda doem como o caraças dos meus avós maternos e admito que entro em qualquer leitura que trate do tema “idosos” com o coração apertadinho, mas nem todas me tocam com a mesma intensidade. O Arrugas entrou e ficou. Ficou de uma forma muito especial – dorida, sofredora e doce – porque as suas temáticas assim o determinam – a doença de que tenho mais medo, a questão dos lares de terceira idade como local de despejo e abandono, a orfandade dos velhotes, tudo isto abraçado a sentimentos de puro amor e pura amizade. Que mais poderia querer eu de uma leitura?
A minha estreia no mundo das graphic novels foi, como podem constatar, a melhor que poderia ter tido. Resta-me agradecer de novo à Isa e recomendar-vos, pedir-vos encarecidamente que leiam e conheçam esta obra para que ela chegue ao coração do maior número de leitores possível. Infelizmente, a versão portuguesa está esgotada, mas tentem encontrá-la nas bibliotecas da vossa zona, em alfarrabistas ou então comprem a versão original – não é preciso um domínio muito grande do espanhol para lê-la. LEIAM-NA!

NOTA – 10/10

Esta foi a décima primeira leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro com apenas uma palavra no título.

Sinopse
Emilio, un antiguo ejecutivo bancario, es internado en una residencia de ancianos por su familia tras sufrir una nueva crisis de Alzheimer. Allí, aprende a convivir con sus nuevos compañeros –cada uno con un cuadro “clínico” y un carácter bien distintos – y los cuidadores que les atienden. Emilio se adentra en una rutina diaria de cadencia morosa con horarios prefijados –la toma de los medicamentos, la siesta, las comidas, la gimnasia, la vuelta a la cama…– y en su pulso con la enfermedad para intentar mantener la memoria y evitar ser trasladado a la última planta, la de los impedidos, cuenta con la ayuda de Miguel, su compañero de habitación…

El invierno en tu rostro, de Carla Montero



Ficha técnica
TítuloEl invierno en tu rostro
Autora – Carla Montero
Editora – Penguin Random House
Páginas – 766
Datas de leitura – 24 de julho a 01 de agosto de 2018

Opinião
Voltei às leituras em espanhol e com um dos maiores e esteticamente mais bonitos calhamaços que “enchem” a minha estante. E, como acontece quase sempre que leio na “minha segunda língua”, recuei no passado e “aterrei” nos anos mais negros da História recente de Espanha.
A narrativa arranca em junho de 1927 e entramos na casa humilde da família de Lena e Guillén Álvarez, dois adolescentes que pertencem à mesma família porque os seus pais se casaram um com o outro depois de enviuvarem. Vivem nas escarpas dos Pirenéus uma infância recheada de muito trabalho, alguns tabefes, e religiosidade rigorosa que é subitamente abalada por um avião francês que se despenha. É Guillén, pastor de cabras, que acaba por descobrir o local exato onde perderam a vida os aviadores e será por essa descoberta que a viúva de um deles o quererá recompensar, levando-o consigo para França e dando-lhe, assim, uma educação e condições de vida às quais ele nunca poderia aspirar se se mantivesse em casa da sua família. Quem mais sofre com essa ida é a sua mãe, Balbina, e Lena, a irmã com quem Guillén tinha uma maior proximidade.
Os anos passam, Guillén transforma-se num jovem culto, educado e que se move habilmente na alta sociedade. Tem uma vida quase perfeita, que augura um futuro muito promissor e até as estrelas do amor estão ao seu lado quando compreende que o amor que sente por Lena lhe é correspondido. Contudo, estala a Guerra Civil em Espanha e este horrível conflito levá-los-á a defender ideais opostos e a posicionar-se nos dois lados contrários da contenda. Essa cisão não se limitará à guerra espanhola e estender-se-á nos anos consequentes levando-os, a ele como membro da Resistência francesa, espião e outros mesteres e a ela, como enfermeira da Divisão Azul e da Cruz Vermelha, a participarem na Segunda Grande Guerra.
El invierno en tu rostro fez-me viajar por todos esses anos dolorosos de morte e sofrimento. Levou-me a vários locais de Espanha, França, Alemanha, Rússia, Polónia e Tânger. Possibilitou-me uma convivência deveras interessante com um leque muito variado de personagens fictícias e reais. Porém, senti que a vasta experiência que tenho de leituras relacionadas com estes temas bélicos “ensombrou” a minha estreia nas letras desta autora e fez com que não me tivesse entregado de corpo e alma à história dos “hermanastros”, ao amor que os ligava e, principalmente, a uma narrativa primorosamente bem documentada e baseada em testemunhos verídicos.
Numa espécie de posfácio, Carla Montero explica o quão foi para si especial escrever El invierno en tu rostro. Partilha connosco que a correspondente narrativa germinou de muitos testemunhos de familiares seus que viveram em primeira mão os anos sangrentos da Guerra Civil e de acontecimentos verídicos, como a queda do avião francês nos Pirenéus. É perfeitamente visível, nas suas palavras, que o processo de criação da obra e a correspondente publicação foram muitíssimo especiais e compreendi que à autora aconteceu-lhe o mesmo que me acontece a mim quando vibro com um esmagador frenesim com uma leitura em particular e acabo por escrever um texto longuíssimo com a respetiva opinião. O assunto é-nos tão caro, tão nosso, que queremos à viva-força partilhá-lo, falando de tudo, de todos os pormenores que nos deliciaram e não nos damos conta que, por vezes, o que é demais molesta… Foi precisamente isso que se foi instalando em mim à medida que a leitura ia progredindo. Como já referi, a documentação histórica é preciosa, a contextualização também, mas estamos perante uma narrativa de ficção, que arranca com uma entusiasmante história de amor que acaba, infelizmente, por perder bastante protagonismo face a todo o lado histórico da trama. Sim, sei que é um romance histórico, mas se a autora lhe tivesse cortado algumas páginas onde abundam reviravoltas e pedaços de História, a leitura teria sido mais fluída e mais entusiasmante…
Resumindo e para não me alongar demasiado 😉, não posso dizer que não tenha gostado desta leitura. Gostei, mas sei que poderia ter gostado mais. No entanto, pretendo, se a oportunidade surgir, ler mais obras da autora, porque Carla Montero escreve muito bem e mostra ter em si tudo o que é necessário para criar uma bela história.
Sei que esta obra não está traduzida nem publicada no nosso país. Por isso, recomendo-a a quem se move bem nas letras espanholas e tenha um fraquinho por literatura mais histórica.

Esta foi a sétima leitura que fiz para a maratona literária – Bookbingo – Leituras ao sol 2 e foi para a categoria Livro escrito por uma mulher.

NOTA – 07/10

Sinopse
Aventura, amor y guerra en el tablero de ajedrez del cruento siglo XX: la novela más personal de la autora de La Tabla Esmeralda.
 En un pueblo de montaña los hermanastros Lena y Guillén viven una existencia sencilla y tranquila. Ambos están muy unidos y apenas conciben la vida el uno sin el otro. Sin embargo, algo tan inesperado como extraordinario sucede y se ven obligados a separarse. Con los años y la distancia aquella complicidad infantil se convierte en amor juvenil alimentado con un encuentro esporádico y cientos de cartas.
El estallido de la Guerra Civil sorprende a Lena en Oviedo y a Guillén en Francia, quien, angustiado por la suerte de la mujer que ama, inicia un arriesgado viaje a través de un país asolado por la contienda para reunirse con ella. Sin embargo, la guerra pone a prueba su amor: Lena se ha convertido en enfermera voluntaria del bando sublevado y resiste en una ciudad sitiada por las fuerzas republicanas; Guillén forma parte de esas fuerzas que estrangulan la ciudad.
Más tarde, Lena y Guillén vivirán de primera mano los acontecimientos de la Segunda Guerra Mundial y seguirán en bandos opuestos: él en la resistencia contra el nazismo y ella como enfermera de la División Azul. Y aunque sus destinos volverán a cruzarse tanto en la Varsovia aplastada por los nazis como en la exuberante Tánger de los años cuarenta o en el dramático escenario de la posguerra española, siempre estarán condenados a enfrentarse al mismo dilema: ¿Cómo pueden amarse cuando sus voluntades políticas y sus trayectorias vitales han tomado caminos tan distintos?

La voz dormida, de Dulce Chacón



Ficha técnica
TítuloLa voz dormida
Autora – Dulce Chacón
Editora – DeBolsillo
Páginas – 432
Datas de leitura – de 24 a 28 de abril de 2018

Opinião
Se não me lembro como “tropecei” com a obra que li antes desta, o mesmo não posso dizer de La voz dormida, já que quem ma apresentou (e emprestou) foi a minha querida e muito amiga Nancy!
Li-a pela primeira vez há muitos anos, ainda o meu espanhol gatinhava e precisava constantemente de um andarilho chamado dicionário! Contudo, esses conhecimentos rudimentares da língua espanhola não me impediram de entrar na obra e de me apaixonar pela sua narrativa e pelas suas personagens.
La voz dormida está habitada por mulheres e por alguns homens, mas são elas que tomam as rédeas da trama. Regressei (uma vez mais) à Madrid dos anos quarenta e à prisão feminina de Ventas, aquela que albergou um número infindável de mulheres condenadas frequentemente à morte apenas porque acreditaram nos ideais de igualdade e liberdade proclamados pelos partidos que lideraram a República espanhola dos anos 30. Esta não foi, como é óbvio, a primeira vez que franqueei os portões da famigerada prisão da qual hoje em dia não resta nada, absolutamente nada. Fi-lo pela última vez com a obra Si a los tres años no he vuelto e sei que não me ficarei por aqui, tal é a minha (mais do que conhecida) obsessão pela Guerra Civil espanhola e pelos anos tortuosos que lhe seguiram.
A referida obsessão tem-me dotado de uma bagagem considerável que, por sua vez, me obriga a ser cada vez mais exigente com as leituras que abordam o tema. Assim sendo e comparando, por exemplo, La voz dormida com a que se lhe antecedeu, tenho que destacar a obra de Dulce Chacón e reconhecer que, quando uma narrativa é emocional, quando as suas personagens nos agarram de forma quase visceral, isso é prova mais do que evidentes de que a bagagem ocupa um lugar secundário e que eu me arrepio e me comovo como o fiz quando li, pela primeira vez, uma obra lindíssima sobre esses anos que mancharam a História recente de Espanha.
Hortensia, Elvira, Reme, Tomasa partilham um espaço diminuto de uma sala a abarrotar de mulheres presas. Hortensia está grávida de oito meses, Elvira é a mais nova do grupo, Reme a mais velha e Tomasa a mais revoltada, a que não verga e se recusa a fazer o que seja de trabalhos manuais que venham a ser vendidos ou a ajudar o inimigo. Do lado de fora dos portões, vamos acompanhando Pepita, irmã de Hortensia, Javier, avô de Elvira, Doña Celia, dona da pensão onde mora Pepita, Paulino, irmão de Elvira e Felipe, marido de Hortensia. A vida de todos está umbilicalmente ligada a Ventas e à tentativa de continuar a lutar contra uma ditadura nacionalista e fascista que abafa da forma mais hedionda possível qualquer tentativa de rebelião. Todos comungam da vontade de ter uma vida digna, livre e justa, seja ela associada ao partido comunista ou não.
La mujer que iba a morir se llamaba Hortensia”. Esta frase dramática abre a narrativa e a mim abriu-me uma torrente de emoções – sofrimento, incredulidade, terror e, ao mesmo tempo, orgulho. Orgulho e até vaidade de ser mulher, de comprovar o quanto as mulheres são tenazes, são estoicas e merecedoras da mais absoluta admiração. Hortensia, Reme, Elvira, Tomasa, Pepita e Doña Celia são mulheres simples, trabalhadoras, honestas. Viram as suas vidas perder o norte, perderam pais, filhos, cônjuges e até famílias inteiras, estão a perder anos encarceradas física ou psicologicamente, mas não desistem, apoiam-se mutuamente, tratam umas das outras e dos seus familiares e sobretudo deixam um testemunho crucial – lutar pela vida, pela liberdade e pela justiça. Agora e sempre. Porque as suas vozes podem ser silenciadas, podem ser amordaçadas, mas a liberdade que agora lhes é negada não está morta, está apenas adormecida e voltará a acordar se todos lutarem por isso.
Foi, por tudo o que disse (e muito mais poderia dizer), uma leitura muito especial. Senti ainda mais orgulho em ser mulher, gostei imenso de regressar às letras de Dulce Chacón e adorei todas as emoções que vivenciei. Despeço-me dela sorrindo novamente para a sua capa e para a jovem mulher que me retribui o sorriso e que transmite no olhar o quanto devemos defender a felicidade de sermos livres.
Termino fazendo uma referência incontornável a um grupo de mulheres, conhecidas como as “13 rosas” e que no dia 05 de agosto de 1939 foram barbaramente executadas. Mais de metade delas eram menores de 21 anos e nenhuma delas havia cometido nenhum delito grave. Apenas estavam ou filiadas no Partido Comunista ou haviam ajudado algum elemento do referido partido. São várias vezes referidas em La voz dormida e comparadas às personagens femininas que, tal como elas, perdem a vida ou muitos anos atrás das grades apenas porque defenderam ideais.
¡Una novela imprescindible!

NOTA – 9,5/10 (Faltou-lhe um pouquinho de força no final)

Sinopse
Un grupo de mujeres, encarceladas en la madrileña prisión de Ventas, enarbola la bandera de la dignidad y el coraje como única arma posible para enfrentarse a la humillación, la tortura y la muerte.
Pocas novelas podemos calificar como imprescindibles. La voz dormida es una de ellas porque nos ayuda a bucear en el papel que las mujeres jugaron durante unos años decisivos para la historia de España. Relegadas al ámbito doméstico, decidieron asumir el protagonismo que la tradición les negaba para luchar por un mundo más justo. Unas en la retaguardia y las más osadas en la vanguardia armada de la guerrilla, donde dejaron la evidencia de su valentía y sacrificio.

Y todos callaron, de Toti Martínez de Lezea



Ficha técnica
TítuloY todos callaron
Autora – Toti Martínez de Lezea
Editora – Erein
Páginas – 197
Datas de leitura – de 22 a 24 de abril de 2018

Opinião
Não me lembro da primeira vez que “tropecei” com esta obra. Não sei se foi no Goodreads, se foi no blogue espanhol que sigo mais assiduamente (El buho entre libros) ou se a sua capa e a sua sinopse despertaram o meu interesse numa visita a uma livraria do país do lado. O certo é que aquilo que li ou que vi em algum lado foi saboroso o suficiente para querer ter a obra e lê-la.
A minha obsessão pelo período da Guerra Civil espanhola e pelos anos da ditadura franquista é sobejamente conhecida e terá sido a razão principal pela qual sempre quis ler esta obra. Segundo a sinopse, Y todos callaron abre a sua narrativa em fevereiro de 2008, com a morte de Amelia Zabaleta e a correspondente abertura do seu testamento, que revela que a distinta senhora tinha um filho de quem ninguém sabia da existência e que metade da sua herança é para ele, Miguel Aurra Zabaleta. Os restantes herdeiros não têm outra opção que não seja a de tentar descobrir quem é esse parente desconhecido, se está vivo e onde vive.
A descoberta do paradeiro de Miguel Zabaleta fica a cargo de Jon, um detetive de pouco relevo da cidade de Vitória (País Basco) e levá-lo-á (e anos também) a recuar no tempo, a conhecer melhor quem foi Amelia Zabaleta e a mergulhar na época do franquismo, mesmo que todos pareçam empenhados em não falar “daquele tempo” e em manter-se calados, mesmo que já se tenham passado quase setenta anos.
Como podem constatar, a premissa era bem apetitosa, com uma mescla saborosa de uma intriga histórica com uma investigação de cariz policial alinhada em pouco menos de 200 páginas. Contudo, apesar de ter sido uma leitura fácil e rápida, não deixou sabor nem água na boca. Infelizmente, não fui capaz de criar laços com as personagens (nem com as do momento presente nem com as do passado), não me emocionei com a terrível história de Amelia, com os horrores que ela sofreu enquanto prisioneira numa prisão física e numa matrimonial e não senti mais do que indiferença ao ler as passagens que, em itálico, a autora reservou para a referida personagem e onde ela partilha os seus medos, os seus sonhos e as suas angústias. Fui acompanhando com algum interesse as investigações de Jon, apreciei as conversas que ele foi entabulando com os mais velhotes, gostei da reviravolta que se foi produzindo na sua vida sentimental, mas senti que a parte central da obra, aquela que deveria ter-me absorvido como normalmente me absorvem as narrativas centradas no período mais negro da recente História espanhola, me foi indiferente, me passou ao lado. E não há nada mais frustrante numa leitura do que isso…
Não posso, porém, dizer que os dias em que tive esta leitura comigo foram um completo desperdício. Não, não o foram, mas também não me proporcionaram aquilo que eu tanto procuro – dor, prazer, alegria, sofrimento, angústia, nervosismo, frustração, enfim, sentimentos, sangue a latejar, êxtase, vício, devoção! Y todos callaron passou por mim e sei que daqui a dias não passará de uma agradável lembrança que se esfumará rapidamente…
Assim sendo, nem sei bem se recomendo a sua leitura. Vi, enquanto estava a escrever esta opinião, que há quem tenha gostado muito da obra. Por isso, arrisquem se quiserem, embora, como devem adivinhar, não esteja traduzida para o português.

NOTA – 05/10
Sinopse
Vitoria-Gasteiz, febrero de 2008. El testamento de Amelia Zabaleta desvela una desconcertante e inesperada revelación, un secreto celosamente guardado, y cuyo origen se remonta al pasado de la fallecida e implica a sus familiares más cercanos.
Jon Martínez de Albeniz, un detective de poca monta, será el encargado de hacer visible el misterio. Pero ¿qué razones puede haber para ocultar algo tan trascendental para una familia, en pleno siglo XXI? ¿Qué lleva a personas normales a tejer una tupida tela de araña con el silencio como argumento? En definitiva, ¿qué sucedió en esos escenarios setenta años atrás?
Toti Martínez de Lezea se adentra en las interioridades de su ciudad recreando personajes que le resultan conocidos y dibujándonos una sociedad donde imperaba un incómodo silencio.

La templanza, de María Dueñas



Ficha técnica
TítuloLa Templanza
Autora – María Dueñas
Editora – Editorial Planeta
Páginas – 504
Datas de leitura – de 17 a 21 de abril de 2018

Opinião
María Dueñas não é uma autora desconhecida para os portugueses. A sua obra de estreia – O tempo entre costuras – foi um sucesso editorial em ambos os países da Península Ibérica e eu sou apenas mais uma leitora que vibrou, devorou e adorou o ritmo vivíssimo da sua narrativa, o seu carácter histórico com travos de espionagem, os espaços que percorreu e, acima de tudo, a protagonista, o seu carisma, a sua determinação, a sua coragem e a sua capacidade para amar. Uma mulher de garra, do caraças e que ainda vive nas minhas “lembranças literárias”.
Infelizmente, com María Dueñas aconteceu aquilo que nenhum autor, de certeza, deseja que lhe aconteça – depois do estrondoso sucesso alcançado com a referida obra de estreia, as expectativas eram elevadíssimas e nenhuma das duas obras que se lhe seguiram foram suficientemente suculentas para que se pusesse na mesa uma comparação equitativa. Misión Olvido, publicada pela Porto Editora com o título Recomeçar, (opinião aqui) lê-se com bastante agrado, mas não me arrebatou como o seu antecessor. Sabia, por opiniões que fui lendo aqui e acolá que La Templanza, a sua terceira obra e ainda não traduzida para a nossa língua, tão-pouco oferecia uma narrativa efervescente e de leitura compulsiva. Porém, decidi dar-lhe uma oportunidade e incluí-la nas leituras deste mês todo dedicadinho à literatura espanhola. E não me arrependo.
Mauro Larrea é um “sel-made man”. Emigrou com dois filhos nos braços para o México quando este território era ainda uma colónia espanhola. Lá fez fortuna à custa de muito trabalho nas minas de prata, de muita ambição e de um olho certeiro para negócios proveitosos. Contudo, em meados de 1860, vê-se, de um dia para o outro, na falência. Com quarenta e sete anos, tem que começar tudo de novo e fá-lo como sempre fez – tomando riscos, pedindo dinheiro a um agiota sem qualquer tipo de escrúpulos, deixando para trás uma vida de opulência e embarcando numa viagem que o levará, primeiro, à ilha cubana e posteriormente à pátria-mãe. Em Havana, ganha num jogo de bilhar as escrituras de uma propriedade vinícola em Jerez de la Frontera, Espanha. O seu próximo passo é embarcar para o país que o viu nascer e tentar vendê-las e arrecadar dinheiro para se ver livre do sufoco financeiro em que se encontra. Porém, desta vez os seus planos não correm como esperava e ver-se-á frente a frente com alguém que o fará duvidar das suas certezas e questionar as suas mais imediatas prioridades.
Não me incomoda dizer que a narrativa de La Templanza, sobretudo a sua primeira parte, se desenrola a um ritmo algo lento, que algumas das peripécias e aventuras que aceleram esse ritmo na segunda parte são previsíveis e descabeladas. Mas também não me incomoda nada admitir que, por um lado, lhe perdoo essa falta de vivacidade e verosimilhança e que, por outro, não consegui ficar imune à rudeza, à personalidade brusca, direta de Mauro Larrea, um homem que combina na perfeição um passado de homem trabalhador, simples, de braços e tronco musculados com um presente de homem habituado a circular em ambientes requintados e ostentosos. Gostei muito do seu carácter e considero como tal que a autora, apesar de ter falhado em outros aspectos, conquista o leitor com a força e o carisma das personagens, principalmente de Mauro, Soledad, Manuel Ysasi, Santos Huesos ou Mariana. E que dizer daquele momento em que duas dessas personagens descem uma escadaria e uma delas sente, como não sentia há muito tempo, que a vida lhe volta a correr no sangue apenas porque toma a mão da outra, a coloca no seu braço e a ajuda a descer os degraus escorregadios? Intensidade absoluta que saiu das páginas do livro e se aninhou no íntimo desta leitora que se derrete com uma suculenta história de amor!
Depois de três obras publicadas, ainda não foi desta que María Dueñas regressou ao patamar que atingiu com a sua obra de estreia (que recomendo vivamente a todos – leiam O tempo entre costuras! Não se arrependerão!). Mas suspeito que o irá conseguir muito em breve, pois a sua escrita denota cuidado, enreda e capta o leitor e sabe como criar personagens empolgantes. Sei que acaba de publicar uma nova narrativa e que as opiniões são muito satisfatórias, mesmo daqueles leitores que, como eu, nunca a abandonaram. Quem sabe não a trago comigo quando der uma saltada a Espanha? Até lá, vou relembrando com carinho e um sorriso nos lábios a bela história de Mauro Larrea e continuar a dar a conhecer um pouco mais da literatura espanhola.
Termino agradecendo-te, Cristina. Tu sabes porquê!

NOTA – 08/10

Sinopse
Nada hacía suponer a Mauro Larrea que la fortuna que levantó tras años de tesón y arrojo se le derrumbaría con un estrepitoso revés. Ahogado por las deudas y la incertidumbre, apuesta sus últimos recursos en una temeraria jugada que abre ante él la oportunidad de resurgir. Hasta que la perturbadora Soledad Montalvo, esposa de un marchante de vinos londinense, entra en su vida envuelta en claroscuros para arrastrarle a un porvenir que jamás sospechó. De la joven república mexicana a la espléndida Habana colonial; de las Antillas al Jerez de la segunda mitad del XIX, cuando el comercio de sus vinos con Inglaterra convirtió la ciudad andaluza en un enclave cosmopolita y legendario. Por todos estos escenarios transita La Templanza, una novela que habla de glorias y derrotas, de minas de plata, intrigas de familia, viñas, bodegas y ciudades soberbias cuyo esplendor se desvaneció en el tiempo. Una historia de coraje ante las adversidades y de un destino alterado para siempre por la fuerza de una pasión.