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O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor



Ficha técnica
TítuloO Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor
Autor – Jorge Amado
Editora – Publicações Europa – América
Páginas – 74
Datas de leitura – de 31 de janeiro a 01 de fevereiro de 2019

Opinião
         Pode parecer-vos inacreditável, mas eu nunca tinha lido este livrinho. É claro que não me era desconhecido, já tinha visto em bibliotecas e livrarias a sua capa ilustrada com uma andorinha a esvoaçar e um gato às riscas e de bigodes fartos, mas, por esta ou por aquela razão, nunca me tinha sentido tentada a ler. Ora tudo isso mudou quando a Silvéria, do canal The Fond Reader, a aconselhou para o projeto que está a dinamizar durante este mês de fevereiro – #24horas1livro.
         Animada com a opinião/recomendação dela, trouxe-o na última visita que fiz à biblioteca e bendita a hora em que o fiz, porque rendi-me sem pôr qualquer entrave (muito pelo contrário) a esta história infantil (que fiquei a saber que é dado no 8º ano nas aulas de Português), belissimamente ilustrada e composta pela arte e engenho de um dos maiores e melhores contadores de histórias mundiais – o magistral Jorge Amado. É impossível não nos maravilharmos com o jeitinho com que ele cria e conta uma história lindíssima, que tenta derrubar barreiras, ou se quiserem, ideias pré-concebidas, e nos presenteia com uma relação de amor entre um gato e uma andorinha, dois bichos que sempre foram vistos como inimigos um do outro. Apaixonei-me de forma assolapada por este casalinho de bichanos, sobretudo pelo gato, pela sua história, pela sua solidão e pela entrega sem reservas ao amor que lhe nasce quase à primeira vista pela jovem e confiante andorinha. E mais não quero dizer, pois pode ser que haja por aí alguém que, como eu, ainda não leu esta preciosidade e, se assim for, que não seja por culpa minha que não entra na história quase às escuras.
         Esta leitura teve um sabor muito, muito especial por duas ou três grandes razões – primeiro, porque me permitiu participar no projeto interessantíssimo da Silvéria (se quiserem saber mais e participar, cliquem aqui), segundo, fez com que eu regressasse às letras do genial Jorge Amado e terceiro, abriu-me as portas a uma leitura carregadinha de sabor, deliciosa, que me fez sorrir com os “apartes” do narrador, com o sotaque açucarado do português do Brasil e me obrigou a verter umas lágrimas com o desenlace. Foi tudo tão, tão perfeito que até perdoei ao autor a inclusão na história de uma personagem encarnada por aquele bicho rastejante que me provoca calafrios (no mínimo).
         Termino fazendo aquilo que a Silvéria fez comigo – recomendando a todos, sem reservas, que leiam esta obra, que desfrutem de 24 horas (ou mais ou menos) na sua companhia e que se sintam aconchegadinhos com uma das mais belas histórias de amor que conheço. RECOMENDADÍSSIMA!
         Se já a leram ou se ficaram interessados, por favor, deixem os vossos comentários – a “gerência” agradece!
        
         NOTA – 10/10

         Sinopse
         «O mundo só vai prestar
         Para nele se viver
         No dia em que a gente ver
         Um gato maltês casar
         Com uma alegre andorinha
         Saindo os dois a voar
         O noivo e sua noivinha
         Dom Gato e Dona Andorinha»

         Este foi o mote do grande escritor brasileiro para esta fábula dos tempos modernos, que conta a história de amor insólita entre um gato, considerado como a criatura mais egoísta e solitária das redondezas e uma bela e gentil andorinha.
         Com a duração de três doces estações, o improvável romance entre as duas criaturas das «profundas do passado quando os bichos falavam» sobrevive às críticas sociais, à diferença de idades dos dois amantes e às diferenças de carácter entre ambos, para enfim esbarrar na cruel e "natural" evidência, escondida pela paixão inicial, de que «uma andorinha não pode, jamais, casar com um gato».

A maior flor do mundo, de José Saramago



Ficha técnica
TítuloA maior flor do mundo
Autor – José Saramago
Editora – Editorial Caminho
Páginas – 36
Data de leitura – 02 de setembro de 2018

Opinião
Vou fazer-vos uma confissão. Uma confissão escabrosa de quem se diz “a maior fã de Saramago” – mais de vinte anos depois de ter lido A Jangada de Pedra, peguei pela primeira vez e finalmente li de fio a pavio A maior flor do mundo. Digam lá – não é um pecado horrendo tê-lo feito apenas agora?! Que raio de fã sou eu??
Contudo, na última visita à biblioteca da terrinha, ia determinada a redimir-me desse pecado terrível e trouxe a edição com capa dura e com belíssimas ilustrações da Editorial Caminho. Li-a em poucos minutos e bastou esse punhado de minutos para embrenhar-me de novo no mundo do meu Saramaguinho e sentir-me em casa.
Quem olha para uma fotografia ou imagem de José Saramago dificilmente o imagina como contador e criador de histórias infantis. As suas feições austeras e algo carrancudas impedem que os leitores (e não só) o vejam como tal. Eu incluo-me (ou incluía-me) nesse rol de gente e constatei que o próprio também, já que a curta narrativa de A maior flor do mundo arranca com o autor a confessar que se não se sente capacitado para montar uma história infantil, simples, com poucas e descomplicadas palavras. Foi, como podem compreender, desconcertante e ternurento ser testemunha da sinceridade deste monstro das letras mundiais, que admite, sem nenhum pejo, essa falha e, chega, inclusive, a pedir ajuda aos leitores mais pequenos, àqueles que venham a ler a história desta flor, que a moldem aos seus gostos, que a desenvolvam e encerrem como mais lhes aprouver.
A história é, como não poderia deixar de ser, muito curtinha e deliciosa. Toca-nos, como devem tocar todas as histórias infantis, vai direitinha ao coração e está maravilhosamente ilustrada nesta edição, com imagens alusivas à narrativa e ao próprio autor, que nos aparece sentado a uma secretária, com feições mais suaves e sorridentes, a tentar moldar o melhor possível uma história bonita e simples. Entrei em estado de completo derretimento nos poucos minutos em que estive com a obra na mão, não só pelo que já referi, pela viagem de uma menino que termina aos pés de uma flor murchinha, pela humildade de Saramago ao confessar a sua incapacidade em criar histórias infantis, como também pelo quanto ainda me apertam as saudades que tenho deste homem que teve um papel imprescindível no meu percurso enquanto leitora.

     

Por tudo isto, não vos será difícil de adivinhar o quanto esta leitura foi especial, memorável e agridoce. Pude conhecer uma nova faceta do meu Saramago, pude matar as saudades que tenho das suas letras e voltei a sentir-me “amputada”, revoltadíssima, porque nem os génios escapam às leis da mortalidade.
Reparei o meu erro, redimi-me e adorei fazê-lo!

NOTA – 10/10

Sinopse
«E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? 
Uma magnífica obra do escritor José Saramago, com bonitas ilustrações de João Caetano.»
Prémio Nacional de Ilustração – 2001
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, 4.º ano de escolaridade - Leitura autónoma e leitura com apoio dos professores ou dos pais.

Avozinha Gângster, de David Walliams



Ficha técnica
TítuloAvozinha Gângster
Autor – David Walliams
Editora – Porto Editora
Páginas – 256
Datas de leitura – 01 a 02 de setembro de 2018

Opinião
Na última semana de agosto fui devolver livros à biblioteca da terrinha e é mais do que óbvio que não vim de lá de mãos vazias. Fui acompanhada pelos meus dois homens e no saco “de compras” trouxemos três livros.
Tinha reservado com antecedência esta obra de David Walliams que sabia que encaixaria que nem uma luva na categoria “Livro Silly” da maratona em que estou a participar. No final do ano passado uma colega de trabalho emprestou-me Sr. Pivete e, como podem comprovar aqui, fiquei rendida ao estilo do autor (simultaneamente hilariante e ternurento), à personagem do Sr. Pivete (que nunca mais me irá abandonar) e aos subterfúgios, às mensagens e chamadas de atenção que povoam (de forma indireta, claro) a narrativa e que são uma alfinetada aos comportamentos familiares dos dias de hoje.
Em Avozinha Gângster, os protagonistas são, tal como em Sr. Pivete, uma criança e um sénior. Ben (ou Benny) todas as sextas-feiras é arrastado pelos seus pais para casa da avó, porque esse é o dia dedicado ao casal, é nesse dia que pai e mãe disfrutam de um tempo a sós a ver O Dança com as estrelas na televisão ou ao vivo. Para Ben, não há maior tortura do que estar em casa da avó, ser obrigado a engolir a sua sopa de couve, o seu puré de couve, o seu pudim de couve, jogar todas as noites Scrabble e ter suportar o cheiro dos pums que a avó vai disparando sempre que se movimenta e que parecem o “quá, quá” de um pato. Contudo, nem tudo é o que parece e debaixo daquele ar de avozinha com cabelos brancos, dentadura, que veste sempre o mesmo casaquinho de malha, em cujas mangas guarda os lenços de papel que vai usando, esconde-se alguém que é mundialmente famosa por roubar joias!!!
Como devem calcular, voltei às gargalhadas que havia dado com a primeira obra que li de David Walliams. É impossível não rir com a caracterização da avó, é impossível não rir com os apartes hilariantes que vão aparecendo ao longo da narrativa. Contudo, tal como me havia acontecido com Sr. Pivete, também voltei às lágrimas (como não haveria eu de chorar com uma história que envolva velhotes e, ainda por cima, velhotes e netos?...) e a anotar mentalmente a forma habilidosa e inteligente como o autor aborda numa trama juvenil, repleta de ação e muito divertida, temáticas preocupantes da sociedade atual – filhos a quem os pais pouca atenção dedicam, filhos a quem os pais querem impingir os seus próprios sonhos e aspirações e adultos que pouco ou nenhum valor dão aos seniores, aos seus seniores.
Por tudo isto, digo aquilo que já havia dito aquando da leitura de Sr. Pivete. Foi uma experiência deliciosa e que quero, sem dúvida, repetir. Pretendo trazer da biblioteca as outras obras de David Walliams que lá moram e divertir-me com elas tanto como me diverti com as duas que já li dele. Concluo, acrescentando apenas que, se comparar Sr. Pivete, com esta avozinha, tenho que dizer que, das duas obras, a primeira continua a ser a minha preferida, somente por uma razão que tem a ver com uma parte importante da ação de Avozinha Gângster e que, para os meus 43 anos, é pouco credível. No entanto, creio que para os mais novos essa parte será uma das mais interessantes e não lhes “estragará” o prazer de conhecer esta avozinha e o seu “Benny”.
É óbvio que, para finalizar, tenho que recomendar (e muito) esta leitura a miúdos e a graúdos! Leiam-na e leiam as outras obras do autor! Não se arrependerão!

NOTA – 09/10

Esta foi a décima terceira leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi, como já disse, para a categoria Livro silly.

PS – Que próxima obra de David Walliams me recomendam?

Sinopse
O nosso herói, Ben, adormece só de pensar que tem de ficar em casa da avó. Que seca! É a avozinha mais aborrecida de sempre: só pensa em jogar jogos de tabuleiro e comer sopa de couve. Mas há dois segredos que Ben desconhece:
§  A sua avozinha é uma famosa ladra de joias.
§  E toda a vida sonhou roubar as Joias da Coroa inglesa, e agora precisa da ajuda de Ben…
Uma história sobre preconceitos e aceitação, cheia de piadas engraçadas e palavras tolas, ao estilo bem-humorado do comediante David Walliams, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

Bicicleta à chuva, de Margarida Fonseca Santos



Ficha técnica
TítuloBicicleta à chuva
Autora – Margarida Fonseca Santos
Editora – Booksmile
Páginas – 128
Datas de leitura – 21 a 22 de junho de 2018

Opinião
Partilho com a Isa do blogue e canal Jardim de mil histórias o gosto pela leitura infanto-juvenil e, após ter visto o vídeo em que ela fez o balanço das suas leituras de abril (consultem-no aqui), no qual recomendou as obras de Margarida Fonseca Santos, dei um saltinho ao site da biblioteca municipal e comprovei que, apesar de não terem o livro referenciado pela Isa, tinha muitos outros da autora. Decidi-me por aquele com que mais me identifiquei como mãe e como educadora.
Bicicleta à chuva oferece-nos uma narrativa bipartida, protagonizada por dois adolescentes. Jaime é um miúdo proveniente de uma família estruturada. É gordinho, tem dois grandes amigos e desenha muito bem. Tão bem que o seu professor de EV o incentiva a participar num concurso patrocinado pela junta de freguesia local e que premiará o logótipo mais criativo. Contudo, nem tudo corre bem na vida de Jaime. Todos os dias, no regresso a casa, tem que sofrer calado as agressões verbais e físicas de três membros de um gangue que se apelida de Os Alcaides. O líder dos agressores é Valdomiro, um jovem que repete na rua aquilo que presenceia em casa, ou seja, a violência que o pai inflige na mãe e no próprio Valdomiro.
Para além dos protagonistas, há outras personagens a destacar, que trazem colorido e verosimilhança a uma trama que pouco traz de novo – sobretudo para um adulto –, mas que está muito bem construída, que não nos presenteia com personagens unidimensionais e que se encaminha para um final simples, algo previsível (como é habitual na literatura dirigida aos mais novos), mas que nos deixa com um sabor muito doce na alma.
A literatura juvenil é, para mim, isso mesmo, o sabor doce que que me deixa, a linguagem simples, direta, adequada ao seu público-alvo e os temas atuais, como o do bullying, que vai explorando e levando a quem mais precisa de os ver tratados. Desta vez não fiz a leitura em conjunto com o filhote, porque a obra, sendo da biblioteca, não deve ficar cá em casa muito tempo, mas espero um dia partilhá-la com ele (talvez quando o D. tenha terminado de devorar os “Bananas” e os “Tom Gates”) e falar-lhe, através das palavras de uma história que me agradou muito, de um problema que abunda na realidade das crianças, dos adolescentes, dos jovens, de todos nós.
Agradeço-te muito, querida Isa, a sugestão e vou continuar a querer ler mais obras juvenis (e não só) de Margarida Fonseca Santos.
Para já, recomendo esta, sem distinção, a miúdos e graúdos.

NOTA – 08/10

Sinopse
Crescer é um desafio enorme. Mas às vezes é difícil decidir que caminho devemos seguir. A Escolha É Minha é uma coleção sobre as opções que tens de tomar todos os dias com histórias de vida contadas por jovens como tu. Esta história, Bicicleta à Chuva, podia bem ser a tua ou quem sabe a de alguém que conheces.
O Jaime carrega um enorme segredo: um grupo de rufias, os Alcaides, toma conta da sua vida de muitas maneiras, deixando--lhe o corpo e a mente com marcas difíceis de apagar.

O planeta branco, de Miguel Sousa Tavares


Ficha técnica
TítuloO Planeta Branco
Autor – Miguel Sousa Tavares
Editora – Clube do Autor
Páginas – 92
Datas de leitura – 15 de janeiro de 2018

Opinião
Não sou particularmente a admiradora mais acérrima de Miguel Sousa Tavares. Recordo-me de ter lido e devorado há muitos anos a sua obra mais conhecida – Equador – e de ter lido também Rio das flores. Deixei de lê-lo por causa de uma antipatia que foi crescendo à medida que me enfurecia com as suas opiniões parciais e pouco ou nada abonatórias sobre determinados assuntos. A partir de uma certo ponto, recusei-me a ouvi-lo e a lê-lo e só concordei em fazer um parênteses nessa recusa quando abri um dos saborosos envios da Clube do Autor, dentro do qual vinham duas obras – uma de ficção adulta e O planeta branco, obra juvenil do filho de Sophia de Mello Breyner.
Ao ter o livro nas mãos, reparei de imediato na sua capa de lombada dura. Folheei-o e fiquei agradada com as ilustrações que acompanham a narrativa. Fiquei ainda curiosa com o seu título – qual seria o planeta branco? Referir-se-ia a algum planeta do nosso sistema solar ou a algum planeta inventado, desconhecido?
Com apenas 92 páginas e um número considerável de ilustrações de tamanho também ele considerável, a história de O planeta branco lê-se de uma assentada. Reporta-nos a viagem de três jovens astronautas a bordo da nave Ítaca 3000 e que partiram em busca do planeta Orizon S-3 para comprovar se o mesmo teria as condições necessárias para armazenamento de água. A viagem correu sem sobressaltos até que, ultrapassado o segundo sistema solar, a nave começou a ser desviada da rota sem que nem os astronautas nem os responsáveis da iniciativa em Terra pudessem fazer alguma coisa para evitar o desfecho que se supunha trágico. E mais não conto.
Como leitora adulta, digo que gostei bastante desta obra. Gostei da abordagem ecológica que alerta para o quanto o Homem está a destruir o planeta que habita e a dizimar os seus recursos naturais. Gostei das diferenças de personalidade dos três astronautas que comandam a missão espacial. Gostei da descrição da viagem pelo nosso sistema solar e gostei muito da visão e da simbologia que associam as estrelas, o infinito e o planeta que dá título à obra a um lado mais transcendental e portador de possíveis respostas para questões que nos inquietam como seres humanos.
Como mãe de um leitor pré-adolescente, recomendo O planeta branco. É uma leitura fácil, rápida, com uma linguagem acessível e uma trama bem conseguida que alia ação, algum mistério, humor ao conhecimento dos astros e de outros possíveis sistemas solares, às preocupações ecológicas e ao quanto o infinito que espreitamos quando observamos o céu pode explicar algumas das inquietações dos Homens.
Por fim, como mulher que detesta injustiças, tenho que admitir que esta leitura me fez dar uns dedos da minha mão à palmatória, separar um bocadinho o homem do autor e diminuir um pouco a minha intransigência face ao que Miguel Sousa Tavares já publicou e possa vir a publicar.
Resta-me agradecer, mais uma vez, à editora Clube do Autor o envio surpresa da obra. Aqui está a correspondente opinião sincera.

NOTA – 08/10

Sinopse

Lydia, Lucas e Baltazar constituem a tripulação da nave Ítaca-3000. Numa fase em que o ciclo de vida natural está alterado, é preciso pôr em marcha uma missão de salvamento do planeta Terra. Por isso a Ítaca-3000 parte do deserto do Sahara com um único objectivo: descobrir água no planeta Orizon S-3. Durante dois meses de viagem, tudo decorre com normalidade. Os astronautas dedicam-se apenas a missões de rotina e consolidam a amizade que os une. Mas quando entram no Terceiro Sistema Solar, descobrem um planeta habitado por uns seres muito especiais e que julgavam não existir, O Planeta Branco é uma história que aborda não apenas as grandes questões da actualidade, como a poluição atmosférica, a destruição das florestas ou as alterações do clima, mas que constitui, também, um hino à vida e à bondade. E que nos diz que, afinal, um mundo melhor é possível. As ilustrações de Rui Sousa completam a magia desta história.

Missão Impossível, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada


Ficha técnica
TítuloMissão Impossível
Autoras – Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Editora – Fundação Jorge Álvares
Páginas – 96
Data de leitura – de 28 a 31 de dezembro de 2017

Opinião
O mais novo da casa trouxe da escola várias tarefas para fazer durante as férias natalícias. Uma delas consistia em ler Missão Impossível para, em janeiro, participar no Concurso Nacional de Leitura destinado aos alunos de sexto ano.
Foi lendo um capítulo por dia e ia comentando que a parte inicial lhe havia parecido bastante confusa – “Não conseguia entrar na história, mãe. Não estava a entender de que é que se tratava” –, mas que, à medida que ia avançando na narrativa, estava a gostar mais e que o desenlace foi a sua parte favorita.
A seguir ao Natal, peguei eu na obra e fui lendo-a ao mesmo tempo que lia os contos de Desnorte. Entendi por que razão o primeiro capítulo tinha sido difícil de compreender para o meu filhote – múltiplas ações encadeadas, mistura de realidade com fantasia, saltos temporais e alguma informação histórica, climatérica e espacial em catadupa. Fui conhecendo Rodrigo e os seus dois amigos, voltei a Freixo de Espada à Cinta, fiquei a saber quem foi Jorge Álvares, filho ilustre da terra e regressei aos áureos anos dos Descobrimentos, que possibilitaram ao nosso Portugal ser dono de uma grande parte do mundo e fizeram com que um simples homem do povo como Jorge Álvares pudesse enriquecer ao ponto de ter uma casa sumptuosa a milhares de quilómetros da sua terra natal, importantes negócios com a China, o Japão e a Índia e receber à sua mesa de jantar personalidades célebres como Fernão Mendes Pinto. Para além de tudo isto, embarquei com o trio de amigos numa aventura extraordinária e numa missão que à partida parecia ser impossível.
Nunca fui uma admiradora de narrativas onde a fantasia predomina sobre a realidade. Nem mesmo em criança. Sendo assim, não posso afirmar que esta leitura tenha sido muito saborosa. Também constatei (uma vez mais) que aquilo que mais agradou ao meu filho foi a parte que achei que estava menos bem conseguida. Considero que o final deveria ter sido consistente com a aventura e missão de carácter impossível em que se viram envolvidos os três amigos e que o poder “do tesouro” que finalmente encontraram deveria ter sido do calibre da referida aventura e não ter apenas a dimensão “caseira” que acabou por ter. Também creio que a narrativa, as personagens, a correspondente contextualização histórica tinham “sumo” q.b. para mais desafios, mais obstáculos e mais frenesim tanto para os protagonistas como para os leitores.
Por tudo isto, vejo-me forçada a classificar esta obra com uma pontuação inferior à que o meu filho lhe atribuiu. Para ele, Missão Impossível tem motivos suficientemente interessantes para dar-lhe um 8/10. Na minha opinião, um 6/10 será a avaliação mais justa.
E assim se resume a última leitura partilhada em 2017 com mais pequeno da casa. Venham muitas mais, porque proporcionam-nos momentos deliciosos e só nossos!

Sinopse
«Partindo de uma garrafa de porcelana azul e branca da China encomendada por Jorge Álvares em 1552, de que a Fundação Jorge Álvares é proprietária e pode ser vista no Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, as autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada desenvolvem no livro, destinado à mesma faixa etária da Biblioteca Digital, uma aventura em que ressalta a vida de Jorge Álvares no Oriente naquela época, os seus amigos bem como as lendas e os animais míticos chineses.

Desta edição, não comercial, foram em 2014 oferecidos pela Fundação Jorge Álvares vinte seis exemplares a cada biblioteca de todas as escolas do país, constituindo um importante instrumento para fomentar o conhecimento da história, cultura e lendas da China e de Macau, bem como para a organização na escola de trabalhos de grupo.»

Sr. Pivete, de David Walliams


Ficha técnica
TítuloSr. Pivete
Autor – David Walliams
Editora – Porto Editora
Páginas – 232
Data de leitura – de 28 a 30 de novembro de 2017

Opinião
O Sr. Pivete tresandava. Aliás, fedia. E se fedorentíssimo for uma palavra em português, então o cheiro dele era fedorentíssimo. Ele era o fedorento mais fedorento que alguma vez existiu.” (pág. 11)
Este é o parágrafo inicial de uma narrativa simplesmente deliciosa e que chegou às minhas mãos porque, tal como já referi em outras opiniões, sou uma privilegiada a quem emprestam obras que de outra forma poderiam passar-me despercebidas ou ser preteridas, na obra da compra, por aquelas que já preenchem a minha wishlist há tempos e tempos.
Nas raras vezes que este ano letivo temos almoçadas juntas, a Susana e eu trocámos impressões sobre as leituras que eu vou fazendo e sobre aquelas que ela vai partilhando com os dois filhotes. Foi assim que tomei conhecimento do Sr. Pivete, uma obra que, segundo ela, teria que ler porque me iria proporcionar momentos únicos. E assim foi.
O Sr. Pivete é um senhor já avançado na idade que vive na rua, na companhia da sua cadela Duquesa, tão fedorenta e suja como ele. Ninguém, mas ninguém se aproxima dos dois, porque o cheiro que destilam é tão pestilento que, a alguns metros de distância, o nariz não pode encorrilhar mais e a vontade de vomitar é quase insuportável. Até que um dia, Chloe, uma menina de 12 anos, sente que a sua curiosidade é mais forte que o desejo de distanciar-se do pivete (“… o pior tipo de cheiro que existe”) e aproxima-se do sem-abrigo que fez de um velho banco de jardim a sua residência. Mete conversa com ele, fica a saber que o Sr. Pivete se vê a si mesmo como um vagabundo (“Não gosto da palavra “sem-abrigo”. faz lembrar alguém que cheira mal – pág. 35) e, pouco a pouco, é capaz de engolir a vontade vomitar e apertar o nariz e começar a ver naquele “vagabundo” o único amigo que tem na vida.
Li a obra num tempo recorde, tendo em conta o caos que é o final de um período letivo, com testes e avaliações que não parecem terminar nunca. Li-a num tempo recorde porque a narrativa e as ilustrações que a acompanham são deliciosas. A personagem do Sr. Pivete é uma das melhores personagens com que já me cruzei nestes anos infindáveis de leitora compulsiva. É deliciosamente ternurenta, elegante como só um verdadeiro cavalheiro pode ser, sagaz e muito, mas muito hilariante. Rompi frequentemente em gargalhadas com passagens suas. Há momentos que são impagáveis, acima de tudo aqueles que ele, propositadamente, se faz de ingénuo e parvinho. Quanto à sua amiga Chloe, ninguém consegue ficar indiferente ao sofrimento que carrega uma menininha de 12 anos, que é alvo constante de chacota das colegas da escola, desprezada pela irmã mais nova, criticada vezes sem conta pela sua mãe e a quem apenas o pai acarinha, mas só quando o próprio não é “espezinhado” pela esposa. As restantes personagens, isto é, os membros da família de Chloe, o Raj, dono de uma loja de doces, e uma e outra mais, estão igualmente muito bem construídas e o exagero que o autor colocou nas suas atitudes e no seu caráter levam-nos a soltar mais umas boas gargalhadas e a encaixar o que verdadeiramente está por detrás da ironia, do escárnio e do maldizer. A juntar a tudo isto (como se não fosse suficiente), deparei-me com um final perfeito, perfeito, que me arrancou umas sentidas lágrimas e me fez ter ainda mais vontade de dar um abraço apertadinho ao Sr. Pivete, nem que para isso tivesse que apertar o nariz com uma mola e parar de respirar. Absolutamente e magicamente perfeito!
Por tudo isto, rogo-vos que leiam esta obra, que a ofereçam aos miúdos que tenham por perto, que façam como a minha colega Susana e partilhem a sua leitura com filhotes, sobrinhos, afilhados, com quem quiserem, mas que a leiam!!! É obrigatório que o façam! Eu já prometi a mim mesma que tenho que a comprar para a minha estante, para que o pequeno cá de casa a possa ler e para que eu possa reler um dia destes!

NOTA – 10/10

Sinopse
Chloe é talvez a menina mais solitária do mundo. E, então, conhece o Sr. Pivete, o sem-abrigo que anda pelas ruas perto de sua casa. Sim, ele cheira um pouco mal - mas é também a única pessoa que trata Chloe com alguma simpatia. Por isso, quando o Sr. Pivete precisa de um sítio para ficar, Chloe decide esconde-lo no barraco do jardim.
Mas Chloe depressa descobre que há segredos que prometem sarilhos. E, por falar em segredos, talvez o Sr. Pivete tenha um que te deixe com a pulga atrás da orelha! (Literalmente…)

O rapaz do rio, de Tim Bowler


Ficha técnica
TítuloO rapaz do rio
Autor – Tim Bowler
Editora – Editorial Presença
Páginas – 158
Data de leitura – de 12 a 15 de novembro de 2017

Opinião
Jess é uma adolescente que adora nadar, adora a sensação de furar a água, de quebrar a resistência do elemento aquático e dar braçadas atrás de braçadas até sentir que o seu corpo já não aguenta mais. Vive com os pais e o avô paterno, com quem tem uma relação especial, única.
No início da narrativa, enquanto Jess faz umas piscinas atrás das outras, o seu avô sente-se mal, tem um ataque cardíaco que o vai debilitar seriamente e deixá-lo com poucas hipóteses de sobreviver por muito tempo mais. Mesmo assim, obriga o filho e a nora a manterem os planos de passar férias no local onde nasceu para que possa levar em diante a sua última vontade. Será aí, junto a um rio que viu o seu avô crescer e perder a família num incêndio, que Jess se deparará com a cruel evidência de que o velho rezingão e de temperamento tempestuoso que ama incondicionalmente não regressará a casa, e que a sua morte será uma perda devastadora para si e para o seu pai. Contudo, os últimos momentos que desfrutará ao lado do seu avô serão também cruciais para conhecê-lo ainda melhor, para entender que aquele rio que corre junto da casa de campo onde estão alojados, que a atrai com um magnetismo a que não resiste, teve um papel importantíssimo na infância e juventude do ancião e que aquele jovem que lhe aparece em recorrente visões lhe anseia contar isso muito mais.
Esta leitura foi, como o são todas as obras que abordam a relação especial entre avós e netos, muito pessoal e pintou-se de uma explosão de sentimentos e lágrimas. Com esta leitura, regressei à minha infância, à relação estreita e única que tive com os meus velhinhos e senti-os sempre muito pertinho de mim. Senti como se fosse minha a dor de Jess perante a certeza de que o seu avô não estaria por muito mais tempo com ela, sofri por ela e por mim e acompanhei de nó na garganta os últimos momentos de cumplicidade, de amor, de travessura e de carinho de uma ligação que, apesar de rompida pela morte, nunca se desfaz, nunca abandona o neto ou a neta que teve o privilégio de conviver com avós e avôs rezingões ou afáveis, analfabetos ou letrados, travessos ou amorosos.
É por tudo o que referi e por mil e outras razões que continuo apaixonada pela literatura infantil e juvenil, por narrativas curtinhas e simples, mas que me agarram, me agasalham e me agitam como o fazem muito poucas narrativas adultas. E é por tudo o que referi que recomendo e rogo que leiam esta e outras obras tão belas como esta!

NOTA – 10/10

Sinopse
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma.

As grandes paixões de Jess eram o avô e a natação. Fora por isso que ficara radiante quando soubera que ia passar alguns dias de férias à casa onde o avô vivera a sua infância. Mas a alegria desvanece-se quando Jess descobre que o avô se encontra em estado terminal. Mesmo assim, o velho senhor parece estranhamente empenhado em terminar um quadro enigmático a que dá o nome «O Rapaz do Rio». Ao tentar ajudá-lo nesta última tarefa, Jess acaba por se deixar envolver pela tela, descobrindo a sua íntima relação com a vida do avô... Através de uma linguagem profundamente poética, Tim Bowler traça afinal neste seu «O Rapaz do Rio» uma metáfora sobre a vida, a morte e a perda e o crescimento interior que esta pode vir a despoletar. Uma obra galardoada em 1998 com a 'Medalha Carnegie'. A não perder!

O rosto da avó, de Simona Ciraolo


Ficha técnica
TítuloO Rosto da Avó
Autora – Simona Ciraolo
Editora – Orpheu Negro
Páginas – 36
Data de leitura – 05 de novembro de 2017

Opinião
Sei que já é altura para não o fazer, porque tenho provas suficientes de que a literatura dos mais pequenos é do melhor que há, mas ainda me deslumbro como uma criança, ainda arregalo os olhos de puro prazer quando deito a mão a uma historinha infantil e esta, que veio da biblioteca há duas semanas atrás, veio confirmar isso mesmo. Eu, já dona também de alguns cabelos brancos e de algumas rugas, rendi-me completamente a esta história de uma avó que mata a curiosidade da neta e lhe confidencia as histórias que estão por detrás das rugas que sulcam o seu rosto.
A história conta-se em meia dúzia de palavras. Há partes que nos chegam apenas através de ilustrações lindíssimas, que conseguem transmitir-nos na perfeição o que vai no pensamento de uma avó que sabe a que momento da sua vida corresponde cada uma das múltiplas rugas que cobrem o seu rosto – momentos de dor, de saudade, de sofrimento e momentos de alegria, de sorrisos, de felicidade.
Uma união mágica entre palavras e ilustrações, entre uma neta e uma avó, entre uma obra e um leitor de qualquer idade, entre uma história e eu, que não pude conter as lágrimas desde que a abri até que a encerrei. Uma união simples, comovedora e sublime, como conseguem ser as boas e saborosas histórias infantis.
Amei de paixão, sem dúvida!

NOTA – 10/10

Sinopse
O que é que guardas nesta linha, avó?
E o que é que está nestas pequeninas?
Hoje a avó faz anos e é dia de festa para toda a família!
Mas a menina está intrigada: como podem as linhas que marcam o rosto da avó ser tão pequeninas e guardar tantas memórias?