Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura infanto-juvenil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura infanto-juvenil. Mostrar todas as mensagens

O rosto da avó, de Simona Ciraolo


Ficha técnica
TítuloO Rosto da Avó
Autora – Simona Ciraolo
Editora – Orpheu Negro
Páginas – 36
Data de leitura – 05 de novembro de 2017

Opinião
Sei que já é altura para não o fazer, porque tenho provas suficientes de que a literatura dos mais pequenos é do melhor que há, mas ainda me deslumbro como uma criança, ainda arregalo os olhos de puro prazer quando deito a mão a uma historinha infantil e esta, que veio da biblioteca há duas semanas atrás, veio confirmar isso mesmo. Eu, já dona também de alguns cabelos brancos e de algumas rugas, rendi-me completamente a esta história de uma avó que mata a curiosidade da neta e lhe confidencia as histórias que estão por detrás das rugas que sulcam o seu rosto.
A história conta-se em meia dúzia de palavras. Há partes que nos chegam apenas através de ilustrações lindíssimas, que conseguem transmitir-nos na perfeição o que vai no pensamento de uma avó que sabe a que momento da sua vida corresponde cada uma das múltiplas rugas que cobrem o seu rosto – momentos de dor, de saudade, de sofrimento e momentos de alegria, de sorrisos, de felicidade.
Uma união mágica entre palavras e ilustrações, entre uma neta e uma avó, entre uma obra e um leitor de qualquer idade, entre uma história e eu, que não pude conter as lágrimas desde que a abri até que a encerrei. Uma união simples, comovedora e sublime, como conseguem ser as boas e saborosas histórias infantis.
Amei de paixão, sem dúvida!

NOTA – 10/10

Sinopse
O que é que guardas nesta linha, avó?
E o que é que está nestas pequeninas?
Hoje a avó faz anos e é dia de festa para toda a família!
Mas a menina está intrigada: como podem as linhas que marcam o rosto da avó ser tão pequeninas e guardar tantas memórias?

A casa das bengalas, de António Mota


Ficha técnica
TítuloA casa das bengalas
Autor – António Mota
Editora – Gailivro
Páginas – 164
Data de leitura – de 21 a 22 de outubro de 2017

Opinião
A última obra que li de António Mota – Pedro Alecrim – conduziu-me a uma entrevista dada pelo autor a alunos de uma escola qualquer deste nosso país. Li-a com bastante interesse e fiquei em pulgas quando o autor referiu que a obra que o havia feito ir às lágrimas havia sido A casa das bengalas, que havia escrito as suas últimas páginas com os olhos marejados. É claro que não perdi tempo em tentar saber de que tratava a narrativa em questão e quando constatei que se centrava na solidão dos idosos, tratei logo de ver se a biblioteca da terrinha o tinha. E tinha-o, para minha grande alegria!
Por isso, na semana passada trouxe-o comigo e devorei-o praticamente todo numa manhã onde a leitura andou de mão dada com o desporto. A personagem principal é o avô Henrique que viveu a sua já longa vida numa aldeia perdida do interior do país. Vive sozinho na sua casinha e sempre cuidou de si próprio com brio e aprumo, mas agora que a saúde começa a pregar-lhe recorrentes partidas tem que obedecer à sua filha e fechar a porta da sua casinha, abandonar os seus pertences, deixar para trás tudo o que até então orientou os seus dias e passar uma temporada no apartamento da filha e posteriormente resignar-se a partilhar quarto com outro ancião num lar de terceira idade.
A obra é de 1995, mas o tema continua a ser muito pertinente. Cada vez mais. Os velhos que são vistos como velhos, como indesejados, como incómodos, como ocupadores de espaço e de tempo. Os velhos que se tenta despachar a qualquer custo para que definhem e sejam apenas um corpo enfezado, abatido numa cadeira ou numa cama qualquer, sem lampejo de calor ou vida. Os velhos que ninguém quer. Os velhos de que tenho tantas, mas tantas saudades e que tanto, mas tanto queria de novo comigo.
O avô Henrique abriu a ferida que nunca vai fechar, porém abriu-a com uma mistura de lágrimas e de sorrisos. Regressei aos meus tempos de adolescente, aos dias passados ao ar livre entre árvores de fruta, videiras, batatais, abóboras, milheiral, animais à solta; aos almoços e jantares na cozinha dos meus avós, divisão de construção tosca, mobilada com peças desconjuntadas e decorada com o indispensável calendário “que tem que ter as luas, que tem que ter as luas”. Voltei a sentir os meus velhinhos junto a mim graças aos diálogos carregados de sabedoria e experiência entre o avô Henrique e o seu neto Tião e a todo o carinho disfarçado de rudeza e pragmatismo que os envolvia sempre que estavam juntos.
Foi assim uma leitura muito emocional, muito pessoal. Foi mais uma prova (como se ainda precisasse de provas) do quanto a literatura infanto-juvenil me faz bem, me afaga e me tranquiliza. A casa das bengalas reforçou ainda o apreço que tenho pelo seu autor, criador de histórias simples, habitadas por personagens simples, portadoras de situações com as quais me identifico sempre por me serem muito familiares. Saio da sua leitura com um sorriso nos lábios, mesmo tendo vertido algumas lágrimas, tal como o fez o autor enquanto a escrevia. Saio feliz e apaziguada, prometendo a mim mesma um regresso rápido aos livrinhos infantis e juvenis.

NOTA – 09/10

Sinopse
Um avô que fica sozinho na aldeia. A cidade não o seduz, apesar de aí residir a escassa família que possui. O recurso a um lar de idosos para afastar a solidão daquele avô que precisa que alguém cuidasse dele. As visitas da família são frequentes mas rápidas, pois os visitantes "desta casa têm sempre muita pressa". Mas há o neto que não se esquece do que o avô lhe ensinou e está sempre pronto a satisfazer-lhe todos os caprichos.
Prémio António Botto.

Os Piratas - Teatro, de Manuel António Pina


Ficha técnica
TítuloOs Piratas - Teatro
Autor – Manuel António Pina
Editora – Porto Editora
Páginas – 96
Data de leitura – 29 de setembro de 2017

Opinião
Esta foi a quarta e última obra que o D. teve que ler como “trabalho” para férias. Não a lemos ao mesmo tempo, ele leu-a antes de as aulas começarem, eu só lhe peguei no final do mês de setembro.
Não sou a adepta mais ferrenha do género dramático, prefiro o texto corrido em poder de um narrador que não necessita de recorrer a indicações cénicas entre parênteses ou em itálico para informar o leitor onde e quando se passa a ação ou quais as movimentações ou reações das personagens. Porém, não deixo que essas minhas preferências me impeçam de ler uma obra dramática, sobretudo se a posso partilhar com o filhote.
Os Piratas são de leitura obrigatória para um aluno que frequente o sexto ano. Compreendo que o seja se destacarmos a trama, as personagens e as reviravoltas típicas de uma obra juvenil, com aventura, suspense, mistério e protagonistas da mesma faixa etária do público-alvo. Confesso que, ao ler as páginas iniciais, senti um frémito muito semelhante ao que sentia quando tinha os meus dez, onze, doze anos e devorava as coleções de Enid Blyton. Esse frémito foi mantendo-se ao longo da narrativa, mas deu lugar a alguma incredulidade e desapontamento quando a terminei, porque muitas questões ficaram sem resposta. Ficou no ar a sensação de que o final não corresponde em absoluto ao resto da história, parece que esta foi arrematada à pressa, “às três pancadas” e um aluno de onze anos não tem “bagagem” suficiente para compreender se tudo o que leu até ao momento final foi um sonho ou foi real.
Soube depois de ter terminado a leitura da obra que esta foi uma adaptação ao género dramático feita pelo próprio autor. Na minha opinião, não foi uma adaptação muito bem sucedida, pois todos os elementos atrativos que a compõem mereciam um final muito melhor do que aquele que a referida adaptação nos oferece. As personagens são cativantes, mas acho que qualquer leitor quer, como eu, saber o que lhes passou, quer saber se Robert foi de verdade raptado pelos piratas, quer conhecer melhor a Ana, o Manuel, a sua mãe, quer que desenvolvam a narrativa até que esta lhe providencie todas as respostas às perguntas que vai deixando no ar, sobretudo à principal – terá sido tudo sonho ou realidade?
 Por tudo o que referi, considero, sobretudo como mãe e leitora muito assídua, que a escolha desta obra para leitura obrigatória de sexto ano não foi a mais acertada. Há tantas, mas tantas obras publicadas para esta faixa etária, que se torna um pouco difícil entender por que razões elegeram esta, com personagens complexas, sem contornos claros e uma narrativa também ela ambígua. Resta-me esperar para ver como a abordará a professora nas aulas e se essa abordagem esclarecerá algumas das dúvidas que não são apenas minhas, como é óbvio.

NOTA – 06/10 (a nota reflete a minha opinião)


Sinopse
E se, de repente, te visses a bordo de um navio de piratas? Não fazes ideia de como foste lá parar, só sabes que tens de salvar a tua mãe, mas o Capitão toma-te por um dos seus grumetes… No meio do desespero, acordas e pensas que tudo não passou de um terrível pesadelo. Mas logo te apercebes que ainda trazes na cabeça o lenço vermelho de pirata… Terá sido sonho ou realidade?

Ulisses, de Maria Alberta Menéres


Ficha técnica
TítuloUlisses
Autora – Maria Alberta Menéres
Editora – Edições ASA
Páginas – 68
Datas de leitura – de 12 a 16 de setembro de 2017

Opinião
Esta foi a terceira leitura que o D. trouxe para férias e foi a que tanto ele como eu menos gostamos. Ulisses e as suas façanhas não nos conquistaram…
Reconheço que a versão infanto-juvenil deste clássico da literatura mundial está muito bem conseguido, Maria Alberta Menéres aproximou-o à faixa etária dos miúdos da idade do meu, usando uma linguagem muito acessível e resumindo em pouco mais de cinquenta páginas as múltiplas aventuras do protagonista de Odisseia, de Homero. Contudo, ou seja porque narra uma realidade muito distante da que o meu filho vive ou porque essa realidade convive muito de perto com um mundo efabulado ou ainda porque a Antiguidade Clássica nunca me atraiu, sentimos que o que lemos não é apelativo, não nos diz nada e muito dificilmente será recordado por razões que não aquelas que estão associadas à obrigatoriedade da sua leitura para a disciplina de Português.
Sendo assim, apesar de admirar o trabalho importantíssimo que Maria Alberta Menéres tem levado a cabo em prol da literatura, não sou capaz de recomendar esta leitura. É muito provável que haja leitores que se entusiasmem e se maravilhem com as proezas de Ulisses, mas infelizmente nem eu nem o meu pequenote fazemos parte deles…
Venha a próxima leitura!

NOTA – 05/10


Sinopse
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.
Foi Homero, poeta grego, quem contou no seu livro Odisseia as façanhas de Ulisses, rei de Ítaca, adorado por todos os que o conheciam.
Muitas e estranhas foram as viagens que fez à volta do mundo de então e de si próprio. A sua fama correu de boca em boca e todos o consideravam como o mais manhoso dos mortais e o mais valente marinheiro.
Grande parte da sua vida, passou Ulisses navegando de aventura em aventura, por entre Ciclopes e Sereias encantatórias ou tentando libertar-se da misteriosa Feiticeira Circe para regressar à sua fiel Penélope. Diz-se que, nesses tempos de antigamente, não houve homem que mais sofresse e mais feliz fosse do que o espantoso Ulisses

Pedro Alecrim, de António Mota


Ficha técnica
TítuloPedro Alecrim
Autor – António Mota
Editora – Edições ASA
Páginas – 112
Datas de leitura – de 22 de agosto a 02 de setembro de 2017

Opinião
Pedro Alecrim trouxe-me recordações, trouxe-me histórias que fui ouvindo ao longo dos anos, de crianças que tiveram que crescer demasiado depressa, mas que, mesmo assim, não se libertaram de resquícios da inocência e pragmatismo que dão cor à infância.
Um menino que vive numa aldeia, longe da escola onde frequenta o sexto ano: um menino que não tem muito tempo para fazer os deveres ou para estudar porque, mal chega a casa, tem que pousar a mochila e ajudar os pais nas lidas do campo e no trato dos animais. Um menino que, mesmo assim, não é um mau aluno, mas que não consegue entender muito bem para que lhe servirá no futuro as matérias que aprende em aulas dadas por professores algo enfadonhos e distantes. Um menino que ama a terra e os animais (excetuando as toupeiras, ratos, ratazanas, cobras e outros que não fazem falta nenhuma ao mundo), que anda muitas vezes às turras com os irmãos mais novos, que adora “perder-se” em conversas e brincadeiras com o seu amigo Nicolau, que odeia quando este troça do seu apelido e o associa à canção “Alecrim aos molhos” e que adoraria ter dito ao pai que gostava muito dele, mas que apenas conseguiu ficar plantado, junto à sua cama, a olhar para nenhures. Um menino como outro qualquer. Diferente dos meninos de hoje em dia, diferente do meu filhote, com uma vida e umas prioridades distintas, porém, tão semelhante aos de hoje em dia, na sua inocência, na sua frontalidade, no seu pragmatismo.
Gostei imenso de ler este livro, como gostei imenso de ler outras obras de António Mota. Poderão dizer que são obras datadas, de tempos que já não existem, mas as suas personagens são intemporais, são humanas e, mesmo que sejam crianças que não tenham telemóveis ou tablets como apêndices das suas mãos, são crianças, iguais às deste século ou às de séculos passados. A sua mensagem continua a chegar-nos e a fazer sentido – a mim para quem a lida do campo sempre foi familiar e ao meu filhote que nunca tratou de uma galinha, de uma vaca ou de um cavalo e que nunca soube o que é necessário fazer para regar um campo.
Esta foi a segunda leitura de férias do D. Ambos estamos de acordo que provavelmente será a melhor e que António Mota continuará a ser um autor muito querido para os dois.
Recomendadíssima!

NOTA – 09/10 (a nota reflete a minha opinião)

Sinopse
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.

Pedro Alecrim reparte os seus dias entre a escola, as brincadeiras com os amigos e o trabalho no campo para ajudar a família. Pedro gosta de andar na escola, embora se interrogue sobre a utilidade de algumas matérias e nem sempre aprecie o feitio de alguns professores. Os dias vão passando, com sonhos, alegrias e tristezas. A morte do pai alterará tudo. Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e jovens.

As Naus de verde pinho, de Manuel Alegre


Ficha técnica
TítuloAs Naus de verde pinho
Autor – Manuel Alegre
Editora – Publicações Dom Quixote
Páginas – 20
Datas de leitura – 20 de agosto de 2017

Opinião
O D. trouxe trabalhinho para férias – terá que ler até ao início das aulas as quatro obras de leitura obrigatória para a disciplina de Português. Após uns meses de merecido descanso, começámos ontem a maratona literária e arrancámos com a obra mais curtinha, feita de estrofes e ilustrações.
As naus de verde pinho, escritas por Manuel Alegre e ilustradas pelo seu filho, trazem-nos um dos episódios mais marcantes dos nossos Descobrimentos - a dobragem do Cabo das Tormentas.
Tal como n' Os Lusíadas e na Mensagem, acompanhamos a viagem de Bartolomeu Dias e o seu "embate" com um Cabo simbolicamente representando por uma nuvem negra, monstro perneta e ameaçador. Voltamos a encher o peito de orgulho luso ao ouvir o grande Capitão afirmar sem temor algum que está ali em nome do povo português, que nada o fará demover da sua missão e que continuará a avançar por mares nunca até aí navegados para poder mostrar ao mundo a fibra da alma lusitana.
A obra, como se depreende pelo título, evoca igualmente o papel fundamental de D. Dinis, o rei das trovas e das cantigas de amigo, o rei que encheu a costa do centro do país de verdes pinhos que possibilitaram a construção das caravelas, das naus que levaram os bravos lusos "ao outro lado/ ao ali ao longe ao lá/ ao cabo nunca dobrado".
Por fim, esta pequenina narrativa poética relembra-nos que o sonho comandou a vida destes descobridores e comanda a vida de todos nós:
"Sempre que em teu pensamento
o verde pino florir
abre os teus sonhos ao vento
porque é tempo de partir."

Recomendo-a para miúdos, pois é de leitura fácil, as rimas ficam no ouvido, as ilustrações muito boas e recordam assim conhecimentos que vão adquirindo nas aulas de História ou de Estudo do Meio. Recomendo-a também para graúdos porque as rimas de Manuel Alegre têm uma musicalidade notável, abordam momentos da nossa História que nos deixam com o orgulho em alta e porque não é possível ficarmos indiferente ao apelo final da obra, presente na estrofe que transcrevi no parágrafo anterior.

NOTA – 08/10 (a nota reflete a minha opinião)

        
         Sinopse
         Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.

Um belo poema sobre os Descobrimentos, no primeiro livro para a infância de Manuel Alegre, que mereceu o Prémio António Botto 1998. Ilustração de Afonso Alegre Duarte.

A ilha das quatro estações, de Marta Coelho


Ficha técnica
TítuloA ilha das quatro estações
Autora – Marta Coelho
Editora – Clube do Autor
Páginas – 420
Datas de leitura – de 08 a 11 de agosto de 2017

Opinião
Do cais da rotina, das leituras exigentes e que reclamam uma atenção e uma entrega sem reservas embarquei em direção a uma ilha dividida em quatro zonas que correspondem a quatro estações, preparadas para receber os leitores e sobretudo a jovens a braços com problemas, que aí se refugiem e tentem “aceitar os ventos da mudança” para que possam finalmente abraçar a vida e voar.
A ilha das quatro estações é uma obra que encaixa na perfeição no rótulo de literatura juvenil. Chegou à estante como um bónus, uma espécie de “recebes dois quando pediste apenas um”, pois veio na companhia da obra que li antes, as duas gentilmente oferecidas pela editora Clube do Autor. É de autoria de Marta Coelho, até hoje, uma autora que desconhecia por completo, mas que, segundo a informação bibliográfica presente numa das abas laterais, pertenceu à equipa de autores que escreveu algumas séries juvenis e telenovelas. Conta, tal como referi no parágrafo anterior, a viagem e estada de alguns jovens na Ilha das Quatro Estações, um projeto que visa ajudá-los, através de uma terapia ocupacional, a superarem problemas das mais variadas índoles.
Catarina, Santiago, Misha e Rute têm praticamente a mesma idade e estão na ilha com o mesmo objetivo – fechar a porta (quem sabe definitivamente) ao lado escuro, aos demónios pessoais que os atormentam e que não lhes permitem desfrutar de uma vida que mal começou. Ingressados na ilha ou por traumas, perdas ou por serem vítimas de violência, os quatro acolhem-se uns aos outros e, num ápice, transformam-se em amigos inseparáveis. Partilham alojamento, partilham as horas de trabalho e partilham confissões. Todos são belos, todos são altruístas, todos são ótimos companheiros e ótimos confidentes e todos são dignos de compaixão, pois carregam fardos intensamente dolorosos. São personagens que nos falam ao coração, ao nosso lado mais emotivo e puxam pela nossa lágrima fácil (pelo menos puxou pela minha que está sempre prestes a cair!). Aliam-se de forma simbiótica ao discurso da autora, composto por doses certas de lamechice e por frases e expressões embebidas, por um lado, de otimismo, de encorajamento, de sentimentos à flor da pele, de borboletas no estômago e, por outro, de dor, escuridão, luto, angústia, prostração e desistência.
Uma narrativa de jovens e para jovens. Escrita de forma simples, mas muito certeira. Passada numa ilha que parece demasiado irreal, povoada, porém, por protagonistas que padecem de dores e problemas tipicamente juvenis e atuais. Uma narrativa que encerra deixando no ar muitas questões sem respostas e abre a possibilidade de uma sequela. Uma narrativa que se nos aninha no peito, nos abraça, nos embala como uma canção romântica e que apenas exige que mantenhamos a porta dos sentimentos escancarada. Uma narrativa ideal para intervalar com narrativas mais densas e mais tortuosas e para levar no saco de praia.
Gostei e aconselho a quem se quiser recuar no tempo e recordar as dores e as paixões da juventude, a quem estiver ainda a saborear os docemente turbulentos anos da juventude ou a quem estiver a precisar de mergulhar em doses “quase industriais” de lamechice.

Agradeço a gentileza da editora que me enviou esta obra em troca da correspondente leitura e opinião.

NOTA – 07/10

Sinopse
Aqui não são permitidos telemóveis, computadores nem tablets. Só te resta viver.
Onde todos os sonhos são possíveis.
Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.
Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém. Tiago só desejava poder voltar a viver como antes. Misha isolara-se do mundo à sua volta. Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.
Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles…

Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?

Tempo de descontos, de Gerard van Gemert


Ficha técnica
TítuloTempo de descontos
Autor – Gerard van Gemert
ColeçãoOs heróis do futebol – volume IV
Editora – Editora Nacional
Páginas – 160
Datas de leitura – de 01 a 08 de junho de 2017 / Filhote – de 25 de janeiro a 19 de fevereiro de 2017


Opinião
A febre por histórias e coleções cujo enredo rola pelos campos da bola continua em alta aqui em casa. O filhote segue com entusiasmo, de olhos postos nas páginas, seguindo com o dedito todas as peripécias dos protagonistas de Os heróis do futebol e a mãe sente o peito a encher-se de orgulho sempre que se depara com o seu pequenote, sentadinho no sofá, de livro nas mãos e a vibrar com as descrições de jogos de futebol, as aventuras em que se envolvem os amigos inseparáveis Rodrigo e Rafael e a forma como a sua amizade ultrapassa todos os obstáculos que aparecem de volume em volume.
Neste que se intitula Tempo de descontos, os dois jovens integram pela primeira vez o plantel da famosa Seleção de Juvenis do Atlético’69. Contudo, a integração, como era de esperar, não é fácil, há outros jovens que aspiram a alcançar o mesmo sonho, mas, como já nos vêm habituando, Rafael e Rodrigo entram no campo com espírito de campeões, com o espírito daqueles que suam a camisola e dão tudo o que têm e não têm.
Paralelamente a este desafio futebolístico, há outros que se intrometem e, novamente, encontramos o destemido Rodrigo e o cauteloso Rafael enfiados numa aventura que envolve uma casa que parece estar assombrada. Para além disso, o nosso apaixonado Rafael vai sofrer o primeiro desgosto amoroso.
Antes de escrever esta opinião, perguntei ao meu D. que escreveria ele se eu lhe pusesse o computador nas mãos e lhe pedisse para tentar mostrar a todos os gaiatos da idade dele o quanto eles têm que ler esta coleção, mesmo que não sejam tão doidinhos por futebol como ele. Ele, na realidade, não se sentou em frente ao computador, mas foi-me dizendo algumas razões pelas quais continua a adorar esta coleção e a dar a cada um dos volumes a nota máxima. Termino então esta opinião com as ideias do meu pimpolho, já que ela é mais da responsabilidade dele que minha:
“Este volume é fixe, porque o Rodrigo e o Rafael conseguem finalmente jogar na mesma equipa que o seu ídolo, Berto Torres, a equipa que acabou de ganhar a Liga dos Campeões. Eles vão ter algumas dificuldades em ser titulares, sobretudo o Rafael, porque há outro avançado que quer jogar sempre e que o trama muitas vezes.
Gostei muito deste volume, como gostei dos outros, porque gosto muito dos dois amigos. Prefiro o Rodrigo, porque ele é muito corajoso e não tem medo nenhum de se meter em aventuras perigosas. Mas, por outro lado, prefiro o Rafael já que ele é mais calmo e só “anda à bulha” quando tem mesmo que ser, enquanto o Rodrigo perde a paciência muito facilmente.
Já disse algumas vezes à minha mamã que às vezes não entendo muito bem “o relato” (as descrições) do jogos de futebol, não percebo todas as jogadas, como é que a bola chega ao avançado, os passes, as fintas, mas mesmo assim, continuo a adorar esta coleção e a dar a todos os volumes 10 em 10, porque são TOP!”

NOTA – 10/10 (obviamente, porque assim o diz o mais pequeno cá de casa)

Sinopse

São tempos difíceis para os Heróis do Futebol. Rafael e Rodrigo têm dificuldades na sua primeira época no Atlético’69. O seu ídolo, Berto Torres, está tão em baixo de forma que se coloca a questão de não ser selecionado para o decisivo jogo de qualificação para o Campeonato Mundial. A equipa de futebol escolar sofre uma onda de lesões. Na moradia, junto ao campo de treino, acontecem coisas estranhas e, para agravar tudo, Filipa, a namorada de Rafael, mostra-se muito distante. Será que Rafael e Rodrigo conseguem vencer todos os obstáculos? 

O menino que não gostava de ler, de Susanna Tamaro


Ficha técnica
TítuloO menino que não gostava de ler
Autora – Susanna Tamaro
Editora – Editorial Presença
Páginas – 40
Datas de leitura – 22 de março de 2017


Opinião
Não lia Susanna Tamaro há muito, muito tempo. Tenho em casa dois livros seus, um dos quais a sua obra mais conhecida – Vai onde te leva o coração. Não me considero uma admiradora acérrima desta autora, mas decidi ler O menino que não gostava de ler instigada pela obra infantil que li há umas semanas atrás e que também abordava a pouca vontade que um menino tinha de pegar num livro e mergulhar na sua história.
Mais uma vez socorri-me da biblioteca municipal e trouxe esta obra no saco onde vieram outras duas que entretanto já li. Deixei-a para o fim e foi uma decisão que não sei dizer se foi a mais acertada, pois perante as outras que me preencheram quase por completo, O menino que não gostava de ler não cumpriu. A premissa era suculenta – uma criança ainda não maculada pela leitura, pelo sabor de livros e narrativas, resistindo a ser contagiada por histórias que lhe dariam a possibilidade de viajar sem sair do seu cantinho. Uma criança cujos pais são leitores compulsivos. Uma criança que vive numa casa onde se tropeça em livros espalhados por todos os cantos.
Contudo, a viagem pelas 40 páginas que compõem esta obra foi não só rápida como igualmente desenxabida e algo incomodativa… Se eu, tal como Leopoldo, tivesse uns pais que tomassem posições extremistas e tentassem a todo o custo ver-me com um livro nas mãos, só porque eles assim o fazem e assim o querem, também eu muito provavelmente resistiria à leitura com todas as minhas forças e fugiria dos livros como uma criança foge de fazer algo que a obrigam todas as santas horas do dia. Também eu me sentiria incompreendida e tentaria buscar compreensão noutro lado qualquer…
O final da obra e que nos faz descobrir mais uma razão para a aversão de Leopoldo à leitura também me defraudou… Levou a que reagisse com um bom franzir do sobrolho e me apetecesse exclamar – “Então é por isso?...” Bah… Uma autora tão conceituada como Susanna Tamaro poderia ter feito bem melhor. A justificação à aversão é demasiado prosaica para que mesmo o público-alvo da obra se sinta satisfeito.
Concluo dizendo que foi, como já devem ter compreendido, uma leitura pouco produtiva. É verdade que nem tudo é negativo na obra. A relação que nasce entre Leopoldo e o velho cego e a correspondente ligação forte entre os dois e as histórias e os livros são uma lufada de ar fresco e de alegria, mas foram “esmagadas” perante a sensação de frustração e alguma revolta que senti face ao que já expus. Sendo assim, não consigo recomendar-lhes que leiam esta obra…

NOTA – 05/10

Sinopse

No dia em que Leopoldo fez oito anos, os pais ofereceram-lhe dois livros, tal como acontecia em todos os aniversários desde que tinha nascido! Leopoldo sentiu-se tão triste e infeliz... não gostava mesmo nada de ler. Sempre que tentava fazê-lo, as letras começavam a misturar-se umas nas outras numa grande confusão de rabiscos pretos sem qualquer significado. Mas os pais não entendiam o seu problema e insistiam tanto para que ele lesse que um dia Leopoldo decide fugir de casa! É então que conhece alguém muito especial, um grande amigo, que descobre o que realmente se passa com ele e juntos começam a partilhar muitas e muitas páginas de aventuras, sonhos e fantasia...

O coração e a garrafa, de Oliver Jeffers


Ficha técnica
TítuloO coração e a garrafa
Autor – Oliver Jeffers
Editora – Orpheu negro
Páginas – 34
Datas de leitura – 17 de março de 2017


Opinião
É tãaaao saboroso intercalar leituras adultas com leituras infantis! Tiro o chapéu aos inúmeros autores que se dedicam a escrever para os mais pequenotes, porque não considero fácil condensar em poucas palavras uma história apelativa, que prenda os leitores mais jovens e os faça agarrar o livrinho, espreitar as imagens, relacioná-las com o texto e consciente ou inconscientemente compreender que o que leram ou ouvirem alguém ler os levará a crescer.
Em O coração e a garrafa deparámo-nos com um dos maiores medos dos mais pequenos – a perda de alguém que os protege, que os defende e que os guia no conhecido e no desconhecido. Em pouquíssimas páginas, sentimos o nosso coração encolher perante a perda e a reação da menina protagonista face à mesma. A perda traz dor, rouba a redoma que qualquer criança constrói para si e para os seus e para que não se repita, para que não se sinta retraída de dor e completamente desamparada, é preferível arrancar o mal pela raiz – arrancar o coração e guardá-lo numa garrafa.
Contudo, sem coração não há dor, não há sofrimento, mas também não há alegria, prazer, carinho, amor. E isso até os mais pequenotes acabam por descobrir, mais cedo ou mais tarde.
Foi outra ternurinha dorida, outra leitura que me fará continuar em busca de outras histórias infantis que, com um número reduzido de letras e palavras, conseguem o que muitas leituras adultas não conseguem – tocarem-me, aquecerem-me, agasalharem-me como um abraço e um mimo das pessoas que mais amo.
É obviamente uma leitura recomendada! Muito recomendada!

NOTA – 09/10

Sinopse
O Coração e a Garrafa fala-nos de uma menina fascinada com o mundo à sua volta. Até que um dia algo aconteceu que a fez pegar no seu coração e guardá-lo num sítio seguro. Pelo menos durante algum tempo… Só que, a partir daí, nada parecia fazer sentido. Saberia ela quando e como recuperar o seu coração?
Com esta história comovente, Oliver Jeffers explora os temas difíceis do amor e da perda, devolvendo-nos, de maneira notável, um sopro de alento e de vida.