Balanço mensal | livros lidos em Janeiro 2019 pelos leitores cá de casa


Em Janeiro, os 3 leitores cá de casa leram 14 livros no total. Participámos em 2 projectos (#HOL74 e #lusiteratura). Eu fiz 3 deliciosas leituras em conjunto! E mais não digo - espreitem o vídeo! Deixo-vos, como é habitual, os links para as opiniões dos livros lidos:
          - Antes de nos encontrarmos, de Maggie O' Farrell

- Os da minha rua, de Ondjaki

- Então, boa noite, de Mário Zambujal
- As mulheres no castelo, de Jessica Shattuck
- A História do Amor, de Nicole Krauss
- Escritos secretos, de Sebastian Barry

          E vocês, o que é que leram? Participaram em algum projecto? Contem-me tudo!



O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor



Ficha técnica
TítuloO Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor
Autor – Jorge Amado
Editora – Publicações Europa – América
Páginas – 74
Datas de leitura – de 31 de janeiro a 01 de fevereiro de 2019

Opinião
         Pode parecer-vos inacreditável, mas eu nunca tinha lido este livrinho. É claro que não me era desconhecido, já tinha visto em bibliotecas e livrarias a sua capa ilustrada com uma andorinha a esvoaçar e um gato às riscas e de bigodes fartos, mas, por esta ou por aquela razão, nunca me tinha sentido tentada a ler. Ora tudo isso mudou quando a Silvéria, do canal The Fond Reader, a aconselhou para o projeto que está a dinamizar durante este mês de fevereiro – #24horas1livro.
         Animada com a opinião/recomendação dela, trouxe-o na última visita que fiz à biblioteca e bendita a hora em que o fiz, porque rendi-me sem pôr qualquer entrave (muito pelo contrário) a esta história infantil (que fiquei a saber que é dado no 8º ano nas aulas de Português), belissimamente ilustrada e composta pela arte e engenho de um dos maiores e melhores contadores de histórias mundiais – o magistral Jorge Amado. É impossível não nos maravilharmos com o jeitinho com que ele cria e conta uma história lindíssima, que tenta derrubar barreiras, ou se quiserem, ideias pré-concebidas, e nos presenteia com uma relação de amor entre um gato e uma andorinha, dois bichos que sempre foram vistos como inimigos um do outro. Apaixonei-me de forma assolapada por este casalinho de bichanos, sobretudo pelo gato, pela sua história, pela sua solidão e pela entrega sem reservas ao amor que lhe nasce quase à primeira vista pela jovem e confiante andorinha. E mais não quero dizer, pois pode ser que haja por aí alguém que, como eu, ainda não leu esta preciosidade e, se assim for, que não seja por culpa minha que não entra na história quase às escuras.
         Esta leitura teve um sabor muito, muito especial por duas ou três grandes razões – primeiro, porque me permitiu participar no projeto interessantíssimo da Silvéria (se quiserem saber mais e participar, cliquem aqui), segundo, fez com que eu regressasse às letras do genial Jorge Amado e terceiro, abriu-me as portas a uma leitura carregadinha de sabor, deliciosa, que me fez sorrir com os “apartes” do narrador, com o sotaque açucarado do português do Brasil e me obrigou a verter umas lágrimas com o desenlace. Foi tudo tão, tão perfeito que até perdoei ao autor a inclusão na história de uma personagem encarnada por aquele bicho rastejante que me provoca calafrios (no mínimo).
         Termino fazendo aquilo que a Silvéria fez comigo – recomendando a todos, sem reservas, que leiam esta obra, que desfrutem de 24 horas (ou mais ou menos) na sua companhia e que se sintam aconchegadinhos com uma das mais belas histórias de amor que conheço. RECOMENDADÍSSIMA!
         Se já a leram ou se ficaram interessados, por favor, deixem os vossos comentários – a “gerência” agradece!
        
         NOTA – 10/10

         Sinopse
         «O mundo só vai prestar
         Para nele se viver
         No dia em que a gente ver
         Um gato maltês casar
         Com uma alegre andorinha
         Saindo os dois a voar
         O noivo e sua noivinha
         Dom Gato e Dona Andorinha»

         Este foi o mote do grande escritor brasileiro para esta fábula dos tempos modernos, que conta a história de amor insólita entre um gato, considerado como a criatura mais egoísta e solitária das redondezas e uma bela e gentil andorinha.
         Com a duração de três doces estações, o improvável romance entre as duas criaturas das «profundas do passado quando os bichos falavam» sobrevive às críticas sociais, à diferença de idades dos dois amantes e às diferenças de carácter entre ambos, para enfim esbarrar na cruel e "natural" evidência, escondida pela paixão inicial, de que «uma andorinha não pode, jamais, casar com um gato».

Livros novos + outros regalitos - Janeiro de 2019


Olá! Partilho convosco e em vídeo quais foram os livros novos que chegaram às estantes em Janeiro, mês de aniversários dos dois adultos cá de casa. No total, são 10 os novos habitantes, 6 dos quais foram prendinhas, 3 foram comprados e um foi o resultado de mais uma colaboração conseguida com a editora Planeta, a quem volto a a agradecer a gentileza de terem respondido, com muita rapidez, ao meu pedido.
No vídeo vêem também o quão feliz fiquei com outros regalitos que nos ofereceram aqueles que nos querem bem. Irão perceber ainda por que razão eu sou a mãe mais babada deste mundo 💗💗💗
Espreitem e comentem! Ficarei encantada com os vossos comentários, como sempre!
Até já!


A história do amor, de Nicole Krauss



Ficha técnica
TítuloA história do amor
Autora – Nicole Krauss
Editora – Publicações Dom Quixote
Páginas – 316
Datas de leitura – de 16 a 19 de janeiro de 2019

Opinião
         Há muito tempo que tinha este livro anotado no caderninho das leituras que quero trazer da biblioteca da terrinha, mas não me recordo de onde retirei a sugestão. Acho que foi de opiniões de amigos do Goodreads em quem confio muito.
         Entrei para a leitura quase às cegas, como aliás prefiro, mas fiquei extremamente contente quando me dei conta, numa das nossas habituais conversas escritas, que, sem combinarmos nadinha, eu e a Paula estávamos a ler (ela a ouvir em audiobook) a mesma obra. Aproveitamos muito bem os minutinhos em que nos dirigimos ao e-mail para partilharmos ideias, opiniões e inclusive dúvidas sobre momentos relativos ao desenlace. Foi, mais uma vez, uma experiência muito proveitosa e que a mim sempre me deixa com um sorriso nos lábios e como que saciada.
         Desengane-se quem pressupõe que esta obra nos oferece uma narrativa lamechas ou, usando uma expressão da Paula, delicodoce. O título pode ser visto como enganador, já que parte dum outro título, duma outra narrativa que une e entretece todas as histórias que compõem a trama. Porque de verdade é disto que se trata – uma trama que “vive” de várias, que as vai entrelaçando, exigindo do leitor bastante atenção e perícia para encaixar as peças narrativas de um puzzle que só fica terminado e claro (de uma claridade ainda assim algo dúbia) nas páginas e linhas finais.
         Leo Gursky é um velhote solitário, habitante de uma grande cidade americana. É judeu, escapou à morte aquando da Segunda Grande Guerra e traz dentro de si muitas vidas e muitas mortes, muita dor, resignação e uma invisibilidade que nos toca profundamente. Alma é uma miúda de 12 anos que também vive nos EUA com a sua mãe e o seu irmão. Perdeu o pai aos 6 anos e essa perda fraturou de forma irreversível a sua vida e a sua família. Zvi Litvinoff é um escritor algo obscuro, da Europa de Leste e foi amigo, durante a juventude, de Leo Gursky. Por fim, o quarto e último narrador da obra é o irmão de Alma, uma criança cuja excentricidade não traz nem acrescenta nada a uma história que se tornaria mais perfeita se, por vezes, não caísse na redundância ou em momentos um pouco monótonos, como esses que estão associados a Bird, irmão de Alma, e o seu fervor religioso.
         Foi a primeira vez que li Nicole Krauss e gostei imenso, muito mesmo, da experiência. O seu estilo é lindíssimo, lírico, introspetivo, com passagens que me deixaram com uma vontade louca de as sublinhar (só não o fiz porque o livro veio da biblioteca) e com duas das personagens mais enternecedoras e comoventes com que lidei nos últimos tempos, não fossem elas um velhote (Leo) e uma criança (Alma). Leo é, sem qualquer tipo de dúvida, alguém de quem me condoí como poucas vezes o fiz com uma pessoa ficcionada. O amor que, mesmo já velho, ainda devota à mulher da sua vida, a sua inocência e credulidade, a sua invisibilidade voluntária perante alguém que é sangue do seu sangue e os gestos carregadinhos de ternura que tem para com outra personagem nas derradeiras páginas da obra, tudo isto compõe alguém que eu não esqueço, nem quero esquecer. De Alma recordarei os esforços hercúleos de uma menina adolescente que carrega nos ombros a tristeza de uma família órfã de pai e de marido. Às outras personagens dei e continuo a dar um espaço bem mais secundário, mas uma delas manter-se-á comigo como sendo aquela que me reservou a surpresa “mais surpreendente” do final do livro.
         Acho que não vale a pena alongar-me mais, pois o resto deixo para quem queira dar uma oportunidade a esta história maravilhosa, que nos oferece as mais variadas facetas do amor. Peço-vos, por favor, que tomem nota desta minha recomendação e que não se esqueçam dela, porque não se arrependerão – o estilo da autora, com passagens inesquecíveis, não o permitirá.
         Obrigada, Paulinha, por mais uma viagem em conjunto! Venha a próxima!

         NOTA – 09/10

         Sinopse
         Leo Gursky tenta sobreviver mais algum tempo, batendo no radiador todas as noites para dar a saber ao seu vizinho de cima que ainda está vivo e fazendo recair sobre si as atenções ao balcão do Starbucks do bairro. Mas a vida nem sempre foi assim: há sessenta anos, na aldeia polaca onde nasceu, Leo apaixonou-se e escreveu um livro. E, embora não o saiba, esse livro também sobreviveu: atravessou oceanos e gerações, e mudou vidas. Alma tem catorze anos e foi assim baptizada em honra de uma personagem desse livro. Passa a vida a vigiar Bird, o seu irmão mais novo (que acredita poder ser o Messias) e a tomar notas num caderno intitulado Como Sobreviver na Selva – Volume III. Mas no dia em que uma misteriosa carta lhe chega pelo correio começa uma aventura para descobrir a sua homónima e salvar a família. Neste seu extraordinário novo romance, Nicole Krauss criou algumas das personagens mais memoráveis e tocantes da ficção recente numa história transbordante de imaginação, humor e paixão.