Finalmente os meus caderninhos (o meu blogue em papel), deram um salto virtual e, assim, poderei partilhar aqui a minha paixão pelos livros e as minhas leituras desde 2011!
Regressei
com muito prazer e um sorriso rasgado a terras e às letras chilenas. Depois de Isabel
Allende, Luis Sepúlveda e Marcelo Serrano viajei para latitudes sul-americanas
na companhia de mais um autor chileno que me conquistou e que me fez e faz
querer ler mais daquilo que escreveu.
Não me
vou alongar muito sobre esta pequenina/grande história, pois o vídeo que vos
deixo a seguir cumpre esse papel, o de abrir-vos as páginas da narrativa,
apresentar-vos as personagens e de partilhar convosco o quanto foi especial a
sua correspondente leitura. Vou apenas acrescentar aquilo que não foi
mencionado no vídeo – através de um comentário que deixaste no vídeo, Paula,
descobri que a biblioteca da minha terrinha tem mais duas obras do autor, o que
consequentemente me levou a anotar esses títulos e a prometer a mim mesma que
os mesmos virão comigo um dia destes.
Termino
aconselhando àqueles que, como eu, sentem um fraquinho e se derretem pela literatura
sul-americana que arrisquem e conheçam este autor chileno. Não se arrependerão!
Eu não me arrependi.
NOTA –
09/10
Sinopse
Esta é a história de María
Margarita, uma rapariga que revela um dom especial para narrar as histórias dos
filmes a que assiste. Sempre que estreia um novo filme na cidade, toda a
população contribui para pagar um bilhete de cinema a Margarita. Depois do filme,
a jovem conta o que viu, de uma forma apaixonada, encarnando as personagens e
transmitindo as imagens, a música e toda a emoção do cinema. É então que passa
a ser conhecida como a Contadora de Filmes.
Hernán Rivera Letelier foi o
vencedor do prémio Alfaguara 2010, com a obra El Arte de la Ressurrección, um
dos mais prestigiados galardões literários de língua castelhana. No Chile, o
seu país de origem, é um dos escritores com maior êxito.
Estou a
escrever esta opinião praticamente dez dias depois de ter terminado a leitura
de uma obra que comprei há mais de um ano atrás para o maridinho. Recordo-me da
reação dele quando lhe perguntei, como sempre faço, se tinha gostado da
leitura. É verdade que o que eu tenho a mais de expressividade, o maridinho tem
a menos, mas já consigo compreender, mesmo que as suas reações sejam pouco
expressivas, quando uma obra lhe agrada muito ou pouco. E recordo que fiquei com
a sensação de que Corações de Pedra
não o tinha deslumbrado. Agora que eu própria li a obra, percebo ainda melhor
essa sensação.
Como já
referi, terminei de ler este livro há quase dez dias, mas tenho que confessar que
o intervalo que tempo que decorreu desde o dia doze pouco ou nada tem a ver com
aquilo que será o teor desta opinião, isto é, que a obra arranca com uma
premissa muito prometedora e termina arrastando-se e enovelando-se em momentos
quase sem fim de descrições bélicas, estratégicas, em muitas e muitas páginas
que, apenas no final, fazem a ponte (bastante rebuscada, no meu ponto de vista)
com as personagens e a trama inicial.
Se
consultarem a sinopse, constatam que a ação começa em 1938, na ilha grega de
Lefkas. É lá que se encontra um professor alemão, o Doutor Karl Muller,
responsável pelas escavações arqueológicas levadas a cabo a mando da
Universidade de Berlim e o seu filho, Peter Muller, que entretanto travou
amizade com dois jovens locais. A Europa está prestes a envolver-se noutro
conflito bélico de proporções mundiais e o Dr. Muller é informado de que tem
que regressar à Alemanha. No último dia que partilham juntos, Peter e os seus
amigos gregos – Andreas e Eleni – prometem voltar a encontrar-se o mais rápido
possível.
A
guerra estala entretanto e os dois países – Alemanha e Grécia – estão em lados
opostos. Andreas alista-se na Marinha grega e posteriormente envolver-se-á com
as forças de resistência, às quais Eleni dará uma ajuda preciosa. Peter, agora
um oficial nazi, regressa à Grécia e à ilha de Lefkas e o encontro entre os
três é inevitável. Se juntarmos a tudo isto uma descoberta importantíssima que
o Dr. Muller fez, em 1938, no último dia que passa na ilha grega, temos os
ingredientes essenciais para uma narrativa muito prometedora. Contudo, e
reitero que o que vou dizer a seguir é apenas a minha perspetiva, apenas a
leitura que fiz desta obra, à medida que ia avançando nas páginas, fui perdendo
o entusiasmo e sentindo que uma experiência que parecia ter tudo para ser
empolgante, acabou tornando-se enfadonha e arrastada, levando a que eu
sentisse, acima de tudo, alívio por tê-la terminado. Não fui capaz de criar
grande empatia com as personagens, achei que não houve grande evolução nas
mesmas, as relações que as unem são bastante mornas e a parte final, aquela que
permite que os três amigos se reúnam novamente, poderia ser muito mais bem
explorada. Para além disso, como já referi, considero que a narrativa se enovelou
demasiado em descrições de conflitos, de armamentos e coisas similares e isso,
pelo menos para mim, foi algo aborrecido, que me levou a ler algumas partes na
diagonal.
Contudo,
mesmo tendo em conta tudo o que de menos bom possui esta obra, acho que saí da
sua leitura mais informada acerca da Segunda Grande Guerra, pois, apesar de já
ter lido imensas obras relacionadas com este conflito, pouco ou nada sabia de
como o mesmo havia afetado a Grécia e os seus habitantes. Sendo assim, não
posso afirmar que ler esta obra tenha sido uma pura perda de tempo. Nada disso.
Acho apenas que, com uma premissa tão entusiasmante, as minhas expectativas
saíram muito goradas e não encontrei em Corações
de Pedra aquilo que já encontrei em outras obras dedicadas à temática e
que me maravilharam.
Assim
sendo, não posso dar-lhe mais do que uma nota mediana e nem posso recomendá-la
a quem queira mergulhar na Segunda Grande Guerra através de uma narrativa
arrebatadora e recheada de emoção e de personagens inesquecíveis.
NOTA –
05/10
Sinopse
1938: Três jovens vivem um
verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que
fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma
expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni.
À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os
amigos juram encontrar-se de novo.
1943: Andreas e Eleni
juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa -
agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá
transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar
tudo pelos países que amam…
Datas de leitura – de 24 de setembro a 04 de outubro de
2018
RELEITURA
Opinião
Em
setembro quis desafiar-me e pôr em prática um projeto que já me aliciava há
bastante tempo. Como sabem, adoro fazer releituras de obras que me conquistaram
num determinado momento e que merecem que as retire de novo da estante e lhes
dê, uma vez mais, atenção, tempo e mimo. Por tudo isso, desafiei-me a criar o
projeto – Uma releitura por mês.
Escrevi doze títulos em doze post-its – nove amarelos (correspondentes a obras
publicadas em Portugal) e três cor-de-rosa com títulos de obras de Almudena
Grandes. Coloquei-os numa caixinha e todos os meses – de setembro de 2018 a
agosto de 2019 faço um sorteio (podem ver o sorteio de setembro aqui e o de
outubro aqui) e releio a obra que me caia em sorte.
No mês
passado, decidi apenas sortear uma obra em espanhol, porque seria a única que
iria ler em língua castelhana durante esse período. Tive a felicidade de
retirar o papelinho que continha o título que queria reler em primeiro lugar – Malena es un nombre de tango, da
minha Almudena.
Todos
que me conhecem e me seguem por estas bandas estão carecas de saber que
Almudena Grandes é uma das referências incontornáveis da minha vida de leitora
adulta. Nas minhas estantes moram quase todas as suas obras e não há nenhuma
que não me tenha tocado de uma forma muito particular e muito especial. Malena es un nombre de tango não
foi obviamente exceção, muito pelo contrário. Na primeira leitura que fiz da
mesma, fiquei tão arrebatada com a sua protagonista, com a sua história, com os
estereótipos que carrega, com a luta que luta consigo própria e com os outros
para libertar-se dessas ideias e tradições que a amarram e não a deixam ser
feliz e sentir-se realizada, que soube de imediato que teria que lê-la de novo,
um dia mais tarde. E esse dia chegou, oito anos e um mês depois.
Malena
é a menina má de um par de gémeas. É a filha desajeitada, é a filha menos
perfeita, é a aluna pouco brilhante e é a irmã que, ainda na placenta, roubou
alimento à sua gémea, fazendo com que esta nascesse com aspeto de prematura,
precisasse de ir para a incubadora e passasse os primeiros anos debaixo do olho
clínico de médicos especialistas. É a miúda que sempre se sentiu culpada,
sempre se sentiu deslocada e a ovelha negra de um família tradicional, burguesa
e endinheirada. Cresce sem ter a proteção de ninguém, ouvindo e sabendo das
coisas através de falas veladas, de críticas face ao perfeccionismo da irmã
(que até o nome lhe roubou quando nasceu) e dos ensinamentos que mãe, avó e a
própria gémea lhe tentam impor.
Malena
nasce na década de 60, em plena ditadura franquista. Não passou por
necessidades económicas, porque a sua família é endinheirada, mas desenvolve-se
num ambiente que dita que o papel de uma menina é ser obediente, dar suma
importância à família, crescer para ser uma boa filha, uma boa neta e
futuramente uma boa mulher, submissa, religiosa, doméstica e uma boa mãe.
Quando se dá conta de que, por muito que se esforce, nunca será como Reina, a
sua mãe e a sua irmã, e que, pelo contrário, é portadora do sangue impuro que
está presente em alguns elementos da sua família, tem consciência de que terá
que expiar essa culpa. E fá-lo-á eternamente, diminuindo-se face à irmã,
tentando calcar o amor que professa pelo seu avó e pela sua tia Magda (as
outras ovelhas negras da família) e sentindo-se um pouco culpada sempre que dá
ouvidos ao que ela quer, ao que o seu coração e o seu corpo lhe pedem.
É
humanamente impossível não nos apaixonarmos por Malena. É uma miúda e mais
tarde uma mulher vibrante, dona de um corpo que destila sensualidade, que
apenas quer ser ela mesma, amar e ser amada numa época que está, aos
pouquinhos, deixando que as mulheres desabrochem. A sua tórrida história de
amor enquanto adolescente, a dor física que a assola quando é abandonada, as
escolhas imperfeitas que faz em adulta, a diferença abismal entre ela, como
progenitora, e a sua mãe e irmã, a vontade que tem de querer conciliar todos os
papéis que a fazem mulher, tudo a torna numa protagonista inesquecível. E isso
deve-se exclusivamente à genialidade de Almudena Grandes que nos entende, a nós
mulheres, como muitíssimo poucas escritoras.
Numa
obra de quase oitocentas páginas há muito mais do que Malena. Há histórias
igualmente inesquecíveis de outros elementos da sua família, há um travo das
dificuldades que caracterizaram a vida do espanhol anónimo durante a ditadura,
há mais uma ou outra memorável história de amor e há, acima de tudo, o quebrar
de tabus associados ao papel da mulher. Malena vai quebrando-os, tal como o
fizeram a sua tia e a sua avó paterna. Leva muitas bofetadas enquanto o faz,
mas no final compreende que valeu a pena e que se encontrou finalmente como ser
humano e como mulher.
Quem já
leu ou venha a ler esta obra, pode afirmar que poderia ser menos extensa, que a
autora poderia cortar-lhe um bom punhado de páginas. Pode igualmente referir-se
ao estilo de Almudena como algo rebuscado ou rendilhado. Não deixo de estar de
acordo, sobretudo quando o comparo àquele que a própria autora depurou em obras
seguintes. Contudo, mesmo assim, dou nota máxima a Malena, porque voltei a
apaixonar-me por ela, perdidamente, como me apaixonei há oito anos e um mês.
Termino
(e ainda havia tanto para dizer), informando que esta obra foi, há muitos anos,
publicada em português. Infelizmente, só a conseguirão encontrar em alguma
biblioteca ou alfarrabista. Mas se tropeçarem nela, deem-lhe uma oportunidade,
sobretudo aqueles que não se assustam com o seu tamanho e com um estilo denso,
que corre, com muita frequência, do passado para o presente e que parece ter
saído, de rajada, da cabeça da autora para o papel.
NOTA – 10/10
Deixo-vos
também o vídeo de opinião que publiquei entretanto no canal. Neste mesmo vídeo
faço também referência a outra leitura que, infelizmente, não terminei.
Sinopse
Malena
tiene doce años cuando recibe, sin razón, y sin derecho alguno, de manos de su
abuelo el último tesoro que conserva la familia: una esmeralda antigua, sin
tallar, de la que ella nunca podrá hablar porque algún día le salvará la vida.
A partir de entonces, esa niña desorientada y perpleja, que reza en silencio
para volverse niño porque presiente que jamás conseguirá parecerse a su hermana
melliza, Reina, la mujer perfecta, empieza a sospechar que no es la primera
Fernández de Alcántara incapaz de encontrar el lugar adecuado en el mundo. Se
propone entonces desenmarañar el laberinto de secretos que late bajo la
apacible piel de su familia, una ejemplar familia burguesa madrileña. A la
sombra de una vieja maldición, Malena aprende a mirarse, como en un espejo, en
la memoria de quienes se creyeron malditos antes que ella y descubre, mientras
alcanza la madurez, un reflejo de sus miedos y de su amor en la sucesión de
mujeres imperfectas que la han precedido.
Nestes
dois últimos meses, a estante voltou a engordar bastantes gramas!
Em
agosto, numa escapadela a terras de Espanha, comprei 3 livros que já moravam na
wishlist há tempos. No final do mês, já em terras lusas, não resisti a uma
promoção de 60% e trouxe para casa mais um livro que pedia encarecidamente para
também sair da wishlist e ocupar o seu lugarzinho na minha estante.
Em
setembro, nas duas visitas que fiz à Feira do Livro do Porto, comprei duas
pechinchas – cada livro custou-me apenas 5 euros – e o maridinho, seguindo a
recomendação de um colega, adquiriu uma novidade numa promoção de 20%. Por fim,
a melhor e mais suculenta surpresa de todas aterrou na minha caixa de correio
por tua culpa, Paula, que decidiste presentear-me com duas prendinhas que me
puseram histérica (como podem ver aqui) e me fizeram acreditar ainda mais que somos
verdadeiramente BOOKBESTIES!
Para
saberem quais foram as minhas compras, a do maridinho e os miminhos que a Paula
me ofereceu, deixo-vos o correspondente vídeo que, entretanto, publiquei no
youtube. Espero que gostem e que partilhem aqui ou lá se pecaram durante estes
dois meses e que novos habitantes têm a vossa estante!