Segundo
mês temático aqui no cantinho. Gostei tanto de ter dedicado um tema ao mês de
março que aproveitei o facto de ter na estante várias obras em espanhol à minha
espera para fazer de abril o mês das leituras escritas em língua castelhana.
Li no
total quatro obras e não terminei uma. Viajei por várias cidades de Espanha,
pelas suas correspondentes comunidades autónomas, cruzei o Atlântico, passei
uma rápida temporada em terras mexicanas e cubanas e deambulei por distintas
épocas.
A
primeira viagem (e a mais marcante de todas) levou-me ao País Basco. Voltei ao
mundo de Fernando Aramburu e de lá não queria regressar, tal foi o impacto que
a sua última obra produziu em mim. Patria
é a voz da história mais recente de uma comunidade aterrorizada pela luta
armada por uma independência que havia que conseguir a todo o custo. Faz-nos
entrar na vida de duas famílias banais e constatar o quão destroçadoras e
dizimadoras podem ser as diferenças entre querer ou não ver a sua região
transformar-se numa nação independente e entre os limites que cada um
estabelece, ou seja, até que ponto está um basco disposto a ir para alcançar
essa independência. Esta foi a leitura mais suculenta do mês e que recomendo
sem reservas. A obra foi editada em português há pouco tempo e encontram-na
facilmente em qualquer livraria.
A
segunda viagem foi a bordo das letras de uma autora que tão-pouco é
desconhecida para os leitores portugueses. Falo-vos de María Dueñas, que
publicou em Portugal O tempo entre
costuras e Recomeçar.
Eu li a sua terceira obra (ainda não publicada cá) e gostei muito. La templanza é uma obra
histórica, de época e envolve-nos numa trama bem urdida, que vive sobretudo dos
seus protagonistas, um homem que se fez a si próprio, cheio de garra, que luta
por aquilo que quer, e uma mulher corajosa, à frente do seu tempo e cheia de
paixão pelas suas origens. Em mais de 500 páginas, viajei por três países –
México, Cuba e Espanha – e deliciei-me com uma história de amor de dois seres
que compreendi estarem destinados um ao outro no momento em que as suas mãos se
tocam.
A
terceira viagem acabou por ser a mais decepcionante. Confesso que tinha
expectativas algo elevadas em relação a Y
todos callaron, porque a sua narrativa aborda a Guerra Civil em zonas
que nunca havia visto abordadas em outras obras – Bilbao e Burgos, por exemplo.
Contudo, percebi logo nas páginas iniciais que as referidas expectativas iriam
cair a pique, já que, pela primeira vez, desde que comecei a ler livros sobre o
tema, não fui capaz de condoer-me com as reviravoltas trágicas que o conflito
trouxe à vida de um jovem casal, apaixonadíssimo e progenitores de um menino
pequeno. Não senti nada, apenas indiferença ao ler o testemunho de Amelia e
para quem, como eu, procura com desespero as emoções nas leituras que faz, a
viagem que fiz pelas páginas de Y
todos callaron revelou-se frustrante e será rapidamente esquecida…
Encerrei
o mês com mais uma viagem pela época da Guerra Civil espanhola e os seus anos
subsequentes. Reli La voz dormida
e encontrei-me com todas as emoções que estiveram desaparecidas na leitura
anterior. Acompanhei, durante esse período obscuro, a vida de algumas mulheres
que sofreram na pele, como muitos outros espanhóis, apenas porque escolheram
ter voz e ser livres. Adorei entrar de novo nas letras de Dulce Chacón, no seu
estilo suave, emotivo, intimista e senti-me, uma vez mais, muito orgulhosa do
género feminino, da valentia e perseverança de um punhado de mulheres que,
mesmo por detrás de grades físicas ou de uma Madrid amordaçada, com os corações
a transbordar de dor pela perda de muitos entes queridos, não vergaram e
seguiram em frente.
No
início deste balanço referi que li quatro obras e não terminei uma. Li por
volta de 200, 300 páginas de La
librería del callejón, mas não tive vontade de continuar, primeiro
porque a sua narrativa estava a enveredar por percursos que incomodam o meu
lado crédulo, repletos de referências ao ocultismo, espiritismo, e depois
porque não estava a criar nenhum tipo de laços com as personagens dos dois
momentos – presente e passado – que alimentam a engrenagem da obra. É óbvio que
não me dá prazer nenhum deixar uma leitura a meio, mas, hoje em dia, faço-o
quando tenho que fazê-lo e não me arrependo. Basta-me olhar para a estante e a
frustração acaba por esfumar-se!
Nos
primeiros dias de abril fiz umas miniférias familiares em duas cidades
espanholas e voltei a cair em tentação… Porém, tenho que defender-me, pois
apenas comprei um livro e de edição de bolso, ou seja, baratinho. Quero muito
conhecer o que escreveu Luz Gabás para além do fantástico e arrebatador romance
Palmeiras na neve (em Portugal
está editado pela Marcador) e, por
isso, comprei Regreso a tu piel,
uma história de um amor inquebrável que se desenrola nas paisagens que separam
Espanha de França no século XVI. Para a próxima vez que faça um mês dedicado às
leituras em espanhol este não escapa!
A
editora Clube do Autor
enviou-me Elmet, a obra de
estreia da autora Fiona Mozley e unanimemente aclamada pela crítica. Tenho
visto muito boas referências sobre esta obra e espero lê-la brevemente! Se
alguém a já tiver lido, que me diga o que achou, OK?
Fico à
espera dos vossos comentários e de saber o que leram durante este mês!
Termino
deixando-vos, como é habitual, os links para acederem à
opinião completa das obras lidas em abril:

