Demência, de Célia Correia Loureiro


Ficha técnica
TítuloDemência
Autora – Célia Correia Loureiro
Editora – Alfarroba
Páginas – 394
Datas de leitura – de 18 a 24 de junho de 2017



Opinião
Entrei no mundo das letras de Célia Correia Loureiro pela mão da minha querida Isa do blogue Jardim de Mil Histórias. Recordo-me que li a sua opinião sobre esta obra nos finais de novembro do ano passado e fiquei tão entusiasmada, tão agarrada às suas palavras, que aproveitei de imediato a “desculpa” para pecar no mês onde ainda estou mais proibida de pecar. Resultado – a dois de dezembro Demência já ocupava o seu cantinho na minha estante!
Seis meses depois retirei-a desse cantinho, embrenhei-me na sua leitura e compreendi, às primeiras páginas, o porquê da Isa ter afirmado que mal havia começado a ler a história de Letícia e de Olímpia, não mais a largou. Não mais a largou até ter lido as derradeiras palavras de uma obra que mostra uma maturidade surpreendente para uma autora que não era mais do que uma miúda quando a escreveu.
Demência é um romance onde predominam a força e o carácter das personagens femininas. As duas protagonistas já foram duramente castigadas pela vida. Ambas são viúvas e ambas encaram esse estado civil com evidente alívio. Ambas sabem o que é sofrer nas mãos de um marido-carrasco. Uma poderia ser o conforto da outra se não se desse a trágica coincidência de o marido de Letícia ser filho de Olímpia e de aquela o ter assassinado em sua própria defesa. Assim, uma para sobreviver, privou a outra da maior (e talvez única) alegria da sua existência, do seu orgulho, do seu único filho, do seu eterno bebé.
Nas páginas iniciais da narrativa viajamos até a uma aldeia beirã, situada perto de Tondela e que sempre foi a casa de Olímpia. É aí que ela continua a viver, sozinha, com os seus animais. E é também aí que a vizinhança começa a aperceber-se de que a sogra de Letícia não está bem mentalmente, de que os seus comportamentos e esquecimentos são indícios de que ela não poderá continuar a viver sozinha, desamparada. Essa doença, essa maldita doença será assim a justificação para que Letícia regresse à aldeia que a condenou em praça pública e que ainda condena, mesmo que a justiça a tenha absolvido. Regressará porque é a única familiar de Olímpia. Mas também regressará porque tem duas filhas a seu cargo e está praticamente sem teto e sem dinheiro para seguir com a sua vida longe daqueles que a vêm como uma assassina.
Foi extremamente fácil criar laços com estas duas mulheres. Foi extremamente fácil porque ambas são duas lutadoras, duas sobreviventes, duas mulheres que nos fazem sentir orgulho do nosso sexo, do nosso género. Será muito difícil esquecer a imagem de Letícia a entrar em casa de Olímpia, em casa do ser humano que mais a odeia, alguém que nos momentos de lucidez se vê obrigada a conviver com a nora, a mulher que matou o seu filho, a mulher que a deixou sem chão, sem razão para continuar a viver. Tentamos compreender os dois lados, queremos, quase de uma forma irracional que Olímpia perdoe Letícia, mas de imediato nos pomos no seu lugar, na sua pele, e não é humanamente possível que uma mãe seja capaz de todos os dias sentar-se ao lado da pessoa que matou o seu filho e descontraidamente perguntar-lhe o que quer para jantar ou se prefere chá ou café para o lanche.
Demência é, como se pode depreender, um romance de personagens, mas não apenas de Letícia e Olímpia. É-o, por um lado, de Maria e Luz, as filhotas de Letícia, de Gabriel, de Sebastião, personagens cativantes, que vamos conhecendo e por quem sentimos uma empatia imediata e é-o, por outro lado, de Fernando e Bartolomeu, dois homens doentiamente violentos, que revolvem o estômago de qualquer leitor. Por fim, Demência é ainda um romance onde uma personagem coletiva – os habitantes da aldeia onde moram as protagonistas – tem uma importância vital para o desenrolar da história. Um aglomerado de gente tacanha, mesquinha, de conhecimentos limitados e que segue apenas uma lei, a que deriva de estereótipos, da coscuvilhice, de verdade cegas que ninguém se atreve a contestar, com medo de ser diferente, de ser a ovelha negra. A justiça, a lei nada dita nesta aldeia se os seus habitantes crerem firmemente que eles é que estão certos e que os tribunais deixaram sair impune uma mulher que ceifou a vida a um dos seus, a um homem íntegro, pai afetivo de duas meninas e homem apaixonadíssimo pela sua esposa.
Como o próprio título indica, esta obra aborda uma das doenças que mais me assusta, uma doença tão degenerativa que apaga em pouco tempo todos os contornos que fazem de um homem ou de mulher um ser humano, um ser que pensa, que faz planos, que recorda, que sente, que ri, que chora, que é alguém no pleno sentido da palavra. Dói assistir ao desaparecimento de Olímpia, ao seu completo apagamento que a transforma num farrapo com duas pernas e dois braços. Dói pensar que o mesmo pode acontecer a um dos nossos ou a nós mesmos.
Por falar em dor, não é possível ficar-se impassível a outro tema que atravessa a narrativa. Falo da violência doméstica, outra forma horrenda de aniquilar a alma de alguém, de reduzir a nada a sua autoestima, a sua essência. Letícia é apenas mais uma mulher que a ficção cria para que se continue a tratar este tema, para que proteja todos os que sofrem nas mãos de seres cobardes, que usam e abusam da violência para sentir-se superiores, poderosos.
Tudo isto habita em Demência. Personagens, espaços, mentalidades, doenças, tudo chega ao leitor através de uma história muito bem construída, com uma linguagem simples, sem grandes artifícios, mas muito eficaz por isso mesmo. Tudo produto de uma escritora que denotava já bastante maturidade e um futuro promissor. Uma escritora que pretendo continuar a seguir e a ler, pois fiquei muito bem impressionada com este primeiro contacto com as suas letras. Espero, no entanto, que as outras obras que já publicou não tenham tantas gralhas e erros como esta, porque nunca é agradável tropeçar com tanta frequência como o fiz em palavras mal escritas, formas verbais sem acento ou outras gralhas que me obrigaram a estar sempre de lápis na mão.
Resta-me agradecer à Isa pela saborosa sugestão. Prometo que seguirei a que dás com a obra O funeral da nossa mãe.

NOTA – 08/10

Sinopse
No seio de uma aldeia beirã, Olímpia Vieira começa a sofrer os sintomas de uma demência que ameaça levar-lhe a memória aos poucos. A única pessoa que lhe ocorre chamar para assisti-la é a sua nora viúva, Letícia. Mas Letícia, que se faz acompanhar das duas filhas, tem um passado de sobrevivência que a levou a cometer um crime do qual apenas a justiça a absolveu.
Perante a censura dos aldeões, outrora seus vizinhos e amigos, e a confusão mental da sogra, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer por amor às filhas. O passado é evocado quando Sebastião, amigo de infância de Olímpia, surge para ampará-la e Gabriel, protagonista da vida paralela que Letícia gostaria de ter vivido, dá um passo à frente e assume o seu papel de padrinho e protector daquelas três figuras solitárias…

Tempo de descontos, de Gerard van Gemert


Ficha técnica
TítuloTempo de descontos
Autor – Gerard van Gemert
ColeçãoOs heróis do futebol – volume IV
Editora – Editora Nacional
Páginas – 160
Datas de leitura – de 01 a 08 de junho de 2017 / Filhote – de 25 de janeiro a 19 de fevereiro de 2017


Opinião
A febre por histórias e coleções cujo enredo rola pelos campos da bola continua em alta aqui em casa. O filhote segue com entusiasmo, de olhos postos nas páginas, seguindo com o dedito todas as peripécias dos protagonistas de Os heróis do futebol e a mãe sente o peito a encher-se de orgulho sempre que se depara com o seu pequenote, sentadinho no sofá, de livro nas mãos e a vibrar com as descrições de jogos de futebol, as aventuras em que se envolvem os amigos inseparáveis Rodrigo e Rafael e a forma como a sua amizade ultrapassa todos os obstáculos que aparecem de volume em volume.
Neste que se intitula Tempo de descontos, os dois jovens integram pela primeira vez o plantel da famosa Seleção de Juvenis do Atlético’69. Contudo, a integração, como era de esperar, não é fácil, há outros jovens que aspiram a alcançar o mesmo sonho, mas, como já nos vêm habituando, Rafael e Rodrigo entram no campo com espírito de campeões, com o espírito daqueles que suam a camisola e dão tudo o que têm e não têm.
Paralelamente a este desafio futebolístico, há outros que se intrometem e, novamente, encontramos o destemido Rodrigo e o cauteloso Rafael enfiados numa aventura que envolve uma casa que parece estar assombrada. Para além disso, o nosso apaixonado Rafael vai sofrer o primeiro desgosto amoroso.
Antes de escrever esta opinião, perguntei ao meu D. que escreveria ele se eu lhe pusesse o computador nas mãos e lhe pedisse para tentar mostrar a todos os gaiatos da idade dele o quanto eles têm que ler esta coleção, mesmo que não sejam tão doidinhos por futebol como ele. Ele, na realidade, não se sentou em frente ao computador, mas foi-me dizendo algumas razões pelas quais continua a adorar esta coleção e a dar a cada um dos volumes a nota máxima. Termino então esta opinião com as ideias do meu pimpolho, já que ela é mais da responsabilidade dele que minha:
“Este volume é fixe, porque o Rodrigo e o Rafael conseguem finalmente jogar na mesma equipa que o seu ídolo, Berto Torres, a equipa que acabou de ganhar a Liga dos Campeões. Eles vão ter algumas dificuldades em ser titulares, sobretudo o Rafael, porque há outro avançado que quer jogar sempre e que o trama muitas vezes.
Gostei muito deste volume, como gostei dos outros, porque gosto muito dos dois amigos. Prefiro o Rodrigo, porque ele é muito corajoso e não tem medo nenhum de se meter em aventuras perigosas. Mas, por outro lado, prefiro o Rafael já que ele é mais calmo e só “anda à bulha” quando tem mesmo que ser, enquanto o Rodrigo perde a paciência muito facilmente.
Já disse algumas vezes à minha mamã que às vezes não entendo muito bem “o relato” (as descrições) do jogos de futebol, não percebo todas as jogadas, como é que a bola chega ao avançado, os passes, as fintas, mas mesmo assim, continuo a adorar esta coleção e a dar a todos os volumes 10 em 10, porque são TOP!”

NOTA – 10/10 (obviamente, porque assim o diz o mais pequeno cá de casa)

Sinopse

São tempos difíceis para os Heróis do Futebol. Rafael e Rodrigo têm dificuldades na sua primeira época no Atlético’69. O seu ídolo, Berto Torres, está tão em baixo de forma que se coloca a questão de não ser selecionado para o decisivo jogo de qualificação para o Campeonato Mundial. A equipa de futebol escolar sofre uma onda de lesões. Na moradia, junto ao campo de treino, acontecem coisas estranhas e, para agravar tudo, Filipa, a namorada de Rafael, mostra-se muito distante. Será que Rafael e Rodrigo conseguem vencer todos os obstáculos? 

Vir ao mundo, de Margaret Mazzantini


RELEITURA
Ficha técnica
TítuloVir ao mundo
Autora – Margaret Mazzantini
Editora – Bertrand Editora
Páginas – 532
Datas de leitura – de 28 de maio a 17 de junho de 2017


Opinião
Respiro fundo múltiplas vezes e acaricio a lombada, a capa. Da leitura que terminei há umas horas [No país da nuvem branca] já quase nada resta. Deixou a porta escancarada para esta releitura que será a primeira deste ano e sem dúvida a mais significativa, a mais ansiada, a mais premente.
Acompanhar-me-á um permanente nó na garganta.”

Isto foi o que registei no meu caderninho das leituras mal retirei da estante aquele que é um dos livros da minha vida. Até ao momento não havia feito nenhuma releitura em 2017, porque conscientemente ou não estava a preparar-me para receber de novo a história de Gemma e de Diego, a história de um amor dolorosamente belo que abalroou a vida de dois jovens italianos que casualmente se conhecem em Sarajevo, no ano em que aí se celebraram os Jogos Olímpicos de Inverno.
Comprei esta obra em 2012. Comprei-a após ter lido Não te movas e me ter completamente apaixonado pela escrita emocional e belíssima de Margaret Mazzantini. A primeira leitura de Vir ao Mundo demorou praticamente um mês, não por causa do número de páginas da obra, mas porque a avalanche de sensações e sentimentos que experimentei desde as suas palavras iniciais foi sufocante, cortou-me o fôlego vezes sem conta, trouxe à superfície angústias, medos e dores que senti como se fossem minhas, só minhas.
A releitura ocorreu quase cinco anos depois e, uma vez mais, foi impossível fazê-la à velocidade normal de uma qualquer leitura. Vir ao mundo acompanhou-me em casa, no trabalho, por todos os lados durante 21 dias e despoletou tudo de novo – o nó na garganta, o peso no estômago, os nós dos dedos brancos da força com que cerrava os punhos, o encostar e abalar do livro junto ao meu peito e as lágrimas que correram infindáveis vezes, de forma descontrolada, como correm agora que bato as teclas para escrever este texto. Um texto que tem que ser perfeito, que desesperadamente transpareça o quanto este livro é também ele soberbamente perfeito, o quanto a sua leitura dói, nos faz sofrer, uivar em silêncio de incompreensão, de injustiça, de compaixão, de tristeza, de mágoa e dor pelos protagonistas da sua narrativa, sejam eles pessoas ou espaços.
Como referi, Vir ao mundo conta-nos a história de Gemma e de Diego. Mas a sua narrativa não se centra apenas na sua história de amor. É isso e muito mais. É a história de um amor completo, doce, pleno, sofrido, mas que não termina. É a história de Gemma, de uma mulher que sabe que só se sentirá completa se for mãe, mãe de um filho de Diego – “ – Quero um filho com uns pés assim. (…) – O que têm de belo estes pés?  – São os dele…” É a história de uma maternidade desesperadamente buscada, de uma maternidade que só será realidade no corpo de uma outra mulher, de alguém que não seja “incompatível com a vidade alguém que não tenha “uma esterilidade de noventa e sete por cento… uma esterilidade total.” É a história dessa maternidade finalmente alcançada, de uma maternidade que já dura há dezasseis anos, mas que apenas Gemma sentiu como verdadeira, como concreta bem depois do nascimento de Pietro – “Terei de esperar pelo dia em que ele, na terceira classe, me há-de baptizar.” É a história de Gojko, de Aska, de Sebina e de Armando, personagens que nos invadem o coração. Um com a sua ironia, o seu sentido de humor, a sua amizade indestrutível e um sentido de lealdade comovente. Outra com a sua inocência atrevida, os seus sonhos, a sua rebeldia, a sua música e a sua juventude. Outra com a sua meninice, o seu temperamento forte, a sua aura de esperança e a sua vontade de lutar. Outro com a sua doçura, a sua timidez e a sua forma tão suave e delicada de trazer luz à vida de quem o rodeia.
Vir ao mundo reúne todas estas histórias – de crianças, adolescentes, jovens e menos jovens. Mas há um espaço, uma cidade que as protagoniza e que une na mais absoluta perfeição o que já por si seria uma narrativa com contornos perfeitos. Ao longo das 532 páginas da obra calcorreamos a cidade de Sarajevo. Calcorreámo-la em 1984, no apogeu dos Jogos Olímpicos de Inverno. Calcorreámo-la em 1991, 1992, em pleno cerco da guerra civil dos Balcãs e calcorreámo-la em 2008, como capital da recente e independente Bósnia-Herzegovina. E apaixonámo-nos por ela, rendemo-nos aos seus encantos. Uma cidade que era o espelho da tolerância, da pacífica e harmoniosa convivência entre povos de etnias e religiões diferentes, que em 1984 olhava com confiança para o futuro, que abria devagarinho as suas portas para o mundo e que em 1991, 1992 é devastada, arrasada por uma guerra de contornos brutais, que assiste incrédula e indefesa ao massacre que abate os seus habitantes como se fossem lebres – “… aquela cidade transformada num campo de lebres a dizimar.” “Sarajevo é um grande campo de tiro ao ar livre. Uma reserva de caça.” Uma cidade que em 2008 renasceu das cinzas, mas que ainda está em convalescença, que ainda mostra feridas por cicatrizar. A cidade de Gojko, a cidade de Aska, a cidade de Sebina, a cidade de sarajevitas que não esquecem, que ainda choram os seus mortos, mas que paulatinamente vão começando a viver de novo – “ _ Certo dia, passei junto de um prado vermelho de papoilas e, pela primeira vez, não pensei em sangue, fiquei encantado com aquela beleza tão frágil. Era suficiente menos de um machado, de um míssil maljutka, era suficiente um sopro de vento. Aquele prado estava ali parado para nós, estava à nossa espera a seguir à curva. Um campo imenso pontuado de línguas vermelhas, como corações caídos do céu sobre a erva. Ia de carro com a minha mulher. Parámos e começámos a chorar. Primeiro, eu; depois, ela também veio atrás de mim como um rio. Foi um pranto que lentamente nos esvaziou, nos ressarciu. E a partir dessa tarde começámos a respirar com o peito. Conseguíamos suportar a nossa respiração. Durante anos esteve retida na garganta, não conseguia parar… Dois meses mais tarde, a minha mulher estava grávida.”
Por tudo o que referi, é quase redundante dizer que a releitura de Vir ao mundo foi esmagadora. Foi esmagadora porque reavivou a vontade quase incontrolável que sinto de conhecer Sarajevo. Foi esmagadora porque me trouxe tudo o que busco numa leitura. Foi esmagadora porque, como mãe, senti as dores, o desespero, a loucura, o egoísmo, os medos e as angústias de Gemma como minhas. Foi esmagadora porque me voltei a render ao amor dos dois protagonistas da narrativa. Foi esmagadora porque criei laços inquebráveis com todas as personagens. Foi esmagadora porque a escrita de Mazzantini é magistral, dolorosamente bela. E foi ainda esmagadora por causa da banda sonora que nos vai acompanhando ao longo da história e da qual fazem parte canções como estas – I wanna marry you, de Bruce Springsteen; Where the streets have no name, dos “meus” U2; Losing my religion, dos REM.
Concluindo, repito o que já referi – este é um dos livros da minha vida e que adoraria que fosse lido por todos aqueles que ainda não o leram e não conhecem Margaret Mazzantini. É um verdadeiro crime que esta autora tenha deixado de ser traduzida para português, apenas porque a venda dos seus livros não foi economicamente rentável… Espero, para bem de todos, que essa situação seja revertida num futuro próximo. Eu continuo a lê-la – já li em espanhol mais três obras suas, mas seria maravilhoso que todos pudéssemos saborear os seus livros na nossa língua, apesar de a edição que reli ter algumas gralhas incompreensíveis…
Há uns meses a minha querida companheira do blogue “Jardim de Mil Histórias” pediu-me que participasse na rubrica “O livro da minha vida”. Ainda não lhe havia respondido… Talvez porque estava à espera desta releitura. Sendo assim, aqui o tens, Isa!
Leiam Vir ao Mundo! Por favor!

NOTA – 10/10 ou se preferirem 11/10

(Deixo-vos o link da opinião que escrevi para o blogue aquando da primeira vez que li esta obra que sempre me vai assombrar)

Sinopse

Gemma deixa para trás a sua vida e entra num avião com o filho de dezasseis anos, Pietro. Destino: Sarajevo, uma cidade entre o Ocidente e o Oriente, ainda cicatrizada pelas feridas de um passado recente. À sua espera no aeroporto está Gojko, um poeta bósnio, velho amigo, que durante os dias festivos das Olimpíadas de Inverno de 1984 apresentou Gemma ao amor da sua vida, Diego, um fotógrafo que captava cenas de beleza estonteante nos reflexos de poças de água.
Este romance conta a história do seu amor, de dois jovens em tempos frenéticos e envelhecidos pela guerra. Uma história de amor tão apaixonada e imperfeita como apenas o amor verdadeiro pode ser, num ambiente contemporâneo e devastador do mundo em guerra e em paz. 

Pela primeira vez rumámos à Feira do Livro de Lisboa!


Hoje fecham-se as portas da 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa. Mas para mim manter-se-ão abertas, haverá sempre um cantinho, uma janelinha, uma frinchazinha que não fecham, que se mantêm de braços estendidos para que continue a desfrutar daquela que foi a minha primeira vez nos corredores ladeados de barraquinhas espalhadas pelos jardins do Parque Eduardo VII.


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Há já alguns anos que era um desejo muito comentado em casa – ir à Feira do Livro de Lisboa, o maior certame de celebração do livro em Portugal. Recordo que, mesmo quando ainda tínhamos no Porto uma edição com os mesmos moldes, era frequente ir à barraquinha de uma editora, procurar um livro, não o encontrar e ouvir de um dos responsáveis afirmações como “Infelizmente não o temos. Tivemo-lo na de Lisboa, mas não o trouxemos para o Porto.” Essa diferença, essa pequenez ainda se tornou mais significativa quando a Feira da cidade Invicta se mudou de novo para os Jardins do Palácio de Cristal de candeias às avessas com a APEL e consequentemente com as grandes editoras que mantêm o monopólio de quase tudo o que se publica no nosso país. Por tudo isto e porque me sinto bastante desiludida todas as vezes que faço a habitual visita em setembro à Feira portuense, a vontade de rumar a sul, de deambular de caderninho na mão pelos stands de todas as editoras que trazem brilho, cor e diversidade à festa dos livros tornou-se premente, tornou-se muito urgente.
Ficou decidido que iríamos num fim de semana e de comboio. Contudo, a data apenas ficou definitiva depois de controlados os afazeres escolares do mais pequeno da família. Estabelecemos horários de comboios, mochilas, marmitas e atualizei a lista dos livros que poderiam regressar comigo. O plano consistia em viajar num comboio bem matinal e voltar num ao final do dia, princípio da noite. Conferimos tudo, apenas deixamos a compra dos bilhetes para o próprio dia.
Entretanto, o final do ano letivo estava aí e o cansaço acumulado fez-se sentir da forma habitual. Deixei de conseguir dormir – uma noite, duas noites, três noites, ou seja, quarta, quinta, sexta. Na madrugada de sábado, adormeci por volta das três da manhã e não acordei a horas para podermos apanhar o comboio combinado. Mesmo assim, zonza de sono reafirmei a minha vontade de ir e lá fomos a toda a velocidade para a estação. Infelizmente, não pudemos viajar no comboio que estava prestes a partir, porque os bilhetes estavam esgotados. Só o fizemos no seguinte, que chegou à gare do Oriente pouco antes das duas da tarde. Engolimos o almoço e apanhamos de seguida o metro para o Parque Eduardo VII.
O primeiro vislumbre que tive da Feira deu-se já se passavam uns minutos das três horas da tarde. Teríamos que regressar à estação do metro duas horas mais tarde. Tempo insuficiente, muito insuficiente para deambularmos e espreitarmos todos os stands. Mas não me rendi à consequente e evidente frustração. Saquei do caderninho, consultei a longa lista, o mapa da Feira e dirigi-me aos locais onde estariam as melhores ofertas, o livro do dia que teria que comprar e possíveis autógrafos de autores prediletos. Percorri todo o recinto, mas houve que acelerar o passo e olhar em frente em zonas que teoricamente não teriam nada de interessante. Olhando para o relógio calculei o tempo que poderia perder nos stands da Leya, da Porto Editora, da Tinta-da-china, da Presença, da Penguin Random House. Aos restantes tive que fechar os olhos, ouvidos e não ceder à tentação de acariciar lombadas, desfolhar páginas, ler sinopses.
Às cinco da tarde, enquanto o pequeno da família corria com o pai para fazer a sua última compra, eu entrei no espaço Leya para fazer a minha última compra – Os olhos de Tirésias, de Cristina Drios, livro do dia, autografado pela própria autora.
Foi uma despedida apressada, como o foi toda a visita. Duas horas. A minha primeira vez na Feira do Livro de Lisboa foi muito curta, demasiado curta, mas deixou uma marca indelével, um gosto docinho e uma alegria como já não experimentava há muito tempo. Em apenas duas horas voltei a saborear aquelas ganas incontroláveis de trazer muitos, mas muitos inquilinos novos para a estante. Voltei a saboreá-las porque sabia que todos os livros que desejo ter estavam ali, ao alcance da minha mão, que ninguém me diria que eles não estavam disponíveis na Feira, como tantas vezes ouvi nas últimas edições do Porto.
Não comprei todos os livros que queria. Não os comprei por uma simples questão monetária. Mas vim deliciada com os novos cinco inquilinos da estante. Dois vieram com o correspondente autógrafo do autor. Quatro comprei-os com um bom desconto. Apenas o do Tordo teve um desconto de dez por cento – desconto inadmissível numa Feira do Livro, que deveria oferecer no mínimo o dobro desse desconto.
Quando finalmente me sentei no assento do Alfa Pendular que me levou a casa, percebi que o cansaço físico iria levar a melhor perante o cansaço mental e que por fim iria usufruir de uma bela noite de sono. Percebi ainda que aquela viagem tinha sido a primeira de muitas, porque teria que regressar a Lisboa, à sua Feira e apreciá-la como ela merece. Como eu mereço. Transformar esta visita numa tradição familiar.
Para concluir, deixo-vos algumas imagens (as possíveis – duas horas não deixaram tempo para fotos) que ilustram a nossa passagem por aquela que definitivamente é a melhor e mais completa Feira do Livro de Portugal.

Até para o ano! Voltaremos para uma visitinha bem mais demorada!




Balanço mensal - livros lidos e recebidos em maio


Se em abril o outro lado da vida se intrometeu nas minhas leituras, em maio e princípios de junho encolheu para tamanhos reduzidíssimos o tempo que dedico a este cantinho… É por isso que tenho textos em atraso e que este balanço mensal aparece apenas agora, quinze dias após o arranque do mês que se lhe segue.
Contudo, se compararmos as leituras de abril e maio, confronto-me com um número maior, já que de três leituras passei a cinco, isto é, os minutos dedicados a um dos prazeres mais saborosos da minha vida continuaram a ser escassos, mas foram muito profícuos 😊
A primeira leitura de maio foi a mais difícil do ano e talvez uma das mais difíceis de todos os tempos. A narrativa de Eu confesso, de Jaume Cabré é deveras alucinante, a mistura de tempos, espaços, narradores, personagens que frequentemente é realizada num parágrafo apenas deixa qualquer leitor experiente atordoado, perplexo e sem fôlego. Mas se combinarmos esse ritmo e essa mistura alucinantes com uma escrita e um estilo assombrosos, sublimes, geniais, temos na nossa mão uma obra que tem que ser conhecida e lida por todos aqueles que ansiamos e desesperamos por uma leitura que nos retire o chão e se mantenha connosco tempos infinitos.
Furta-cores, da brasileira Cristina Parga, é uma coletânea de contos pequeninos, grande parte de pouco mais do que duas páginas. Chegaram à minha estante em outubro do ano passado e foram-me oferecidos por uma “gran amiga”. Nunca havia lido nada da autora, aliás não a conhecia de todo, mas a sua escrita emotiva, prenhe de sentimentos e emoções que nos caracterizam fizeram com que lesse com muito interesse as histórias que compõem Furta-cores, que me apaixonasse e me emocionasse com passagens, com personagens e correspondentes dores, desejos, medos, nostalgias e sonhos. Não me emocionei com todos os contos, é certo, mas aqueles que me tocaram pedem que continue a querer ler mais daquilo que esta jovem escritora escreve. E pode ser que o faça mais cedo que o que estava à espera!...
 A terceira obra que li chegou por empréstimo. E que bom que é ter colegas, amigos que me disponibilizam os seus livros, porque fazem-me poupar dinheiro e idas à biblioteca e possibilitam-me leituras maravilhosas. Como a que saboreei com A ridícula ideia de não voltar a ver-te, da espanhola Rosa Montero. Dela apenas havia lido Amantes e Inimigos e tinha ficado fascinada e enfeitiçada pela sua escrita intensa, que fala da vida, de sentimentos, do lado feio e do lado belo do ser humano com familiaridade e conhecimento e que nos faz pensar e sentir que a autora é alguém próximo, que pode a qualquer momento sentar-se ao nosso lado e entabular um diálogo connosco de igual para igual. Essa sensação voltou a materializar-se com a obra que me emprestaram, que entrelaça a biografia da genial Maria Curie com aspetos biográficos da própria Rosa Montero e com divagações e apontamentos que a mesma vai partilhando com o leitor sobre a vida, a morte, o papel da mulher na sociedade ao longo dos tempos, o seu papel de escritora, de mulher e de esposa de alguém ou apenas sobre banalidades que tanto colorido aportam ao dia-a-dia de cada um de nós.
A quarta obra saiu diretamente do meu e-mail para o tablet do meu filhote. Não sou a maior fã de e-books, mas tenho que, mais uma vez, expressar o meu agradecimento à Cristina Tista, uma seguidora do blogue e que me vai enviando obras em formato digital que sabe que me irão agradar. Uma vida à sua frente, de Romain Gary, conta-nos a história sofrida e dolorosa de um órfão, filho de uma prostituta e do seu chulo, que vai sobrevivendo em casa de uma anciana, também ela uma antiga prostituta e sobrevivente dos campos de extermínio de Auschwitz. A narrativa, como se pode depreender, aperta-nos o coração de compaixão e leva-nos a querer saltar para dentro dela para podermos estreitar Momo (o protagonista) nos nossos braços e não mais o largarmos. Está muito bem escrita e o estilo sensível, quase poético, do autor é outro fator que nos agarra e faz de Uma vida à sua frente um romance que deve ser lido por todos.
Encerrei o mês como o comecei – com uma obra saída da minha estante. Mas as semelhanças terminam aí, porque No país da nuvem branca cumpriu com o seu propósito – dar-me espaço para respirar, para desfazer os nós de emoção que me foram apertando com uma leitura levezinha e fácil de tragar, contudo não permitiu sequer que criasse muita empatia com as personagens, sobretudo com as protagonistas, às quais senti que lhes faltava mais entusiasmo, mais força, mais vida.
Resumindo o que foi dito até aqui, as cinco obras lidas em maio não defraudaram. Nenhuma delas o fez, mesmo aquelas às quais dei nota mais baixa. Destaco sobretudo a obra magistral de Jaume Cabré e a deliciosa biografia/autobiografia/ensaio de Rosa Montero. Ficarão comigo por muito tempo!
Quanto a novos inquilinos na estante e face a promessas que cumpri a muito custo, o mês de maio encheu a prateleira das aquisições apenas com uma obra que o meu filhote ofereceu com muito amor no dia da mãe!
Trata-se de Rapariga em guerra, de Sara Novic, que me vai fazer regressar aos palcos da guerra, mais precisamente à guerra dos Balcãs. O meu coração já se aperta de antecipação, porque, como sabem, nutro especial predileção pela dor e pelo sofrimento, anseio por narrativas que me transtornem, que deixem marca. E esta seguramente deixará.
E o vosso maio, como foi? Fico à espera das vossas respostas.
Deixo-vos, como sempre, os links para acederem à opinião completa das obras lidas este mês:
§  Eu confesso, de Jaume Cabré
§  Furta-cores, de Cristina Parga
§  Uma vida à sua frente, de Romain Gary
§  No país da nuvem branca, de Sarah Lark

No país da nuvem branca, de Sarah Lark


Ficha técnica
TítuloNo país da Nuvem Branca
Autora – Sarah Lark
Editora – Marcador
Páginas – 682
Datas de leitura – de 18 a 28 de maio de 2017


Opinião
Finalmente! Duas semanas depois finalmente consigo sentar-me à frente do computador e sorrir para o ecrã.
Esta altura do ano é caótica, com exigências que caem em catadupa e horas intermináveis de caneta vermelha em punho, à volta de incontáveis grelhas de excel e de papelada física e digital que não me sai das mãos. Por isso, o tempo que sobra para as leituras é diminuto e, como se isso não bastasse, o cansaço acumulado provoca efeitos secundários nefastos que transtornam a qualidade do meu sono e fazem com que a minha cabeça trabalhe a uma velocidade estonteante, mesmo quando está pousada na almofada há mais de duas, três, quatro, cinco horas…
Contudo, este fim de semana ditou uma ligeira trégua e aproveitei-a para escrever a opinião da obra que terminei de ler no “longínquo” dia 28 de maio e da qual, por esta ou por aquela razão, já pouco recordo.
Até retirar da estante a obra de Sarah Lark, tinha preenchido os dias de maio com leituras exigentes e muito emocionais. Assim, já tinha determinado que terminaria o mês fazendo um parêntesis nessa exigência, lendo algo levezinho, algo que não contribuísse para o turbilhão que já se havia apoderado da minha cabecinha exausta.
No país da nuvem branca traz-nos uma narrativa que se espraia por bem mais do que seiscentas páginas e que nos faz embarcar numa viagem que começa na Inglaterra vitoriana e termina nos confins do mundo, na mais longínqua colónia de Sua Majestade – a ilha da Nova Zelândia. É uma narrativa protagonizada por duas jovens mulheres que partem para um casamento com dois homens que vivem na referida ilha e dos quais pouco ou nada sabem. Helen é uma jovem preceptora que tem plena consciência de que está prestes a tornar-se uma solteirona e vê uma clara oportunidade de dar um novo rumo à sua vida num anúncio que lê e onde homens respeitáveis da Nova Zelândia procuram uma companheira. Gwyneira, uma jovem nobre com comportamentos pouco adequados para uma dama – prefere sem dúvida alguma cavalgar, estar no meio de animais que organizar uma festa ou preparar o perfeito ramo de flores para colocar no centro da mesa da sala – aceita casar com o filho de um magnata de criação de ovelhas neozelandês e vê nessa proposta a possibilidade de embarcar na maior aventura da sua vida. As duas coincidentemente viajam no mesmo barco e tornam-se de imediato amigas. Contudo, a chegada ao outro lado do mundo, às suas novas casas vai pôr em perigo essa amizade.
Como facilmente se deduz, esta obra “vive” das suas protagonistas femininas, da personalidade, das alegrias e dos contratempos das suas vidas. Contudo, à medida que nos vamos adentrando na narrativa, deparámo-nos com um cada vez maior protagonismo de Gwyneira, protagonismo esse que faz com que Helen passe a ser uma das muitas personagens secundárias que povoam a história. É certo de que a fogosidade, a determinação, as atitudes de uma mulher vanguardista predispõem-nos a aceitar essa realidade, mas, na minha opinião, a leitura poderia ter ganho outro fôlego se o protagonismo fosse mais equitativo, se continuasse a haver um equilíbrio entre o temperamento arisco e tempestuoso de Gwyn e a personalidade serena, objetiva e mais terrena de Helen. Criei empatia com as duas desde o início da obra, sem distinções ou preferências e por isso não aceitei de muito bom grado a primazia de uma face à outra.
No país da nuvem branca, como o título indica (assim nomeavam os maoris a sua ilha), vive igualmente do seu enredo histórico, da mistura entre o ficcionado e os primórdios da colonização de uma ilha sem animais selvagens, com paisagens de cortar o fôlego e uma população indígena que, segundo o que se depreende da leitura (não me dei ao trabalho de confirmar a veracidade das investigações da autora), aceitou pacificamente a chegada do homem branco e a correspondente ocupação das terras. A leitura torna-se aprazível com as descrições das tradições dos maoris, da vivência entre estes e os poderosos brancos, do crescimento voraz de povoações que rapidamente se transformam em cidades e do relaxamento compreensível das normas e regras que de forma alguma se podiam quebrar na sociedade londrina. Vamos contactando com gente simples, com homens e mulheres que foram fazendo a sua fortuna à custa de trabalho, com indígenas que nos fazem ver a vida de uma forma mais concreta, em plena comunhão com os elementos naturais. Vamos ganhando afeição por uma ilha que no século XIX tinha todas as características para ser o paraíso na terra. Vamos, eu que o diga, sonhando com uma visita a esse cantinho do mundo que, ainda hoje, mantém muitas das suas características únicas e que levam a que todos que o visitam venham deslumbrados e perdidamente apaixonados.
Pelo que foi dito até agora, compreende-se que aconselhe a todos que sintam predileção por este género de obra a leitura de No país da nuvem branca. “Papa-se” muito bem – li mais de 200 páginas em menos de quatro dias – oferece-nos uma leitura agradável, interessante e que não defrauda. Contudo, não me satisfez totalmente, pois não buliu comigo da forma como esperava. Sabia que não me traria a intensidade emocional que me trouxeram as obras que a antecederam, mas estava à espera de mais. De mais equilíbrio entre as protagonistas, de mais sentimento, de mais drama, de menos aceitação de algumas situações, de mais dor numa separação, de mais raiva e frustração em quezílias e em outros momentos de violência. Enfim, de mais vida! Por isso, não comprarei os outros volumes da trilogia, porque pressinto que me dariam mais do mesmo…
Assim sendo, não me resta outra alternativa que não seja encerrar rapidamente este parêntesis e mergulhar numa leitura que me faça dobrar de emoção. E já sei exatamente onde procurá-la!

NOTA – 07/10

Sinopse

Londres, 1852. Duas raparigas empreendem uma viagem de barco rumo à Nova Zelândia e tornam-se amigas. Trata-se, para ambas, do início de uma nova vida como futuras esposas de dois homens que conhecem apenas por correspondência. É o começo de uma nova vida com homens que não conhecem. Gwyneira, de origem nobre, está prometida ao filho de um magnata da criação de ovelhas, enquanto Helen, uma jovem perceptora, parte para se casar com um fazendeiro. Procuram encontrar a felicidade num país que promete ser o paraíso. No entanto, as ilusões de ambas depressa se esfumam, principalmente quando descobrem que a sua amizade está em perigo porque os maridos são inimigos. Gwyneira e Helen são mais fortes do que acreditavam ser e rompem com os preconceitos e as restrições da sociedade onde vivem, mas serão capazes de alcançar o amor e a felicidade do outro lado do mundo?