Pela primeira vez rumámos à Feira do Livro de Lisboa!


Hoje fecham-se as portas da 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa. Mas para mim manter-se-ão abertas, haverá sempre um cantinho, uma janelinha, uma frinchazinha que não fecham, que se mantêm de braços estendidos para que continue a desfrutar daquela que foi a minha primeira vez nos corredores ladeados de barraquinhas espalhadas pelos jardins do Parque Eduardo VII.


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Há já alguns anos que era um desejo muito comentado em casa – ir à Feira do Livro de Lisboa, o maior certame de celebração do livro em Portugal. Recordo que, mesmo quando ainda tínhamos no Porto uma edição com os mesmos moldes, era frequente ir à barraquinha de uma editora, procurar um livro, não o encontrar e ouvir de um dos responsáveis afirmações como “Infelizmente não o temos. Tivemo-lo na de Lisboa, mas não o trouxemos para o Porto.” Essa diferença, essa pequenez ainda se tornou mais significativa quando a Feira da cidade Invicta se mudou de novo para os Jardins do Palácio de Cristal de candeias às avessas com a APEL e consequentemente com as grandes editoras que mantêm o monopólio de quase tudo o que se publica no nosso país. Por tudo isto e porque me sinto bastante desiludida todas as vezes que faço a habitual visita em setembro à Feira portuense, a vontade de rumar a sul, de deambular de caderninho na mão pelos stands de todas as editoras que trazem brilho, cor e diversidade à festa dos livros tornou-se premente, tornou-se muito urgente.
Ficou decidido que iríamos num fim de semana e de comboio. Contudo, a data apenas ficou definitiva depois de controlados os afazeres escolares do mais pequeno da família. Estabelecemos horários de comboios, mochilas, marmitas e atualizei a lista dos livros que poderiam regressar comigo. O plano consistia em viajar num comboio bem matinal e voltar num ao final do dia, princípio da noite. Conferimos tudo, apenas deixamos a compra dos bilhetes para o próprio dia.
Entretanto, o final do ano letivo estava aí e o cansaço acumulado fez-se sentir da forma habitual. Deixei de conseguir dormir – uma noite, duas noites, três noites, ou seja, quarta, quinta, sexta. Na madrugada de sábado, adormeci por volta das três da manhã e não acordei a horas para podermos apanhar o comboio combinado. Mesmo assim, zonza de sono reafirmei a minha vontade de ir e lá fomos a toda a velocidade para a estação. Infelizmente, não pudemos viajar no comboio que estava prestes a partir, porque os bilhetes estavam esgotados. Só o fizemos no seguinte, que chegou à gare do Oriente pouco antes das duas da tarde. Engolimos o almoço e apanhamos de seguida o metro para o Parque Eduardo VII.
O primeiro vislumbre que tive da Feira deu-se já se passavam uns minutos das três horas da tarde. Teríamos que regressar à estação do metro duas horas mais tarde. Tempo insuficiente, muito insuficiente para deambularmos e espreitarmos todos os stands. Mas não me rendi à consequente e evidente frustração. Saquei do caderninho, consultei a longa lista, o mapa da Feira e dirigi-me aos locais onde estariam as melhores ofertas, o livro do dia que teria que comprar e possíveis autógrafos de autores prediletos. Percorri todo o recinto, mas houve que acelerar o passo e olhar em frente em zonas que teoricamente não teriam nada de interessante. Olhando para o relógio calculei o tempo que poderia perder nos stands da Leya, da Porto Editora, da Tinta-da-china, da Presença, da Penguin Random House. Aos restantes tive que fechar os olhos, ouvidos e não ceder à tentação de acariciar lombadas, desfolhar páginas, ler sinopses.
Às cinco da tarde, enquanto o pequeno da família corria com o pai para fazer a sua última compra, eu entrei no espaço Leya para fazer a minha última compra – Os olhos de Tirésias, de Cristina Drios, livro do dia, autografado pela própria autora.
Foi uma despedida apressada, como o foi toda a visita. Duas horas. A minha primeira vez na Feira do Livro de Lisboa foi muito curta, demasiado curta, mas deixou uma marca indelével, um gosto docinho e uma alegria como já não experimentava há muito tempo. Em apenas duas horas voltei a saborear aquelas ganas incontroláveis de trazer muitos, mas muitos inquilinos novos para a estante. Voltei a saboreá-las porque sabia que todos os livros que desejo ter estavam ali, ao alcance da minha mão, que ninguém me diria que eles não estavam disponíveis na Feira, como tantas vezes ouvi nas últimas edições do Porto.
Não comprei todos os livros que queria. Não os comprei por uma simples questão monetária. Mas vim deliciada com os novos cinco inquilinos da estante. Dois vieram com o correspondente autógrafo do autor. Quatro comprei-os com um bom desconto. Apenas o do Tordo teve um desconto de dez por cento – desconto inadmissível numa Feira do Livro, que deveria oferecer no mínimo o dobro desse desconto.
Quando finalmente me sentei no assento do Alfa Pendular que me levou a casa, percebi que o cansaço físico iria levar a melhor perante o cansaço mental e que por fim iria usufruir de uma bela noite de sono. Percebi ainda que aquela viagem tinha sido a primeira de muitas, porque teria que regressar a Lisboa, à sua Feira e apreciá-la como ela merece. Como eu mereço. Transformar esta visita numa tradição familiar.
Para concluir, deixo-vos algumas imagens (as possíveis – duas horas não deixaram tempo para fotos) que ilustram a nossa passagem por aquela que definitivamente é a melhor e mais completa Feira do Livro de Portugal.

Até para o ano! Voltaremos para uma visitinha bem mais demorada!




4 comentários:

  1. Respostas
    1. Só editoras grandes porque, por casualidade e nada mais, são aquelas que publicam os livros que quero ler e que quero ver na minha estante. A minha escolha sempre se baseia assim, nunca pelo nome da editora.
      Obrigada pela visita!
      Volte sempre!

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  2. Oh, que pena teres vindo a correr e não teres percorrido aquelas fileiras de preciosidades com calma... Eu este ano só lá fui duas vezes em contra-relógio, mas a diferença é que numa hora me ponho lá. Não sabia dessa situação no Porto, não é justo!
    Os Olhos de Tirésias foi uma grande compra! Também quero muito lê-lo. Quanto ao Tordo, não te esqueças que se tiver menos de 18 meses, não podem fazer descontos maiores, seja feira ou não. É por isso que só compro livros mais velhotes ou em segunda-mão: com 20, 30 euros faço a festa!
    Paula

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    1. Prometo que para o ano a situação será diferente... Quero muito voltar com calma.
      A situação na Feira do Livro do Porto já se arrasta há uns anos e, não menosprezando o formato atual, tenho muitas saudades das edições antigas, bem mais recheadinhas!
      O maridinho já anda a ler Os Olhos de Tirésias! Espero que cumpra as expetativas - creio que sim!
      Eu sei que a lei assim o obriga, ou seja, apenas 10% nas novidades, mas a wook e a fnac bem a quebram de vez em quando... Por isso, acho que a Feira deveria ser uma exceção à lei, mas enfim...
      Tenho que tentar ser como tu e ir em busca de preciosidades!

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