Os Piratas - Teatro, de Manuel António Pina


Ficha técnica
TítuloOs Piratas - Teatro
Autor – Manuel António Pina
Editora – Porto Editora
Páginas – 96
Data de leitura – 29 de setembro de 2017

Opinião
Esta foi a quarta e última obra que o D. teve que ler como “trabalho” para férias. Não a lemos ao mesmo tempo, ele leu-a antes de as aulas começarem, eu só lhe peguei no final do mês de setembro.
Não sou a adepta mais ferrenha do género dramático, prefiro o texto corrido em poder de um narrador que não necessita de recorrer a indicações cénicas entre parênteses ou em itálico para informar o leitor onde e quando se passa a ação ou quais as movimentações ou reações das personagens. Porém, não deixo que essas minhas preferências me impeçam de ler uma obra dramática, sobretudo se a posso partilhar com o filhote.
Os Piratas são de leitura obrigatória para um aluno que frequente o sexto ano. Compreendo que o seja se destacarmos a trama, as personagens e as reviravoltas típicas de uma obra juvenil, com aventura, suspense, mistério e protagonistas da mesma faixa etária do público-alvo. Confesso que, ao ler as páginas iniciais, senti um frémito muito semelhante ao que sentia quando tinha os meus dez, onze, doze anos e devorava as coleções de Enid Blyton. Esse frémito foi mantendo-se ao longo da narrativa, mas deu lugar a alguma incredulidade e desapontamento quando a terminei, porque muitas questões ficaram sem resposta. Ficou no ar a sensação de que o final não corresponde em absoluto ao resto da história, parece que esta foi arrematada à pressa, “às três pancadas” e um aluno de onze anos não tem “bagagem” suficiente para compreender se tudo o que leu até ao momento final foi um sonho ou foi real.
Soube depois de ter terminado a leitura da obra que esta foi uma adaptação ao género dramático feita pelo próprio autor. Na minha opinião, não foi uma adaptação muito bem sucedida, pois todos os elementos atrativos que a compõem mereciam um final muito melhor do que aquele que a referida adaptação nos oferece. As personagens são cativantes, mas acho que qualquer leitor quer, como eu, saber o que lhes passou, quer saber se Robert foi de verdade raptado pelos piratas, quer conhecer melhor a Ana, o Manuel, a sua mãe, quer que desenvolvam a narrativa até que esta lhe providencie todas as respostas às perguntas que vai deixando no ar, sobretudo à principal – terá sido tudo sonho ou realidade?
 Por tudo o que referi, considero, sobretudo como mãe e leitora muito assídua, que a escolha desta obra para leitura obrigatória de sexto ano não foi a mais acertada. Há tantas, mas tantas obras publicadas para esta faixa etária, que se torna um pouco difícil entender por que razões elegeram esta, com personagens complexas, sem contornos claros e uma narrativa também ela ambígua. Resta-me esperar para ver como a abordará a professora nas aulas e se essa abordagem esclarecerá algumas das dúvidas que não são apenas minhas, como é óbvio.

NOTA – 06/10 (a nota reflete a minha opinião)


Sinopse
E se, de repente, te visses a bordo de um navio de piratas? Não fazes ideia de como foste lá parar, só sabes que tens de salvar a tua mãe, mas o Capitão toma-te por um dos seus grumetes… No meio do desespero, acordas e pensas que tudo não passou de um terrível pesadelo. Mas logo te apercebes que ainda trazes na cabeça o lenço vermelho de pirata… Terá sido sonho ou realidade?

2 comentários:

  1. Olá Ana,
    Pois...como te compreendo. Felizmente os nossos filhos têm mães que gostam de ler e os podem orientar quando este tipo de situações acontecem. Vamos a outro.
    Beijinhos e boas leituras

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    1. Olá, Isa! Fiquei mesmo revoltada! Sim, os nossos filhos têm sorte, mas há tantos e tantos cujos pais não lêem e não os podem ajudar! O PNL mete a pata na poça e as crianças que se desenrasquem! Enfim...
      Venham outros mesmo!
      Beijinhos!

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