Arrugas, de Paco Roca



Ficha técnica
TítuloArrugas (Rugas em português)
Autor – Paco Roca
Editora – Astiberri Ediciones
Páginas – 104
Datas de leitura – 18 a 19 de agosto de 2018

Opinião
Quem me conhece há mais tempo (há bem mais tempo) sabe que sempre fui uma rapariga mais de letras do que de imagens, ou seja, nos meus anos de criancinha e de teenager, enquanto os meus colegas e amigos deitavam mais rapidamente a mão a um livrinho de banda desenhada, moi même torcia o nariz a essas escolhas e aproximava-me das obras onde reinava muito mais a palavra que o desenho. Por isso, é compreensível, clarinho como a água, que tenha chegado aos meus queridos 43 aninhos sem nunca ter lido uma graphic novel.
Quem me segue aqui há mais tempo também está a par das minhas movimentações na blogosfera (e agora nos mundos dos youtubes) e já se deve ter dado conta de que tenho um carinho muito especial pelo Jardim de mil histórias, da blogger e youtuber Isaura Pereira. Foi lá, no seu cantinho ajardinado, que descobri o amor que a Isa sente pelo espanhol Paco Roca e pelas suas graphic novels, especialmente as que já moram na minha estante – Rugas/Arrugas e A casa. Ora, não estava nos meus planos de leituras cronológicas ler nenhuma das duas nos próximos tempos, mas férias fora de casa e uma leitura abandonada não me deram outra alternativa que não tivesse sido a de agarrar numa das últimas aquisições (que havia feito nessas férias fora de casa) e colmatar o pesadelo em que me havia metido – não ter mais nada para ler, exceto uma dessas três aquisições. Decidi de imediato que leria o Arrugas (na sua versão original, em espanhol) e assim preencheria a categoria do Bookbingo deixada para trás com a leitura anteriormente abandonada ao mesmo tempo que satisfazia a curiosidade que me acompanhava desde que fiquei contagiada pela opinião da Isa.
Arrugas é uma graphic novel muito curtinha e lê-se em menos de uma hora. Porém, como era a minha estreia neste género, quis prolongá-la, quis desfrutá-la, quis prestar tanta atenção às falas, ao texto, como às imagens, aos desenhos. E esse refreio foi muito compensador, pois permitiu-me entrar neste mundo que combina e equilibra a imagem com a palavra de forma mais intensa, mais completa.
 Emilio sofre de Alzheimer, mas ainda não tem consciência disso. As suas confusões, os seus esquecimentos estão a tornar-se insuportáveis para o seu filho e este resolve “interná-lo” num lar de terceira idade. Será neste local (que nos é pintado como um lugar onde se despejam os entes queridos seniores, a quem se visita quando o peso na consciência o determina, como na época do Natal) que conheceremos outros velhotes que aí estão por diversas razões, como a doce e divertida Antónia, sempre com a resposta na ponta da língua, Modesto e Dolores, um casal que me enterneceu até à alma e me fez acreditar ainda mais num amor ilimitado, e Miguel, um velhote safado, chico-esperto, mas que me conquistou irremediavelmente à medida que crescia e se estreitava a amizade que o uniu desde o início a Emilio.
Quando concluí a leitura (com os olhos marejados de lágrimas) pensei na Isa e agradeci-lhe do fundo do coração o ter-me feito descobrir esta pequena obra, que, com “meia dúzia” de falas e uns rabiscos (maravilhosos, assertivos), me absorveu e mexeu com todas as fibrinhas do meu corpo como normalmente o faz uma obra com páginas e páginas cobertas de letras. Sou muito sensível a tudo que aborde a designada terceira idade, tenho umas saudades que ainda doem como o caraças dos meus avós maternos e admito que entro em qualquer leitura que trate do tema “idosos” com o coração apertadinho, mas nem todas me tocam com a mesma intensidade. O Arrugas entrou e ficou. Ficou de uma forma muito especial – dorida, sofredora e doce – porque as suas temáticas assim o determinam – a doença de que tenho mais medo, a questão dos lares de terceira idade como local de despejo e abandono, a orfandade dos velhotes, tudo isto abraçado a sentimentos de puro amor e pura amizade. Que mais poderia querer eu de uma leitura?
A minha estreia no mundo das graphic novels foi, como podem constatar, a melhor que poderia ter tido. Resta-me agradecer de novo à Isa e recomendar-vos, pedir-vos encarecidamente que leiam e conheçam esta obra para que ela chegue ao coração do maior número de leitores possível. Infelizmente, a versão portuguesa está esgotada, mas tentem encontrá-la nas bibliotecas da vossa zona, em alfarrabistas ou então comprem a versão original – não é preciso um domínio muito grande do espanhol para lê-la. LEIAM-NA!

NOTA – 10/10

Esta foi a décima primeira leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro com apenas uma palavra no título.

Sinopse
Emilio, un antiguo ejecutivo bancario, es internado en una residencia de ancianos por su familia tras sufrir una nueva crisis de Alzheimer. Allí, aprende a convivir con sus nuevos compañeros –cada uno con un cuadro “clínico” y un carácter bien distintos – y los cuidadores que les atienden. Emilio se adentra en una rutina diaria de cadencia morosa con horarios prefijados –la toma de los medicamentos, la siesta, las comidas, la gimnasia, la vuelta a la cama…– y en su pulso con la enfermedad para intentar mantener la memoria y evitar ser trasladado a la última planta, la de los impedidos, cuenta con la ayuda de Miguel, su compañero de habitación…

TAG - Minhas estantes, meu mundo


      Pegou-se-me o gosto desta coisa dos vídeos e fiz mais um! Foi mais uma estreia, já que foi a primeira TAG que fiz desde que criei o blogue. Vi-a em dois canais dos quais sou subscritora - o da Isa e do Hugo e achei-a muito acessível, interessante e com perguntas muito pertinentes para todos nós que amamos os livros e as leituras.
        Espero que gostem, que comentem as minhas escolhas e que partilhem aqui as vossas recomendações 😊 Adoraria recebê-las!



        

Debaixo de algum céu, de Nuno Camarneiro



Ficha técnica
TítuloDebaixo de algum céu
Autor – Nuno Camarneiro
Editora – Leya
Páginas – 200
Datas de leitura – 16 a 18 de agosto de 2018

Opinião
Passou uma semana desde que terminei esta obra e aconteceu aquilo que eu temia – já não mora em mim nada ou quase nada da sua leitura.
Debaixo de algum céu, galardoado com o prémio Leya de 2012, tem uma premissa que me cativou e me fez querer entrar nela o mais rápido possível (lá estou eu a contrariar-me… manias de leituras cronológicas e querer ler uma obra o mais depressa que pudesse… enfim…). A correspondente sinopse informa o leitor de que a ação se desenrolará durante uma semana, que nesse período de tempo iremos entrar num prédio encostado à praia e nos apartamentos que o compõem e que uma tempestade, que deixa o prédio sem luz, irá quebrar a rotina dos seus habitantes e suspender as suas vidas. Ora, se juntarmos a estes ingredientes suculentos (prémio Leya e sinopse empolgante) um terceiro tão ou mais entusiasmante – saber que do outro lado do computador estarias tu, Paula, a ler a obra ao mesmo tempo que eu – é perfeitamente compreensível que as minhas expectativas estivessem lá bem no alto, mesmo que uma vozinha maléfica (consequência de algumas opiniões que já havia lido algures e que não eram muito favoráveis) me sussurrasse que haveria que refrear essa excitação…
  A primeira coisa que salta à vista na obra é o seu preâmbulo que me conquistou plenamente (não só a mim como também a quem me ofereceu a obra, já que muitas das suas frases estão sublinhadas). A escrita do autor é deliciosamente poética e introspetiva e obrigou-me a elevar ainda mais as já referidas expectativas. Como tal, é normal que não me tenha refreado quando passei para os capítulos – divididos nos oito dias em que se desenrola a ação – e que estivesse com todos os meus sentidos em alerta, absorvendo tudo sobre as personagens, sobre o narrador e acenando de satisfação quando estava perante mais exemplos da qualidade da escrita do autor.
O livro não é longo, tem apenas 200 páginas e tanto eu como a Paula o lemos em pouco tempo. Mesmo assim, conseguimos trocar bastantes impressões e todas elas apontavam para conclusões semelhantes e que agora partilho convosco – não foi uma leitura que nos tenha preenchido e que tenha correspondido às expectativas (pelo menos às minhas). Continuo a afirmar que o estilo e a escrita do autor são muito bons, com traços de poesia e densidade que me agradam sobremaneira. Porém, acho (e creio que a Paula também) que Nuno Camarneiro divagou e filosofou em demasia e que pôs a narrativa “ao serviço” desses pensamentos, dessa filosofia, dando, dessa forma, oportunidades reduzidas para as personagens brilharem e ocuparem o espaço que têm que ocupar numa trama, seja ela de que género for.
Assim sendo e tendo em conta aquilo que referi, compreendem a minha frustração por sentir que fui, de algum modo, enganada pela sinopse e pela importância que dei (outro aspeto a rever, tantos anos de leitora e ainda caio na esparrela dos prémios literários) ao galardão atribuído à obra. Pressupus uma narrativa introspetiva, como tanto gosto, que se fosse desenrolando em crescendo e que a anunciada tempestade tivesse um impacto significativo e que produzisse uma reviravolta na vida das personagens. É certo que esta ocorreu, mas não da maneira “correta”, não como eu esperava que ocorresse e, como tal, custou-me a engolir o desenlace de muitas das personagens e de um espaço do prédio em particular. Considero que aquele que o autor criou para o David, por exemplo, foi apressado e pouco coerente e que a relação entabulada à última hora entre o padre Daniel e um habitante externo ao prédio foi demasiada “automática e mágica” (palavras da Paula), mesmo tendo em conta a época do ano em que acontece. No entanto, admito de bom gosto que me derreti com o desenlace que o autor ofereceu à minha personagem favorita, o velhote Marco Moço (eu e o meu coração que amolece face a histórias de gente sénior) e que esse miminho me reconciliou um pouco com esta leitura que tanto prometia com o seu preâmbulo e que esvaziou como um balão furado.
Apesar de tudo isto, obrigada, Paula, adorei voltar a fazer uma leitura em conjunto contigo e quero repetir a experiência muito em breve. A ver se desta atingimos patamares de excelência, com nota máxima ou próximo dela.

NOTA – 06/10

Esta foi a décima leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Prémio literário português.

Sinopse
Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir. 
A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem. 
Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos. 
Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de Algum Céu retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.

O meu percurso como leitora


Usei quarto aniversário do blogue, que, por acaso, foi há quase um mês, no dia 24 de julho, para arriscar em algo diferente... Não sei se foi demasiado arriscado, se tenho algum jeito para isto (é óbvio que não, pois ainda estou a tremer por todo o lado), mas quando algo se mete na minha cabecinha, a minha determinação obriga-me a ir até ao fim, mesmo que me espalhe ao comprido... Deixo-vos o resultado dessa experiência. Espero que gostem e não se assustem com esta careta que fiz abraçada aos meus saudosos Cinco!
Obrigada, mais uma vez, por estarem desse lado e continuem por aí, OK? Não fujam 😜

Fico à espera do vosso feedback!

PS - tive que publicar o vídeo no Youtube porque o blogue não tem capacidade para suportar algo tão pesado.